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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Quatro perguntas no Dia do Trabalhador

«Onde está a agenda do trabalho digno? Porque continuamos a trabalhar ao domingo em serviços que não são necessários à comunidade? Porque querem aumentar os tempos de trabalho e reduzir as horas extraordinárias a ‘bancos de horas’? Porquê os atentados permanentes às famílias, à perseguição das jovens mães, atentando contra a natalidade assumida e responsável?»

A Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) da Arquidiocese de Braga faz várias perguntas “aos governantes”, e alerta para as “injustiças que ferem a dignidade humana”, numa mensagem divulgada a propósito deste 1 de maio, Dia do Trabalhador.

“Ainda hoje, no mundo do trabalho, proliferam injustiças que ferem a dignidade humana: horários desumanos, precariedade, medo, exploração silenciosa, desrespeito pelas famílias e desprezo pelos mais frágeis. Há rostos concretos por detrás destas realidades – migrantes, trabalhadores precários, vítimas de acidentes, mulheres pressionadas e jovens sem horizonte”, alerta a LOC/MTC de Braga.

Sobre a negociação ao ‘Anteprojeto Trabalho XXI’, a proposta de reforma da legislação laboral do executivo português, a editora de política da Rádio Renascença antecipa “um verão que pode ser quente”, dependendo do aumento do “custo de vida”, numa análise às negociações da legislação laboral, quando as “questões mais sensíveis dificilmente terão uma evolução”.

“Já houve várias cedências de parte a parte, mas o que está mais em causa trata-se de uma flexibilização dos contratos, uma facilidade maior para os despedimentos, e também o famoso banco de horas, que também é um dos fatores de maior discórdia, e maior desentendimento entre os três eixos: sindicatos, o chamado patronato e o governo”, indica Susana Madureira Martins.

A reportagem da Ecclesia esteve no Dia Nacional da Faculdade de Teologia, conversou com o diretor e estudantes que descobrem a importância do estudos teológico. O padre Luís Rodrigues indica que a ciência teológica “não faz manchetes nem sai na primeira página” mas que a sua influência se percebe na investigação e no diálogo com outros saberes. O responsável acredita que a Teologia está a “gerar cultura”: “Gera cultura, a cultura gera conhecimento, o conhecimento dá soluções e a Teologia está aí no papel que lhe é próprio, que é ser serva da humanidade, a partir desta grande certeza que nos habita e que é aquela que vem da fé em Jesus Cristo”.

Fique neste 1 de maio a conhecer o projeto ‘Évora-Sacra’27’, da Arquidiocese de Évora para a Capital Europeia da Cultura, que lança a sua página oficial na internet, esta sexta-feira, e inicia uma fase de partilha “progressiva de conteúdos e funcionalidades”.

“Esta plataforma digital afirmará, de forma gradual, a identidade do projeto, oferecendo instrumentos de apoio ao turista, recursos de divulgação do extraordinário património religioso da Arquidiocese de Évora e informação dedicada a iniciativas culturais associadas ao programa”, explica o director da Departamento da Pastoral da Cultura e Bens Patrimoniais da Arquidicoese de Évora.

O Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja e a Pastoral do Turismo lançaram o filme promocional ‘Lugares que ficam’, uma iniciativa que procura contrariar as visitas superficiais aos espaços sagrados nacionais.

No Vaticano, o Papa alertou para o drama da fome, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, denunciando o desperdício alimentar e apelando a uma nova cultura de consumo.

“Hoje reconhecemos com dor que milhões de irmãos e irmãs continuam a passar fome, enquanto tanto alimento é desperdiçado nas nossas mesas”, lê-se na oração escrita por Leão XIV, no vídeo que divulga a sua intenção para o mês de maio.

A iniciativa, promovida pela Rede Mundial de Oração do Papa, apresenta como tema ‘Por uma alimentação para todos’.

No portal de informação agencia.ecclesia.pt encontra mais informação para ler, ver e ouvir!

Tenha um excelente dia!

Lígia Silveira

 

 


agencia.ecclesia.pt

      



quinta-feira, 30 de abril de 2026

Prisioneiro em um forno: a fuga que transformou um jovem cristão em símbolo de resistência.

"Eu perdoo aqueles que me magoaram", diz Adil Masih, um jovem do Paquistão. 

O jovem Adil (ao centro, de amarelo) com membros de sua família.

O jovem Adil (ao centro, de amarelo) com membros de sua família. (Foto de arquivo )

Equipe Editorial da REL

Atualizado: 


    Durante oito meses, a família Masih viveu uma angústia insuportável. Eles não sabiam se Adil, um jovem cristão de 22 anos, ainda estava vivo , se havia conseguido escapar ou se estava sendo mantido em cativeiro em algum lugar sem ninguém para ajudá-lo. A AsiaNews compartilha a história deles.

    Seu desaparecimento coincidiu com o emprego que ele havia aceitado em uma fábrica de tijolos em Raiwind, na região de Lahore, no Paquistão, onde buscava um salário para sustentar sua esposa e dois filhos — o mais novo nascido enquanto ele ainda estava em cativeiro. O que ele encontrou lá foi um sistema de exploração que organizações locais descrevem como uma forma de escravidão moderna .

    Sem luz ou ventilação

    Adil passou seis meses carregando tijolos para o dono da olaria, Khalid Gujjar. Ele nunca recebeu o salário prometido. Quando exigiu o dinheiro para alimentar sua família, o dono o convocou sob o pretexto de acertar o pagamento. Em vez disso, ele foi preso. "Me levaram para um quarto sem luz, sem ventilação, sem nada", relatou ele após ser libertado. "Fiquei lá por quatro meses."

    O jovem conta que mal recebia uma refeição por dia: um pedaço de pão, pimenta malagueta esmagada e água. Às vezes, nem isso. Quando pedia água para beber, jogavam-na no chão . À noite, ele e outros trabalhadores detidos eram acorrentados pelos pés e mãos. As marcas ainda são visíveis em seu corpo. Durante o dia, eram obrigados a trabalhar sob vigilância constante para evitar qualquer tentativa de fuga. Ninguém podia falar com ninguém. Ninguém podia pedir ajuda.

    Sua situação era ainda mais precária devido à sua saúde: Adil tinha apenas um rim funcionando. Sem assistência médica, sem repouso e com alimentação mínima , cada dia representava um risco real para sua vida. A isso se somava a humilhação constante. Segundo seu testemunho, quando tentava rezar ou fazer o sinal da cruz, era espancado. Sua fé cristã tornou-se motivo de zombaria e agressão.

    Enquanto isso, sua família, de origem humilde e sem recursos, tentava desesperadamente encontrá-lo. Eles moram em uma casa alugada e dependem de trabalhos precários. O dono da olaria chegou a exigir 350.000 rúpias — cerca de 1.070 euros — para libertá-lo , uma quantia impossível para eles. O desespero aumentou quando o segundo filho de Adil nasceu, sem que ele jamais o tivesse conhecido.

    A situação mudou quando a família contatou a Fundação Edge, que acionou uma equipe jurídica para localizar o jovem. Após várias tentativas e intervenção policial, Adil foi encontrado e levado a um tribunal , que ordenou sua libertação imediata e o entregou ao pai. A cena, segundo os presentes, foi um momento de alívio e choque.

    Longe de demonstrar ressentimento, Adil expressou uma mensagem surpreendente: "Perdoo aqueles que me magoaram. Rezo para que ninguém jamais tenha que passar por algo assim novamente ." Ele também afirmou que nunca mais trabalhará em uma olaria: "É escravidão disfarçada."

    Agora, seu objetivo é reconstruir sua vida. Ele possui conhecimentos básicos de mecânica de motocicletas e espera trabalhar nessa área para sustentar sua família com dignidade .

    Malik Azhar Saeed, copresidente da Fundação Edge, alerta que o caso de Adil não é isolado. "Por trás de muitas olarias, existem histórias de fome, correntes e medo", denuncia. Ele observa que a maioria das vítimas pertence a comunidades cristãs pobres , que são especialmente vulneráveis ​​a esse sistema de exploração.

    A libertação de Adil é uma boa notícia, mas também um alerta: no Paquistão, milhares de trabalhadores permanecem presos em um modelo de trabalho que transforma a pobreza em cativeiro.


    Papa regressa a África

    Bom dia, paz e bem!!


    Foto: LUSA

    “A visita do Papa é uma oportunidade para os povos africanos fazerem ouvir as suas vozes, expressarem a alegria de serem povo de Deus e a sua esperança num futuro melhor, um futuro digno para cada um de nós e para todos. Estou feliz por lhes ter dado esta oportunidade e, ao mesmo tempo, agradeço ao Senhor o que deram a mim, uma riqueza inestimável para o meu coração e para o meu ministério.” - Leão XIV (@Pontifex_pt/29 abril)

    O Papa regressou a África, no balanço que fez dessa visita com os peregrinos na Praça de São Pedro, na audiência geral desta quarta-feira.

    “Angola atravessou um período convulso, que no seu caso foi ensanguentado por uma longa guerra interna. No cadinho desta história, Deus guiou e purificou a Igreja, convertendo-a cada vez mais ao serviço do Evangelho, da promoção humana, da reconciliação e da paz. Igreja livre para um povo livre”, destacou do país lusófono.

    Leão XIV visitou quatro países do continente africano - Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial -, entre 13 e 23 de abril.

    “Com as autoridades civis angolanas, mas também com aquelas dos outros países, pude assegurar a vontade da Igreja Católica de continuar a dar esta contribuição, em particular nos campos da saúde e da educação”, recordou.

    Mais tarde, o Papa partilhou “algumas reflexões sobre a recente viagem apostólica à África” - a importância do diálogo inter-religioso, da promoção da paz e do apoio às comunidades mais vulneráveis do continente – com o presidente do Conselho Europeu.

    Leão XIV e o português António Costa tiveram uma “cordial conversa” telefónica, onde abordaram situação no Médio Oriente.

    “Discutiram a situação no Médio Oriente, com particular atenção à Cisjordânia, ao Estado da Palestina e à condição dos cristãos no sul do Líbano”, informa um comunicado da sala de imprensa da Santa Sé aos jornalistas.

    Pouco depois da meia-noite, a conversa foi com Clara Keel Pereira, no programa ECCLESIA, na rádio Antena 1. Estreou-se na maternidade com 24 anos e é mãe de seis filhos. Faz parte do podcast «Alarga a tua tenda».

    “A minha primeira experiência de maternidade foi de um bebé que eu nunca pude trazer para casa, a quem nunca mudei uma vez uma fralda e só dei de mamar uma vez.”

    No Programa ECCLESIA, desta tarde, na RTP2, temos a jornalista Susana Madureira Martins, editora de política da Renascença, a comentar o pacto laboral, a reportagem sobre os ‘Dias Monásticos’ do Mosteiro de Nossa Senhora do Rosário, a Semana do Papa, e o lançamento do próximo ‘70x7’ (domingo), que vai ser dedicado ao Dia da Mãe.

    Amanhã é o 1.º de Maio, Dia do Trabalhador, e já entrevistámos o presidente da Juventude Operária Católica (JOC Portugal). O movimento operário está preocupado com a “precariedade laboral”, que “marca a vida de muitos jovens”, vai estar reunido em reflexão/formação e participa na marcha pública, em Coimbra.

    Votos de uma boa quinta-feira, “o fim do mês já cá está outra vez.”. Venho connosco para maio, em www.agencia.ecclesia.pt.

    Cumprimentos, Carlos Borges

     

     


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