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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Beja: Escola de Cultura Teológica vai ser alargada a «outras geográficas» da diocese depois da resposta «muito positiva» no primeiro ano

«O interesse e a persistência dos alunos são um excelente sinal do desejo de aprofundar a fé que está presente no coração dos nossos cristãos» – D. Fernando Paiva


Beja, 11 set 2026 (Ecclesia) – O bispo de Beja afirmou que a resposta da diocese à Escola de Cultura Teológica (ECT)  foi “muito positiva” e quer que o projeto chegue “a outras áreas geográficas”.

“Precisamente por reconhecermos o valor e o impacto desta experiência é nossa firme intenção continuar a alargar esta proposta de formação. Queremos que a Escola de Cultura Teológica chegue mais longe”, disse D. Fernando Paiva, esta quinta-feira, numa mensagem em vídeo divulgada pela Diocese de Beja.

O bispo diocesano explica que quer que a ECT se estenda “a outras áreas geográficas da diocese”, para que “mais irmãos e irmãs possam beneficiar desta oportunidade de formação, encontro e crescimento”.

Destinada a leigos, religiosos e colaboradores pastorais, mais de 30 alunos concluíram o primeiro ano da Escola de Cultura Teológica da Diocese de Beja, entre janeiro e junho de 2026, a formação centrou-se sobretudo na Sagrada Escritura e no mundo em que nasceram os textos bíblicos.

D. Fernando Paiva considera que a resposta da diocese a este projeto da ECT “muito positiva”, destacando que foram “abençoados com uma boa adesão”, e, hoje, testemunham “um sentimento de grande satisfação por parte de todos”.

“O interesse e a persistência dos alunos são um excelente sinal do desejo de aprofundar a fé que está presente no coração dos nossos cristãos. Esta atitude dá-nos uma enorme esperança, pois abre caminho para um laicado mais bem formado e capacitado, pronto para assumir a missão da Igreja numa verdadeira lógica de corresponsabilidade”, desenvolveu.

O bispo de Beja termina a sua mensagem com uma palavra de “profunda e sincera gratidão aos professores, de uma forma especial ao padre Pedro Rodrigues, diretor da Escola de Cultura Teológica”, e agradece a generosidade,  o tempo e a “sabedoria partilhada com tanta dedicação”, enquanto aos alunos agradece o seu “sim, o esforço”.

“Deixo aos alunos e também aos futuros alunos uma palavra de incentivo: Continuai firmes no vosso propósito de aprofundar a fé. Cultivai o gosto pelo estudo, sede no vosso dia-a-dia, verdadeiramente discípulos de Jesus, animados pelo desejo de anunciar a boa nova”, acrescentou D. Fernando Paiva, no vídeo publicado online pela Diocese de Beja.

O primeiro ano da ECT foi dedicado à Teologia Bíblica, abordaram temas como ‘O Mundo da Bíblia’, ‘Lei e Profetas’, ‘Evangelhos Sinóticos’, ‘Escritos Joaninos’ e ‘Cartas Paulinas’, em aulas presenciais no Seminário Diocesano em Beja.

O bispo de Beja dirigiu-se a toda a comunidade diocesana com “o coração cheio de alegria e profunda esperança” explicando que a Escola de Cultura Teológica, que “iniciou os trabalhos no passado ano pastoral”, “não nasceu de um mero plano teórico, mas da escuta atenta do povo de Deus”.

O diretor da Escola de Cultura Teológica, o padre Pedro Rodrigues, realçou que no ano pastoral 2026/2027 que vai começar, este projeto da Diocese de Beja acolherá os atuais alunos como “todos aqueles que sintam o desejo de crescer na fé e de adquirir uma preparação mais sólida para a missão”, na mensagem final de primeiro ano.

A Diocese de Beja, quando anunciou a Escola de Cultura Teológica (12 de novembro de 2025), informou que cada ano letivo incluirá quatro cursos, com aulas semanais (às quartas-feiras, das 21h às 22h50), e três jornadas intensivas, das 9h30 às 17h30, em sábados específicos, e para mais informações pode ser usado o endereço eletrónico ec.teologica@diocesedebeja.pt.

CB/PR




terça-feira, 11 de agosto de 2026

Beja: Bispo destaca «presença e trabalho» dos migrantes que «valorizam a sociedade»

«Os migrantes são bem-vindos» – D. Fernando Paiva publicou nota para a Semana Nacional da Mobilidade Humana

Foto: Diocese de Beja (Jubileu Diocesano dos Migrantes 2025)

Beja, 11 ago 2026 (Ecclesia) – O bispo de Beja publicou uma nota de acolhimento e de valorização dos migrantes presentes na diocese, e de “gratidão a todos” os que os “acolhem e acompanham”, para a Semana Nacional da Mobilidade Humana em Portugal.

“Os migrantes são bem-vindos! A sua presença e o seu trabalho valorizam a nossa sociedade. Também os nossos conterrâneos que partem para outras terras continuam presentes nas nossas orações”, escreve D. Fernando Paiva, na nota divulgada, esta segunda-feira, pela Diocese de Beja na rede social Facebook.

O bispo de Beja começa por saudar “todos os irmãos migrantes” que, nesta diocese do baixo Alentejo, integram as “comunidades cristais”, e destaca que são “membros plenamente reconhecidos da Igreja”.

D. Fernando Paiva também partilha uma palavra de “profundo apreço e gratidão” a todos os que acolhem, acompanham e apoiam” os migrantes no seu processo de integração, na sua nota para a Semana Nacional da Mobilidade Humana.

A Igreja Católica em Portugal está a celebrar a 54.ª Semana Nacional de Migrações, desde domingo, 9 de agosto, com o tema ‘Da fragilidade à Esperança’, até dia 16 de agosto; do programa nacional destaca-se a Peregrinação do Migrante e do Refugiado, ao Santuário de Fátima, nos dias 12 e 13.

O presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, da Igreja Católica em Portugal, afirma que a cidadania “deve ser sempre valorizada, para todos os cidadãos”, na mensagem para para a 54.ª Semana Nacional de Migrações.

“No nosso país, com uma tão grande tradição migratória, em todos os sentidos (partimos e somos acolhidos nos países de destino; e acolhemos outros que chegam à nossa terra), há muitas e belas histórias de sucesso na integração. Mas também é verdade que as situações de violência sobre os migrantes não estão ausentes. A fragilidade de não conhecer a terra, de não falar a língua, de não estar à vontade na cultura nem sempre se juntam o amparo e o acolhimento”, escreve D. Pedro Fernandes, bispo de Portalegre-Castelo Branco.

Segundo o presidente da Comissão da Mobilidade Humana, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), para as vagas migratórias, por vezes, desproporcionadas para os mecanismos de integração, “a solução não é combater as pessoas migrantes”, mas é garantir-lhes “melhores condições de acolhimento”, e salienta que a cidadania “deve ser sempre valorizada, para todos os cidadãos (nacionais ou estrageiros) e sempre alicerçada em algo maior: a dignidade humana, igual e universal”.

A Semana Nacional de Migrações da Igreja Católica em Portugal é promovida pela Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM), organismo da CEP.

CB




segunda-feira, 25 de maio de 2026

Beja: D. Fernando Paiva pediu aos finalistas para colocarem os seus dons ao serviço do bem comum

O Campus das Universidades do Instituto Politécnico daquela cidade acolheu a celebração da Bênção das Pastas

Foto: Diocese de Beja

Beja, 25 mai 2026 (Ecclesia) – O Bispo de Beja, D. Fernando Paiva, recordou os finalistas universitários, na celebração da bênção das pastas, que os dons, conhecimentos e competências “adquiridos ao longo da formação” devem ser colocados “ao serviço do bem comum e da construção de uma sociedade mais humana e solidária”.

Na celebração, D. Fernando Paiva sublinhou também que “a bênção invocada sobre os estudantes representa um pedido da presença de Deus nas novas etapas que agora se iniciam, quer na continuação dos estudos, quer no ingresso na vida profissional”, lê-se numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

Ao dirigir-se aos finalistas, D. Fernando Paiva incentivou-os ainda a viver o trabalho “com dedicação, responsabilidade e espírito de serviço”, lembrando que “a realização profissional encontra um sentido mais profundo quando colocada ao serviço dos outros”.

O Campus das Universidades do Instituto Politécnico de Beja acolheu, dia 23 de maio, a celebração da bênção das pastas dos estudantes finalistas do IPBeja, presidida por D. Fernando Paiva.

Foto: Diocese de Beja

A celebração reuniu estudantes das quatro escolas de ensino superior do Instituto Politécnico de Beja – Escola Superior de Educação, Escola Superior de Saúde, Escola Superior de Tecnologia e Gestão e Escola Superior Agrária – bem como familiares, amigos, docentes e responsáveis académicos.

Este momento foi preparado e acompanhado pela Pastoral do Ensino Superior da Diocese de Beja, que ao longo do ano “procura caminhar de perto com os estudantes universitários”, promovendo “espaços de encontro, partilha, acompanhamento espiritual e vivência da fé no contexto académico”.

A equipa da Pastoral Universitária, coordenada pela irmã Natália Costa e acompanhada pelo assistente espiritual, padre Hugo Gonçalves, tem vindo “a desenvolver um trabalho de proximidade junto dos estudantes das várias escolas do IPBeja”, ajudando-os “a integrar a dimensão humana, académica e espiritual do seu percurso universitário”.

Para os finalistas crentes que participaram nesta celebração, a bênção das pastas constituiu um momento “particularmente significativo de agradecimento a Deus por todo o percurso realizado, pelos desafios superados e pelas pessoas que marcaram esta etapa das suas vidas”.

A celebração terminou num ambiente “de alegria, esperança e confiança, marcando simbolicamente o encerramento de um ciclo e o início de novos caminhos para os estudantes finalistas do IPBeja”, concluiu.

LFS



quinta-feira, 16 de abril de 2026

Beja: Bispo realiza vigília pela paz na Sé, em união com o Papa

Beja, 16 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Beja anunciou a realização de uma vigília de oração pela paz, em união com o Papa, marcada para hoje, às 21h, na Sé diocesana.

Numa mensagem dirigida à diocese, D. Fernando Paiva explica que a iniciativa, organizada pelas paróquias da cidade, é “aberta a todos os diocesanos”.

No Domingo de Páscoa, Leão XIV convocou uma vigília de oração pela paz, a que presidiu, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, no passado sábado, pelas 18h (menos uma em Lisboa).

Além do momento de oração de hoje, D. Fernando Paiva convidou, no texto com a data de 7 de abril, os diocesanos a unirem-se “em oração, participando nas celebrações da Eucaristia, onde será elevada a Deus uma intenção especial, na Oração dos Fiéis, pela paz no mundo e pela conversão dos corações”.

O bispo desafiou também cada um a participar, nas próprias paróquias ou arciprestados, “nos momentos de oração pela paz que forem promovidos — vigílias, celebrações, recitação do terço ou tempos de adoração —, fazendo deste tempo um caminho comum de súplica e esperança”.

“Que o Senhor nos conceda a graça de sermos instrumentos da Sua paz, começando pelo nosso próprio coração, nas nossas famílias e nas comunidades onde vivemos. Que o Senhor a todos abençoe na sua paz”, concluiu.

LJ

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Beja: Bispo realiza vigília pela paz na Sé, em união com o Papa

Beja, 09 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Beja anunciou a realização de uma vigília de oração pela paz no próximo dia 16 de abril, pelas 21h, na Sé diocesana, em união com o Papa.

Numa mensagem dirigida à diocese, D. Fernando Paiva explica que a iniciativa, organizada pelas paróquias da cidade, é “aberta a todos os diocesanos”.

No Domingo de Páscoa, Leão XIV convocou uma vigília de oração pela paz, presidida por si, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, no dia 11 de abril, pelas 18h (menos uma em Lisboa).

No texto, o bispo de Beja lembrou as palavras do pontífice, exortou a diocese a acolher o apelo deixado pelo Papa e a abrir “o coração à paz de Cristo”, deixando que ela transforme a vida de cada um, as relações e as comunidades.

Além do momento de oração de 16 de abril, D. Fernando Paiva convidou diocesanos a unirem-se “em oração, participando nas celebrações da Eucaristia, onde será elevada a Deus uma intenção especial, na Oração dos Fiéis, pela paz no mundo e pela conversão dos corações”.

O bispo desafiou também cada um a participar, nas próprias paróquias ou arciprestados, “nos momentos de oração pela paz que forem promovidos — vigílias, celebrações, recitação do terço ou tempos de adoração —, fazendo deste tempo um caminho comum de súplica e esperança”.

“Que o Senhor nos conceda a graça de sermos instrumentos da Sua paz, começando pelo nosso próprio coração, nas nossas famílias e nas comunidades onde vivemos. Que o Senhor a todos abençoe na sua paz”, concluiu.

LJ



domingo, 5 de abril de 2026

Homilia do bispo de Beja na Vigília Pascal

«Cristo ressuscitou verdadeiramente. Aleluia! É esta a nossa fé, é esta a fé da Igreja!»

Graças a Deus pelo dom da fé! Graças a Deus por este dom e pelo que ele nos permite ver, compreender, viver e contemplar!

Estamos reunidos nesta Catedral para celebrar a Ressurreição de Jesus. Dou graças a Deus pela presença de todos e de cada um nesta celebração tão cheia de significado, de beleza, de paz e de luz. E estarmos juntos, unidos nesta celebração é um sinal muito eloquente de comunhão. Esta comunhão que integra a diversidade e nos une como irmãos, como discípulos do mesmo Senhor.

Nesta noite santa, na Vigília Pascal, a Mãe de todas as Vigílias, tudo nos fala eloquentemente da vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Esta solene celebração tem quatro partes:
⦁ o Lucernário ou Liturgia da Luz, que irei comentar, com algum detalhe, mais adiante.
⦁ a Liturgia da Palavra, em que nos foi apresentado como que um resumo da História da Salvação – deste caminho que Deus faz connosco.
⦁ a Liturgia Baptismal, na qual a Rita e o Flávio irão ser baptizados e crismados e todos nós iremos renovar, de coração agradecido, as promessas do nosso Baptismo.
⦁ e a Liturgia Eucarística, na qual Jesus se faz presente Corpo, Sangue, Alma e Divindade e se dá como alimento. Será também a Primeira Comunhão destes nossos irmãos.

Esta Vigília começou na escuridão. A noite representa o mundo sem Cristo: o caos, o pecado, a morte, a falta de sentido, o afastamento de Deus.
No meio desta escuridão, o lume novo foi benzido, como que a dizer-nos que é de Deus, da Sua bênção, que vem a luz que nos ilumina, que ilumina as trevas deste mundo.

O Círio Pascal foi aceso neste lume novo e este Círio representa, simboliza Cristo ressuscitado, a “luz que ilumina as trevas”. Esta luz que se foi transmitindo de mão em mão até encher este templo de luz – lembrando-nos que a fé se transmite pessoalmente, pelo testemunho, de coração a coração – neste caminho que fazemos, em Igreja, precisamos uns dos outros.

Ouvimos e cantámos o Precónio Pascal, este belíssimo e antigo hino, em que a Igreja canta os louvores do Círio Pascal, os louvores de Cristo, ressuscitado de entre os mortos. Celebramos a vitória da luz sobre as trevas.

Somos convidados à alegria, não apenas nós, mas todas as realidades criadas, visíveis e invisíveis, como nos diz, logo no seu início, este belíssimo hino: “Exulte de alegria a multidão dos anjos, exultem as assembleias celestes, ressoem hinos de glória para anunciar o triunfo de tão grande Rei. Rejubile também a terra, inundada por tão grande claridade, porque a luz de Cristo, o Rei eterno, dissipa as trevas de todo o mundo.”

Este Círio, que arde neste templo é assim, o símbolo da luz de Cristo ressuscitado. Esta luz de Verdade, de Beleza e de Amor, que irrompe nas trevas deste mundo, vem tocar e iluminar as trevas do nosso coração. Celebramos Cristo, Luz do mundo, com solenidade, nesta noite santa:

E somos também convidados à gratidão pelos efeitos desta luz. Assim, ouvíamos há pouco, no canto do Precónio Pascal: ”Esta noite santa afugenta os crimes, lava as culpas; restitui a inocência aos pecadores, dá alegria aos tristes, derruba os poderosos, dissipa os ódios, estabelece a concórdia e a paz”. E este mundo em que vivemos, como precisa de ser iluminado por esta luz, cada um de nós, precisa, precisamos, de ser iluminado pela luz de Cristo!

Está escrito no Livro do Gênesis, no relato da criação do mundo: “Disse Deus: «Faça-se a luz». E a luz apareceu”. Agora, em Cristo ressuscitado, resplandece a verdadeira Luz, inaugurando a nova criação.

Assim, com Cristo e em Cristo ressuscitado, somos chamados — como ouvimos na leitura da Epístola aos Romanos (Rom 6) — a viver uma vida nova, iluminados por esta luz terna e suave, que vence as trevas.

Esta noite bendita, como nos diz o texto deste extraordinário hino “é a única a ter conhecimento do tempo e da hora em que Cristo ressuscitou do sepulcro” – Por isso faz tanto sentido que o tempo pascal tenha início precisamente nesta Vigília, nesta noite santa.

Hoje, alegramo-nos com a Rita e com o Flávio, que irão receber os sacramentos da iniciação cristã (Baptismo, Crisma e Eucaristia).
Rita e Flávio, a partir de hoje, já não pertencereis a vós mesmos! O cristão pertence ao Senhor, que por nós morreu e ressuscitou! “Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor”, como nos diz S. Paulo. Por isso dizemos que Jesus é o Senhor, porque é o Senhor das nossas vidas, somos d’Ele e abandonamo-nos confiadamente nas Suas mãos.

Que Nossa Senhora, Mãe da Igreja e S. José, nosso padroeiro, nos guardem na alegria e na paz de Cristo Ressuscitado.
A todos desejo Felizes Festas Pascais!

† Fernando Paiva, Bispo de Beja
Sé de Beja, 4 Abril de 2026






sábado, 4 de abril de 2026

Homilia do bispo de Beja na Celebração da Paixão do Senhor

A Igreja nasce da Cruz

Foto Diocese de Beja, Celebração da Paixão do Senhor

Caríssimos irmãos,

A Sexta-Feira Santa é o dia em que revivemos a paixão, crucifixão e morte de Jesus. Neste dia não se celebra a Santa Missa, mas a comunidade cristã reúne-se para meditar, à luz da Palavra de Deus, os padecimentos do Senhor. Hoje a liturgia é despojada, o altar está desnudado, não se canta o cântico de entrada e vários gestos expressam, exteriorizam o nosso sentir diante dos sofrimentos de Jesus e do amor com que, por nós, os suportou.

É também uma ocasião para ter presente o grande mistério do mal e do pecado que oprimem a humanidade. Depois de termos ouvido a narração da paixão de Cristo, iremos rezar, daqui a pouco por todas as necessidades da Igreja e do mundo, iremos adorar a Cruz e iremo-nos alimentar da Eucaristia, consumindo as espécies conservadas da Missa da Ceia do Senhor, que celebrámos no dia de ontem.

No Domingo passado ouvimos o relato da Paixão do Senhor, a partir do Evangelho segundo S. Mateus, o evangelista deste ano. No Evangelho que acabámos de escutar, é-nos narrada a Paixão de Jesus, desta vez segundo S. João e é sempre assim, neste dia de Sexta-Feira Santa. Gostaria de partilhar convosco duas breves meditações a partir deste texto evangélico.

O apelo à não violência

Nos três evangelhos sinóticos, alguém corta a orelha de um servo do sumo sacerdote, mas só S. João dá o nome do servo (Malco) e identifica o agressor como Pedro (Jo 18,10). S. João dá uma enfase especial a este episódio, acrescentando detalhes. Jesus não quer a violência, o seu Reino não é conquistado pela espada, mas pelo amor, pelo serviço e pelo sacrifício.

Vivemos um tempo muito marcado pela violência, pela guerra. Como esta mensagem de Jesus é atual, tremendamente atual! Não podemos desistir de construir a paz, criando pontes, dialogando, perdoando e rezando. Iremos rezar, também pela paz, daqui a pouco, nesta celebração, e hoje de uma forma particularmente expressiva. E somos convidados a ser instrumentos de paz e concórdia onde estamos, onde vivemos, nas nossas casas, famílias, comunidades, locais de trabalho, escolas, vizinhança. Cada um de nós pode, de alguma forma e a seu modo, contribuir para a construção da paz e da concórdia.

A Igreja nasce da Cruz

“Após a morte de Jesus, um soldado trespassa-lhe o lado com uma lança, e sai sangue e água” (Jo 19,34).

Esta passagem, exclusiva do Evangelho segundo S. João, é carregada de simbolismo e significado reconhecidos pela grande Tradição da Igreja, nomeadamente por S. Agostinho, S. João Crisóstomo, S. Bernardo de Claraval, entre outros:

Diz S. João Crisóstomo: “esta água e este sangue simbolizavam o Batismo e a Eucaristia. Foi destes sacramentos que nasceu a Igreja, pelo banho de regeneração e pela renovação do Espírito Santo, isto é, pelo sacramento do Batismo e pela Eucaristia que brotaram do lado de Cristo. Foi do lado de Cristo, por conseguinte, que se formou a Igreja, como foi do lado de Adão que Eva foi formada”.

Neste sentido místico, que nos é proposto pelos Padres da Igreja, podemos afirmar que a Igreja nasce do lado aberto do Senhor na Cruz. Dito de forma mais formal: Cristo instituiu a Igreja, sobre a qual havia de descer o Espírito Santo no Pentecostes. Contudo, antes de expirar, o Senhor entrega uma Mãe à Sua Igreja, como está escrito em Jo. 19, 26-27: “Jesus disse a sua Mãe: «Mulher, eis o teu filho». Depois disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe».”.

Ao morrer na Cruz, Jesus confiou a Sua própria Mãe ao discípulo amado. Nesse discípulo — como reconhece a Tradição da Igreja — estamos todos nós: está a Igreja inteira. Em João, cada um de nós é confiado a Maria, que se torna, assim, também nossa Mãe. Pela comunhão com Cristo, somos feitos membros do Seu Corpo Místico e introduzidos na Sua família; por isso, tornamo-nos verdadeiramente filhos e filhas da Mãe de Jesus.

Como não dar graças a Deus pelo dom imenso de pertencermos à Igreja? Como não reconhecer tudo aquilo que nos foi dado ao sermos nela incorporados? A Igreja não é uma mera organização ou associação humana; é muito mais do que isso: é o Sacramento Universal da Salvação. Damos graças ao Senhor pela Sua Santa Cruz, pela qual nos salvou e nos deu a Igreja, na qual caminhamos na esperança da Ressurreição.

Por vezes, porém, vemos cristãos — praticantes e até empenhados — que manifestam de modo muito visível a sua pertença a diversos grupos: associações culturais, filantrópicas, profissionais, partidos políticos ou clubes desportivos. Nada há de errado nestes envolvimentos cívicos; pelo contrário! No entanto, causa apreensão notar que alguns destes mesmos cristãos não só não expressam a sua pertença à Igreja com o mesmo entusiasmo e visibilidade, como chegam, por vezes, a ocultá-la ou dissimulá-la, talvez por receio ou timidez social.

É, pois, necessário redescobrir o valor, a beleza e a alegria de pertencer à Igreja. Porque não se pertence a Cristo sem pertencer ao seu Corpo, que é a Igreja. Ou seja, é pela pertença à Igreja que pertencemos verdadeiramente a Cristo.

Peçamos a graça de nos unirmos mais intimamente ao Senhor, contemplando a Sua Paixão e adorando a Sua Santa Cruz, neste caminho rumo à Páscoa da Ressurreição.

Que Nossa Senhora das Dores — que permaneceu com admirável coragem e fidelidade ao pé da Cruz do Seu Filho — e São José, nosso padroeiro, nos amparem sempre neste caminho que fazemos em Igreja.

D. Fernando Paiva, Bispo de Beja




segunda-feira, 30 de março de 2026

Beja: Bispo apela à contemplação da dor humana e do «silêncio de Deus» na entrada da Semana Santa

«Deus assume verdadeiramente a nossa condição» – D. Fernando Paiva

Foto: Diocese de Beja

Beja, 29 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo de Beja presidiu hoje à Missa de Domingo de Ramos, na Sé diocesana, desafiando os fiéis a contemplarem o sofrimento físico e espiritual de Cristo a partir do seu interior.

As palavras: ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?’ exprimem a experiência de quem entra no mais íntimo da dor humana — a sensação de ausência de Deus, que tantos homens e mulheres conhecem e experimentam ao longo da vida”, referiu D. Fernando Paiva, na homilia da celebração, divulgada online.

O responsável católico centrou a sua homilia no grito de Jesus na cruz, descrevendo-o como uma expressão de profunda dor perante a experiência passageira do silêncio divino.

O bispo de Beja recordou que esta provação marcou o percurso de grandes figuras da Igreja, salientando a manutenção da confiança e do diálogo entre Jesus e o Pai mesmo nos momentos de trevas.

“Isto revela-nos o realismo profundo da Encarnação: em Jesus, Deus assume verdadeiramente a nossa condição, inclusive essa experiência de desolação que tantas vezes marca o caminho humano”, indicou.

A reflexão destacou a entrega de Jesus face à humilhação pública, à tortura física e ao afastamento por parte dos seus seguidores mais próximos.

“Porque para obedecer, é preciso ser livre — livre de si mesmo, dos próprios interesses e conveniências”, disse.

O responsável da diocese alentejana evocou as contradições da multidão de Jerusalém, recordadas na procissão iniciada na Igreja do Carmo, para ilustrar as fraquezas diárias dos crentes atuais.

“A multidão que então o aclamou, a multidão que uns dias mais tarde exigiu a sua crucifixão é sinal, é imagem do coração humano, do nosso coração, tantas vezes dividido, que acolhe e segue Jesus, mas também tantas vezes o nega”, referiu.

A Igreja Católica inicia, com o Domingo de Ramos, a Semana Santa, momento central do ano litúrgico, que recorda os dias da prisão, julgamento e execução de Jesus, culminando com a Páscoa, celebração da ressurreição de Cristo.

OC




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Cinzas: Bispo de Beja convida a jejuar da «maledicência» e do «tempo mal gasto nas redes sociais»

D. Fernando Paiva convocou diocese a «intensificar, aumentar» e «alargar» as três práticas fundamentais deste tempo litúrgico

Foto: Diocese de Beja

Beja, 19 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo de Beja propôs aos diocesanos fazerem jejum do que os “afasta de Deus”, como a “maledicência”, o “tempo mal gasto nas redes sociais” ou em “passatempos menos edificantes”, na Quarta-Feira de Cinzas, na Sé.

“No mundo atual, onde tudo nos convida à satisfação imediata dos nossos desejos, jejuar é um ato de liberdade: aprendemos a dominar os nossos impulsos, a fortalecer a virtude da temperança, a orientar o nosso desejo para Deus e também a partilhar aquilo a que renunciámos”, referiu D. Fernando Paiva, na homilia da Missa partilhada no site da diocese.

Segundo o bispo diocesano, este “não é apenas um exercício de autocontrolo”, uma vez que quando alguém se priva voluntariamente de algo, abre “espaço para partilhar com os que passam necessidades”, que “é a lógica da renúncia quaresmal”.

Na Eucaristia de Quarta-Feira de Cinzas, além do jejum, o bispo diocesano convidou a reforçar a oração e a esmola e o jejum, no tempo da Quaresma.

“Somos chamados a intensificar, aumentar, alargar, neste tempo quaresmal, estas práticas que já vivemos durante todo o ano e que não são, por assim dizer compartimentos estanques, pelo contrário, estão profundamente interligadas”, afirmou.

Perante uma vida agitada, em que é comum esquecer de parar, escutar, falar com o Senhor, D. Fernando Paiva lembrou que a oração “não é um ritual vazio, mas um encontro vivo com Deus” que transforma e fortalece todos.

De seguida, tendo em conta o convite que fez à diocese, o bispo diocesano fez uma série de propostas, entre elas a participação na Missa diária para quem habitualmente frequenta a Eucaristia dominical.

Além disso, o bispo de Beja sugeriu ainda a valorização e o incremento da adoração eucarística e impeliu à participação um “retiro, a nível paroquial, arciprestal ou no contexto de algum movimento de Igreja ou Instituto religioso”.

Na homilia, D. Fernando Paiva abordou também a esmola que propicia a abertura ao outro, especialmente ao mais carenciados: “Não é apenas dar algo material, mas também aprender a sairmos de nós mesmos, a olhar, a escutar, a cuidar. É um exercício de caridade que nos ajuda a ver no irmão o rosto de Cristo”.

Neste seguimento, o bispo diocesano fez o convite a que se valorize a prática da renúncia quaresmal, convidando a “participar generosamente e contribuir solidariamente”.

“Este ano, como já foi noticiado, será metade para a construção de um infantário em Moçambique, na Diocese de Gurué e a outra metade para auxiliar as vítimas das tempestades que nas últimas semanas assolaram o nosso País”, lembrou.

Na Missa, D. Fernando Paiva apresentou a Quaresma como o “tempo de voltar ao essencial”, de regressar “decididamente para Deus”.

“É, pois, um tempo de conversão e de reconciliação, tempo favorável para nos voltarmos para Deus, reconciliando-nos com Ele”, sublinhou.

A Igreja Católica iniciou esta quarta-feira o tempo da Quaresma, o período de preparação para a Páscoa que, em 2026, se celebra a 5 de abril.

LJ