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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

A França laica não esperava por isso: um país dividido questiona o que está acontecendo com a fé.

A visita de Leão XIV supera as expectativas e abre um intenso debate na França: crentes, ateus e intelectuais discutem o que está acontecendo.

Uma das imagens que esta viagem deixou para trás é a do Papamóvel percorrendo a Champs-Élysées.

Uma das imagens desta viagem é a do Papamóvel percorrendo a Champs-Élysées. Reuters

Diego Peralta
Diego Peralta

  

Atualizado:


    Andrianarison Matriniaha toca gaita, mora na região de Paris e é protestante. No sábado, ela estava na Champs-Élysées para ver Leão XIV passar e confessou ao Le Monde sua surpresa: ela não sabia que havia tantos crentes em Paris.

    A sua tia tinha vindo de avião de Madagascar só para assistir à grande missa celebrada pelo Papa na Praça da Concórdia. Ela estava filmando com o telemóvel uma multidão acenando com bandeiras brancas e amarelas, maravilhada por ver pessoas de todas as origens juntas, algo muito incomum na sua ilha.

    Essa anedota resume o que aconteceu na França nos últimos quatro dias melhor do que qualquer pesquisa. Um país conhecido pelo seu laicismo, onde qualquer símbolo religioso é estritamente proibido em tudo o que se relaciona à vida pública ou ao Estado, descobriu repentinamente que Deus tinha, de fato, algo a dizer sobre isso. Essa descoberta não foi recebida com silêncio; pelo contrário, provocou um debate, principalmente na esfera pública.

    Números espetaculares

    Segundo o Vaticano, 800 mil pessoas assistiram à Missa da Concórdia. O Le Monde, conhecido por sua inclinação liberal à esquerda, estampou na sua reportagem dois adjetivos que têm peso ainda maior na França: um Papa calmo e unificador. Havia 17 mil voluntários, 15 mil policias e gendarmes, e um orçamento de 27 milhões de euros.

    Nem um único euro desse dinheiro veio de fundos públicos; tudo foi contribuído pelos fiéis e, em última instância, pela Conferência Episcopal. Na sua homilia, diante de católicos devotos, espectadores e vários candidatos à presidência, o Papa falou da sede de transcendência, mas também da defesa da vida.

    A presença desses candidatos não é um detalhe menor. Faltam sete meses para as eleições presidenciais e, na política francesa, ninguém participa de uma missa por acaso, especialmente num país onde o próprio Macron só participa quando estritamente necessário, como ditam as regras de uma nação que evita a todo custo o termo "confessional".

    "Justo", não "verdadeiro"

    Na sexta-feira, no Palácio do Eliseu, após ouvir Emmanuel Macron, Leão XIV subiu ao mesmo púlpito e lançou as bases para o que repetiria ativa e passivamente nos dias seguintes: o verdadeiro laicismo não consiste em excluir a religião da esfera pública ou da educação, mas sim no diálogo entre o Estado e as instituições religiosas e na união de esforços a serviço do bem comum.

    Na Espanha, foi traduzido como "verdadeiro laicismo", mas o Papa disse "juste", "apenas". Ele não estava reformulando completamente a República; estava propondo um ponto de equilíbrio. Essa é a diferença entre corrigir alguém e oferecer-lhe uma alternativa.

    Macron ouviu atentamente, recebeu o Papa com todas as honras e, em seguida, não compareceu à Missa da Concórdia nem a qualquer outra celebração religiosa durante a viagem, exceto em Metz, onde cumprimentou alguns dos fiéis presentes na catedral. O laicismo também tem suas próprias liturgias e normas.

    Lourdes: os aplausos mais constrangedores

    Em Lourdes, o tom se intensificou. Pela manhã, diante dos bispos, o Papa afirmou que a voz da Igreja tem todo o direito de participar do debate público francês. À tarde, dirigindo-se aos doentes e deficientes, declarou ser impossível considerar a eutanásia normal e que o que é legal não é necessariamente moral. Os aplausos foram prolongados.

    O alvo tinha nome e data: a lei que reconhece o direito à morte assistida, aprovada pelo Parlamento francês em 15 de julho. Foi a segunda vez em três dias que o Papa a criticou, após o seu encontro com Macron. Olivier Falorni, ex-parlamentar que defendeu a legislação, disse não estar surpreso.

    A guerra dos estúdios

    É aqui que as coisas ficam interessantes. Porque, se a visita deixou algum legado, além de fotos, foi uma opinião pública bastante dividida.

    De um lado estão os convertidos do momento, não à fé, mas às evidências. Estelle Denis, apresentadora do programa Estelle Midi, da RMC Story, havia debatido no ar se as ações do Papa estavam sendo exageradas. Ela achava que sim. Após a vigília, escreveu nas redes sociais que estava completamente enganada.

    Ele explicou que não era crente, mas foi arrebatado por aquela alegria contagiante. O JDD recolheu reações semelhantes de não crentes, agnósticos, ateus e seguidores de outras religiões: para eles, tinha sido maravilhoso, sentiram algo universal, uma lufada de paz, disseram. Outro apresentador, Mohamed Bouhafsi, também enfatizou uma emoção que dominou os católicos e se espalhou pelas ruas da capital.

    Do outro lado estão aqueles que se recusam a ser influenciados. Patrick Cohen, colunista político da France Inter, a emissora pública de rádio, reduziu os presentes a uma minoria praticante. A resposta veio do programa de Pascal Praud na Europe 1, onde o ex-deputado Georges Fenech perguntou que prazer Cohen tirava de ofender os católicos.

    O próprio Praud havia escrito no dia anterior que os católicos estavam presentes e, com eles, uma certa visão da França. Ele foi além: a mídia, disse ele, não reflete a realidade em muitas áreas. Mesmo assim, mais de um milhão de pessoas não quiseram perder este evento, em nenhum dos seus vários comícios.

    E também não faltaram céticos profissionais. Jean-Loup Adenor, editor-chefe adjunto do Charlie Hebdo e notório crítico da Igreja, admitiu que ver pessoas se confessando nos Champs-Élysées o incomodou. Enquanto isso, Bernadette Sauvaget, especialista em religião do Libération, descreveu a decoração do Stade de France para a vigília como "de mau gosto".

    Vale a pena prestar atenção aos argumentos de cada lado. Os críticos questionam a organização, os custos e a estreita relação entre Igreja e Estado. No entanto, quase ninguém questiona a participação e o impacto , pelo menos em termos de cobertura da mídia, no país.

    Aqueles que tentam compreendê-lo

    E o que pensam os intelectuais? O cientista político Olivier Roy explicou no Mediapart que os jovens entre os 16 e os 25 anos não vivenciam a religião como uma identidade a ser defendida, mas sim como uma busca por significado e espiritualidade.

    O historiador Jean-François Colosimo, no programa C Ce Soir da France 5, descreveu a visita como um interlúdio encantador numa França marcada por divisões, hostilidade e instabilidade. Na sua visão, Leão XIV defendeu o Estado de Direito e um mundo onde ainda podemos dialogar.

    No entanto, os encontros não foram isentos de controvérsias. O encontro do Papa com sete vítimas de abuso sexual gerou tensão, assim como as suas declarações subsequentes sobre a natureza sistémica de tais abusos e as feridas que eles infligem. Este também foi um tema recorrente na mídia e nas discussões que cercaram a visita do pontífice nos dias que a antecederam.

    "Eles estão procurando por alguma coisa"

    O próprio Leão XIV pareceu tão surpreso quanto os seus anfitriões com os resultados da visita. No Instituto Católico de Paris, declarou-se admirado com o número de pessoas que agora batem à porta da fé, como demonstra a explosão de novos catecúmenos que ocorre atualmente na França. No voo de volta, falando com jornalistas e lembrando dos 80 mil jovens no Stade de France, resumiu a situação de forma simples: eles estão em busca de algo.

    Talvez essa seja a expressão que melhor explique a guerra na televisão. Alguns viram uma minoria barulhenta nas ruas; outros, uma maioria silenciosa finalmente se manifestando. Mas todos testemunharam o ocorrido. Na França laica, o fato de Deus ser mais uma vez motivo de conflito no horário nobre já é, por si só, notícia.



    Leão XIV pede mais atenção aos caçadores…

    Olá Bom Dia

    A época venatória atual (2026-2027) teve início a 16 de agosto de 2026, de acordo com o calendário regulado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Todavia, este texto não tem como centro as presas dos caçadores nem os tiros que estes enviam para capturar os animais.

    Já ouviu falar em “clickbait”? O Papa Leão XIV vai dedicar a sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2027 à questão do “clickbait”, apelando a uma “higiene da atenção”.

    O termo anglo-saxónico ‘clickbait’ (caça-cliques) define a prática digital de utilizar títulos ou imagens propositadamente sensacionalistas, concebidos com o objetivo de manipular a curiosidade do utilizador e gerar tráfego para as páginas da internet.

    “A falta de uma verdadeira atenção, alimentada pela cultura digital, habituou-nos a uma rotina de reações imediatas a uma superficialidade nas relações, a uma facilidade em rotular e rejeitar os outros”, refere um comunicado do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, enviado aos jornalistas.

    “A economia da atenção, com a sua luta por alguns instantes de interesse no fluxo rápido e interminável de conteúdos, está a transformar não só as nossas capacidades cognitivas, mas também a profundidade da nossa comunicação interpessoal”, acrescenta o organismo do Vaticano.

    “Um novo olhar: ‘prestar atenção’ na era do clickbait” é o tema escolhido por Leão XIV, retomando uma preocupação manifestada na sua primeira encíclica, ‘Magnifica humanitas’.

    A mensagem para a celebração do Dia Mundial das Comunicações Sociais é, tradicionalmente, publicada a 24 de janeiro, dia da memória litúrgica de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas.

    A próxima sessão do ciclo «Conversas no 100 – Habitar o Mundo» realiza-se hoje, pelas 19h00, na rua da Escola Politécnica nº 100, em Lisboa, e será centrada no verbo cuidar.

    A conversa que tem como oradoras Maria Isabel Varanda (docente da UCP) e Lígia Sousa (Hospitaleira do Sagrado Coração de Jesus) convida os participantes a pensar o “cuidar como uma responsabilidade que atravessa a relação com o mundo, com os outros e connosco”, refere uma nota enviada à Agência ECCLESIA.

    Num tempo marcado por “conflitos, alterações climáticas e múltiplas formas de fragilidade, cuidar torna-se uma questão transversal a todas as áreas”.

    Num primeiro momento, o cuidar será pensado “a partir de uma perspetiva de ecologia integral, onde a defesa da vida, a relação com a criação e a responsabilidade pelo futuro comum se entrelaçam.

    Uma reflexão que articula “dimensões ecológicas, éticas e espirituais”, interrogando o lugar do ser humano “no cuidado do mundo que habita”.

    Num segundo momento, o foco continua no “cuidado da vida interior e relacional, dando atenção às experiências de solidão, depressão e burnout, cada vez mais presentes no nosso tempo”.

    O cuidar surge aqui como “atenção à vulnerabilidade, ao ritmo humano e à saúde mental, questionando os modelos de produtividade e exigência que moldam o quotidiano”.

    Propostas para hoje… No entanto não esqueça de ver o programa ECCLESIA na RTP2, pelas 13h00. Depois fica disponível no site desta agência da Igreja Católica.

    Já sabe que pode acompanhar toda a atualidade religiosa, em Portugal e no mundo, no site www.agencia.ecclesia.pt/portal/

    Cumprimentos

    Luis Filipe Santos

     

     


    agencia.ecclesia.pt

          



    terça-feira, 29 de setembro de 2026

    Beja: Bispo lamenta acidente com operários soterrados em Porto Covo

    D. Fernando Paiva deixa mensagem de condolências

    Beja, 28 set 2026 (Ecclesia) – O bispo de Beja expressou hoje “profunda tristeza” pelo acidente de trabalho que vitimou mortalmente um operário e deixou outro soterrado numa obra em Porto Covo.

    “Ao trabalhador já encontrado sem vida, e à sua família, deixo a minha proximidade e apresento as minhas sentidas condolências”, declarou D. Fernando Paiva, numa mensagem divulgada online pela diocese alentejana.

    O responsável católico disse permanecer “unido em oração” ao segundo homem e aos seus familiares, que enfrentam “horas de grande angústia à espera de notícias”.

    O prelado agradeceu ainda a dedicação dos bombeiros, da proteção civil e das equipas médicas que “continuam empenhados no socorro” no litoral alentejano.

    Dois trabalhadores de nacionalidade estrangeira, de 26 e 28 anos, ficaram esta tarde soterrados numa vala com cerca de cinco metros de profundidade, na sequência de um aluimento de terras nas obras de construção de um empreendimento turístico.

    O corpo do operário mais novo foi resgatado sem vida pelas equipas de emergência, prosseguindo as operações de busca para localizar a segunda vítima no concelho de Sines.

    OC