Teresa Tavares de Almeida condena populismo que se alimenta do «medo»

Beja, 12 jul 2026 (Ecclesia) – A presidente da Cáritas Diocesana de Beja alertou para o “medo” provocado pelos discursos populistas nas comunidades imigrantes, defendendo uma integração digna dos estrangeiros na região.
“A mão de obra faz falta. Agora, atrás da mão está a pessoa inteira. Para além de efetivos, cada um com duas mãos para trabalhar, nós temos de ver a pessoa no seu todo e trabalhar pela sua dignidade, quando a atendemos”, sustentou Teresa Tavares de Almeida, em entrevista conjunta à Agência ECCLESIA e Renascença, emitida e publicada este domingo.
A responsável explicou que os cidadãos recém-chegados travam a desertificação do território alentejano, assumindo que as novas vagas “vão equilibrando a demografia local” face à contínua emigração da juventude portuguesa.
O centro de apoio mantido pela instituição católica acolheu 786 pessoas desde janeiro, com a dirigente a destacar que “o grande grosso são pessoas brasileiras e senegalesas”.
A responsável recordou o enorme peso emocional suportado por quem abandona a sua terra natal, alertando que estas vítimas “chegam muito fragilizadas” e lidam com carências económicas extremas.
A necessidade imperiosa de garantir transparência na contratação levou a estrutura eclesial a integrar um laboratório de investigação desenhado para certificar que “quanto mais dignidade derem ao outro, também mais dignas elas próprias são”.
A rede interinstitucional pretende proteger as vítimas e responsabilizar os empregadores através de plataformas digitais, porque atualmente “são grupos que chegam durante um período de trabalho sazonal e depois são abandonados”.
Teresa Tavares de Almeida reconheceu uma maior consciencialização das autoridades de segurança e das empresas agrícolas após os escândalos mediáticos, considerando que “as pessoas acordaram para uma realidade que estava a acontecer”.
A presidente da Cáritas de Beja lamentou os discursos de discriminação contra as populações estrangeiras que “vão incutindo medo nas pessoas sobre o que é diferente”.
“A verdade é que, quando se conhece, tudo é diferente”, acrescentou.
A responsável relatou o colapso estrutural de uma casa sobrelotada devido às chuvadas, assumindo com profunda preocupação que “a questão da habitação é mesmo uma questão muito grave” no sul do país.
A convidada assumiu que o trabalho pastoral retira “muita força” das posições assumidas por Leão XIV em Tenerife e Lampedusa, enaltecendo a postura de uma Igreja atenta “e com um termómetro muito preciso sobre o que é que há a fazer”.
A entrevista enquadra-se na atualização demográfica do Instituto Nacional de Estatística, que fixou a população residente em mais de 11 milhões de habitantes, impulsionada por 1,6 milhões de imigrantes.
Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)
