Em carta enviada hoje a Ban Ki-moon, Bergoglio afirma que tais actos "não podem não despertar as consciências de todos os homens e mulheres de boa-vontade a acções concretas de solidariedade
Roma, 13 de Agosto de 2014 (Zenit.org) Federico Cenci
“Ao renovar o meu apelo urgente à comunidade internacional
para intervir e por fim à tragédia humanitária em andamento, encorajo
todos os organismos competentes das Nações Unidas, especialmente os
responsáveis pela segurança, a paz, o direito humanitário e a
assistência aos refugiados, a prosseguirem seus esforços, em
conformidade com o Preâmbulo e os artigos pertinentes da Carta das
Nações Unidas.”
A voz do Papa Francisco chega a Nova York e estremece o Palácio de
Vidro, sede da ONU. Mais um apelo do Santo Padre pelo fim do "sofrimento
intolerável" dos cristãos no Iraque chega aos ouvidos de Ban Ki-moon,
Secretário das Nações Unidas.
Na carta de hoje, o Papa disse que estava “com o coração apertado e
angustiado” diante dos “dramáticos acontecimentos dos últimos dias no
norte do Iraque”. As imagens dos cristãos e outras minorias religiosas
curvados pela violência e perseguição dos jihadistas do Estado Islâmico
do Iraque e do Levante provocam comoção no Santo Padre, que afirma
estar angustiado também pela “destruição de seus lugares de culto e do património religioso”.
Daí a decisão de enviar ao povo iraquiano o cardeal Fernando Filoni,
Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que já serviu no
país como representante dos predecessores, Papa São João Paulo II e
Papa Bento XVI. “Um gesto - reafirma o Bispo de Roma – “para manifestar a
minha proximidade espiritual e expressar a minha preocupação, assim
como de toda a Igreja Católica, com o intolerável sofrimento de pessoas
que desejam somente viver em paz, harmonia e liberdade na terra de seus
antepassados”.
Com "o mesmo espírito" com que confiou a missão ao cardeal Filoni, o
Papa agora se dirige a Ban Ki-moon, para expor-lhe “as lágrimas, os
sofrimentos e os gritos de desespero dos cristãos e das outras minorias
religiosas na amada terra do Iraque”. E solicitar que prossigam “os
esforços da ONU pela segurança, a paz, o direito humanitário e a
assistência aos refugiados” no país.
Além disso, “os ataques violentos que têm se alastrado ao longo do
norte do Iraque não podem não despertar as consciências de todos os
homens e mulheres de boa-vontade a acções concretas de solidariedade”,
que podem “proteger quantos são atingidos ou ameaçados pela violência e
para assegurar assistência necessária e urgente a tantas pessoas
deslocadas, bem como o seu retorno seguro às suas cidades e às suas
casas”.
A história é mestra de vida, assim, o Papa Francisco recorda “as
trágicas experiências do século XX” que “obrigam a comunidade
internacional, em particular através de normas e mecanismos de direito
internacional, a fazer tudo o que lhe for possível para deter e prevenir
novas violências sistemáticas contra as minorias étnicas e religiosas”.
(Trad.:MEM)
(13 de Agosto de 2014) © Innovative Media Inc.
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