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terça-feira, 3 de novembro de 2026

Beja: Cáritas diocesana realiza conferência sobre a imigração no Baixo Alentejo

Beja, 03 nov 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Diocesana de Beja (CDB), através do seu CLAIM (Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes), vai realizar, dia 19 deste mês, a II Conferência «Imigração no Baixo Alentejo: Um território que se constrói em REDE».

A conferência decorre no Auditório NERBE, em Beja e será “um espaço de reflexão e partilha entre instituições, profissionais, entidades públicas e comunidade sobre os desafios e as oportunidades da imigração no território”, lê-se numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

Num território cada vez “mais diverso”, acolher e integrar “é uma responsabilidade partilhada”.

Por isso, a CDB convida técnicos, instituições, parceiros e toda a comunidade a participar nesta conferência e a partilhar a iniciativa, para que chegue a cada vez mais pessoas.

LFS



Flores para lembrar quem partiu e pedir o silêncio das armas

Num dia que ficou marcado por celebrações que fazem memória dos Fiéis defuntos, o Papa Leão XIV evocou o luto das famílias das vítimas da guerra e pediu o fim dos conflitos armados.

“Neste momento, queremos rezar por quantos perderam recentemente uma pessoa querida, em particular por aqueles a quem a violência absurda da guerra a arrebatou: que as lágrimas de tantas mães, de tantas crianças e de tantos idosos toquem a consciência daqueles que têm o poder de fazer calar as armas”, exclamou Leão XIV, na homilia da celebração eucarística junto à entrada monumental do cemitério romano.

Leão XIV depositou um ramo de flores brancas e amarelas, as cores do Vaticano, sobre um túmulo, num gesto simbólico de homenagem a todos os que ali estão sepultados.

Também por cá a memória dos fiéis defuntos se assinalou em Lisboa, junto dos anteriores patriarcas; também em Beja, onde D. António Vitalino foi lembrado, e no Funchal.

Eugénia Abrantes, diretora do Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização, defendeu que a morte deve ser um termo presente no quotidiano, assinalando que este ainda hoje é um tema “tabu”.

“Falar de morte é falar de vida, curiosamente. E, portanto, o que faz sentido é que, quer a morte, quer o luto devem estar no nosso diálogo, na nossa vida, na nossa comunicação, nas diferentes expressões, porque é a certeza maior que nós temos. E é também, digamos, um processo universal”.

O jornalista Luís Filipe Santos conversou com o físico Carlos Fiolhais, que considera que a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) “indispensável” no contexto escolar porque a escola não deve apenas “ministrar matérias de física e de química”, mas ensinar também valores.

Numa altura em que o mundo “está tão confuso” e com “divisões de todo o tipo – políticas, ideológicas, também religiosas –, haver uma entidade como a Igreja Católica, com líderes clarividentes, acho que nos ensina a pensar e ajuda-nos a decidir”, afirmou. Sendo crentes ou não crentes, “acho que são vozes que merecem ser ouvidas”.

O entrevistado participou no encontro de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), que decorreu em Fátima. Os responsáveis diocesanos da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) alertaram para a necessidade de renovação do quadro de docentes, defendendo ainda a pedagogia relacional como uma dimensão fundamental, perante o avanço da inteligência artificial.

Nesta terça-feira em que eleitores norte-americanos vão às urnas esta terça-feira, num escrutínio intercalar que decide o controlo do Congresso durante o mandato do presidente Donald Trump, a Conferência Episcopal dos Estados Unidos recorreu ao exemplo do Papa, que votou por correspondência, para incentivar à participação democrática dos católicos.

Em agencia.ecclesia.pt encontra mais noticias para ler, ver e ouvir.

Tenha um excelente dia!

Lígia Silveira

 


agencia.ecclesia.pt

      


segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Beja: Diocese celebra Missa de sufrágio por D. António Vitalino Dantas

Foto: Diocese de Beja; Funeral de D. António Vitalino

Beja, 02 nov 2026 (Ecclesia) – A Diocese de Beja vai celebrar uma Missa de sufrágio pelo seu bispo emérito D. António Vitalino Dantas, este domingo, dia 8 de novembro, pelas 16h00, na Sé.

“Convidam-se os sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, os leigos, os movimentos e grupos paroquiais, e todas as pessoas que de algum modo cruzaram o seu caminho com o de D. Vitalino. Serão também bem-vindos todos os que, mesmo sem o terem conhecido de perto, queiram unir-se a esta oração”, divulga a Diocese de Beja, na sua página na internet.

D. António Vitalino, bispo emérito de Beja, faleceu 84 anos de idade, a 9 de outubro, no Hospital de Braga, a Missa das exéquias e o funeral decorreram na Paróquia de Parada de Gatim, na Arquidiocese de Braga, região de onde é natural, no dia seguinte, 10 de outubro.

A Diocese de Beja explica que “muitos dos que o conheceram e com ele caminharam ao longo de 17 anos não puderam estar presentes” nas exéquias de D. António Vitalino Dantas, que se realizaram na terra natal, por isso, esta celebração “é uma oportunidade para a Igreja de Beja se reunir e rezar por quem foi seu Pastor”, dia 8 de novembro, pelas 16h00, na Sé.

A Eucaristia em sufrágio de D. António Vitalino Dantas vai ser presidida pelo bispo de Beja, D. Fernando Paiva, e sublinham o convite à participação de “todos, para agradecer a vida e o ministério” do bispo emérito, “e rezar pelo seu eterno descanso”.

D. António Vitalino Dantas, religioso carmelita, foi bispo de Beja entre 1999 e 2016, depois de ter sido nomeado bispo auxiliar de Lisboa, em 1996.

CB




Beja: Bispo incentivou a olharem para os santos como membros da família

D. Fernando Paiva lembrou que as Bem-aventuranças são «o bilhete de identidade do cristão»

Foto: Diocese de Beja

Beja, 02 nov 2026 (Ecclesia) – O bispo de Beja afirmou que “não há santidade sem renúncia e sem combate espiritual”, na Missa da Solenidade de Todos os Santos, este domingo, na Sé, onde explicou que nos santos contemplam “Deus que atua, pela Sua graça”.

D. Fernando Paiva, na homilia, pediu para não olharem para os santos “de fora”, mas como membros da família, na Igreja, onde entram pelo Batismo, e explicou que a Comunhão dos Santos abrange os fiéis que peregrinam na terra.

Os que já contemplam Deus na glória do Céu e os que passam pela purificação, três dimensões que mantêm “uma comunhão de amor e de auxílio mútuo”, expressa na oração pelos falecidos e na intercessão dos santos, acrescentou, divulga a Diocese de Beja.

Segundo o bispo de Beja, nos santos contemplam “Deus que atua, pela Sua graça” na vida de homens e mulheres que o seguiram de forma exemplar, e realçou que “a história do mundo sem os santos e as santas seria imensamente mais pobre, ou seja, menos humana”, citando o Papa Leão XIV.

A partir do Evangelho proclamado nas Eucaristias deste domingo, das Bem-aventuranças, D. Fernando Paiva apresentou a santidade como vocação e caminho de verdadeira felicidade, dirigido a todos, e salientou que as Bem-aventuranças são “o bilhete de identidade do cristão”, lembrando o Papa Francisco.

“Não há santidade sem renúncia e sem combate espiritual”, indicou o responsável diocesano, destacando a graça e os sacramentos, em especial a Eucaristia e a Reconciliação, a oração, a prática das virtudes e a cruz, entre os meios de santificação.

No final da homilia, o bispo de Beja deu graças a Deus por todos os santos, incluindo “os santos da porta do lado”, expressão do Papa Francisco, e pediu que a intercessão de todos os Santos nos ajude a responder “com generosidade, alegria e confiança” a esse convite.

A Igreja Católica celebrou a 1 de novembro a solenidade litúrgica de Todos os Santos, feriado nacional em Portugal, na qual lembra conjuntamente “os eleitos que se encontram na glória de Deus”, tenham ou não sido canonizados oficialmente.

As Igrejas do Oriente foram as primeiras (século IV) a promover uma celebração conjunta de todos os santos quer no contexto feliz do tempo pascal, quer na semana a seguir.

No Ocidente, foi o Papa Bonifácio IV a introduzir uma celebração semelhante em 13 de maio de 610, quando dedicou à Santíssima Virgem e a todos os mártires o Panteão de Roma, dedicação que passou a ser comemorada todos os anos.

A partir destes antecedentes, as diversas Igrejas começaram a solenizar em datas diferentes celebrações com conteúdo idêntico.

A data de 1 de novembro foi adotada em primeiro lugar na Inglaterra do século VIII acabando por se generalizar progressivamente no império de Carlos Magno, tornando-se obrigatória no reino dos Francos no tempo de Luís, o Pio (835), provavelmente a pedido do Papa Gregório IV (790-844).

Segundo a tradição, em Portugal, no dia de Todos os Santos, as crianças saíam à rua e juntavam-se em pequenos grupos para pedir o ‘Pão por Deus’ de porta em porta: recitavam versos e recebiam como oferenda pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, amêndoas ou castanhas, que colocavam dentro dos seus sacos de pano; nalgumas aldeias chama-se a este dia o ‘Dia dos Bolinhos’.

CB/OC







Loucura por Leão XIV no Uruguai laico: ingressos esgotados e até um pão em sua homenagem

A expectativa em torno da visita do Papa também se reflete em gestos que transcendem uma das sociedades mais secularizadas da América Latina.

Imagem que acompanha a chegada do Papa Leão XIV ao Uruguai em 6 de novembro.

Imagem que acompanha a chegada do Papa Leão XIV ao Uruguai em 6 de novembro. Site oficial da visita do Papa ao Uruguai.

Pablo Cesio

  

Atualizado:


    O Uruguai se prepara para receber o Papa Leão XIV no dia 6 de novembro, com uma expectativa já evidente nas celebrações planejadas e até mesmo nas padarias. Essa expectativa não precisou esperar pela confirmação oficial , que foi anunciada nesta segunda-feira, 26 de outubro, pelo Vaticano, com uma mensagem muito forte do próprio Papa:

    "Enche-me de alegria voltar ao continente onde vivi tantos momentos da minha vida."

    Nos últimos dias, após a notícia da recuperação do Papa após a cirurgia de câncer de pulmão, um clima particularmente especial e encorajador começou a se instalar. A tão esperada visita a um dos países mais laicos da América Latina finalmente se tornava realidade.

    O exemplo mais flagrante é o que aconteceu com os ingressos de entrada geral (gratuitos) para a vigília de oração planejada para o Estádio Centenário (com capacidade para cerca de 60.000 pessoas) no sábado, 7 de novembro.

    Segundo informações divulgadas pelos responsáveis ​​pela organização da visita, os ingressos se esgotaram em aproximadamente três horas no mesmo dia em que foram disponibilizados (sexta-feira, 23 de outubro). 

    Entretanto, a missa programada na cidade de Florida (onde se encontra o santuário da Virgem das Trinta e Três, padroeira do Uruguai, e onde será celebrada a primeira missa do Papa Leão XIV na América Latina ) também atingiu rapidamente sua capacidade inicial.

    A resposta levou à expansão do espaço destinado ao público na Flórida e à preparação de um telão gigante do lado de fora do estádio de Montevidéu - um monumento ao futebol mundial e protagonista não só por ter sido palco da primeira final da Copa do Mundo em 1930, mas também por ser o local que inaugurará a Copa do Mundo de 2030 - para aqueles que não conseguirem entrar. 

    Como resultado, foi anunciado nas últimas horas que mais ingressos serão disponibilizados nesta terça-feira, 3 de novembro, tanto para o Estádio Centenário quanto para a Flórida. 

    Mas o entusiasmo não se limita a grandes encontros. A Associação Uruguaia de Padeiros criou o Pão de Leão XIV , uma receita comemorativa que reúne ingredientes ligados a Chicago, cidade natal do Papa; ao Peru, onde ele realizou parte de sua missão pastoral; e ao Uruguai, representado pela tradição local de panificação. Seu formato redondo evoca um abraço e busca transmitir uma mensagem de união.

    Uma visita à terra da secularização.

    As expressões de expectativa assumem uma dimensão particular no Uruguai, considerado um dos países mais secularizados da América Latina . Sua tradição de separação entre Igreja e Estado coexiste hoje com uma sociedade na qual a identificação católica diminuiu consideravelmente.

    Uma pesquisa da CIFRA de agosto de 2026 revelou que 33% dos adultos se identificam como católicos, enquanto 28% acreditam em Deus sem se sentirem próximos de uma religião e outros 28% se declaram agnósticos ou ateus.

    Nesse contexto, a reação à chegada do Papa levanta uma questão que vai além dos números: o que motiva milhares de pessoas a participar de um evento religioso em uma sociedade onde pertencer a uma igreja já não constitui um ponto de referência majoritário?

    O evento em si não nos permite concluir que há um ressurgimento da prática religiosa. No entanto, demonstra que a presença do Papa e sua visita estão gerando interesse que merece ser observado além dos limites da comunidade católica praticante.

    Mais do que um evento religioso

    O Papa Leão XIV permanecerá no Uruguai — antes de prosseguir sua viagem pela Argentina e Peru — até 8 de novembro. As atividades acontecerão nas cidades de Montevidéu, Paysandú e Florida. Sua visita representa uma oportunidade para as comunidades católicas, mas também um evento público significativo para a sociedade como um todo.

    Entre os ingressos esgotados e o pão feito em sua homenagem, o mesmo sinal aparece: a chegada do Papa começou a ocupar um lugar no cotidiano dos uruguaios.

    No país que fez do laicismo uma de suas características definidoras há mais de 100 anos (até o Natal é o Dia da Família no Uruguai e a Semana Santa foi transformada na Semana do Turismo), a recepção de Leão XIV deixa em aberto uma questão fundamental: até que ponto o distanciamento das instituições religiosas significa também o distanciamento da busca espiritual?

    A resposta não virá apenas de um Estádio Centenário lotado. Dependerá também do que acontecer depois da visita , quando a empolgação do evento der lugar à vida cotidiana.

    Por ora, mais um fato encorajador e simbólico para o Uruguai laico (e que bem poderá continuar a alimentar o fervor), já que se tornará o primeiro país hispano-americano a receber a visita de Leão XIV, e num contexto especial marcado pela sua recuperação após uma cirurgia de câncer de pulmão.