Páginas

domingo, 5 de abril de 2026

Homilia do bispo de Beja na Vigília Pascal

«Cristo ressuscitou verdadeiramente. Aleluia! É esta a nossa fé, é esta a fé da Igreja!»

Graças a Deus pelo dom da fé! Graças a Deus por este dom e pelo que ele nos permite ver, compreender, viver e contemplar!

Estamos reunidos nesta Catedral para celebrar a Ressurreição de Jesus. Dou graças a Deus pela presença de todos e de cada um nesta celebração tão cheia de significado, de beleza, de paz e de luz. E estarmos juntos, unidos nesta celebração é um sinal muito eloquente de comunhão. Esta comunhão que integra a diversidade e nos une como irmãos, como discípulos do mesmo Senhor.

Nesta noite santa, na Vigília Pascal, a Mãe de todas as Vigílias, tudo nos fala eloquentemente da vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Esta solene celebração tem quatro partes:
⦁ o Lucernário ou Liturgia da Luz, que irei comentar, com algum detalhe, mais adiante.
⦁ a Liturgia da Palavra, em que nos foi apresentado como que um resumo da História da Salvação – deste caminho que Deus faz connosco.
⦁ a Liturgia Baptismal, na qual a Rita e o Flávio irão ser baptizados e crismados e todos nós iremos renovar, de coração agradecido, as promessas do nosso Baptismo.
⦁ e a Liturgia Eucarística, na qual Jesus se faz presente Corpo, Sangue, Alma e Divindade e se dá como alimento. Será também a Primeira Comunhão destes nossos irmãos.

Esta Vigília começou na escuridão. A noite representa o mundo sem Cristo: o caos, o pecado, a morte, a falta de sentido, o afastamento de Deus.
No meio desta escuridão, o lume novo foi benzido, como que a dizer-nos que é de Deus, da Sua bênção, que vem a luz que nos ilumina, que ilumina as trevas deste mundo.

O Círio Pascal foi aceso neste lume novo e este Círio representa, simboliza Cristo ressuscitado, a “luz que ilumina as trevas”. Esta luz que se foi transmitindo de mão em mão até encher este templo de luz – lembrando-nos que a fé se transmite pessoalmente, pelo testemunho, de coração a coração – neste caminho que fazemos, em Igreja, precisamos uns dos outros.

Ouvimos e cantámos o Precónio Pascal, este belíssimo e antigo hino, em que a Igreja canta os louvores do Círio Pascal, os louvores de Cristo, ressuscitado de entre os mortos. Celebramos a vitória da luz sobre as trevas.

Somos convidados à alegria, não apenas nós, mas todas as realidades criadas, visíveis e invisíveis, como nos diz, logo no seu início, este belíssimo hino: “Exulte de alegria a multidão dos anjos, exultem as assembleias celestes, ressoem hinos de glória para anunciar o triunfo de tão grande Rei. Rejubile também a terra, inundada por tão grande claridade, porque a luz de Cristo, o Rei eterno, dissipa as trevas de todo o mundo.”

Este Círio, que arde neste templo é assim, o símbolo da luz de Cristo ressuscitado. Esta luz de Verdade, de Beleza e de Amor, que irrompe nas trevas deste mundo, vem tocar e iluminar as trevas do nosso coração. Celebramos Cristo, Luz do mundo, com solenidade, nesta noite santa:

E somos também convidados à gratidão pelos efeitos desta luz. Assim, ouvíamos há pouco, no canto do Precónio Pascal: ”Esta noite santa afugenta os crimes, lava as culpas; restitui a inocência aos pecadores, dá alegria aos tristes, derruba os poderosos, dissipa os ódios, estabelece a concórdia e a paz”. E este mundo em que vivemos, como precisa de ser iluminado por esta luz, cada um de nós, precisa, precisamos, de ser iluminado pela luz de Cristo!

Está escrito no Livro do Gênesis, no relato da criação do mundo: “Disse Deus: «Faça-se a luz». E a luz apareceu”. Agora, em Cristo ressuscitado, resplandece a verdadeira Luz, inaugurando a nova criação.

Assim, com Cristo e em Cristo ressuscitado, somos chamados — como ouvimos na leitura da Epístola aos Romanos (Rom 6) — a viver uma vida nova, iluminados por esta luz terna e suave, que vence as trevas.

Esta noite bendita, como nos diz o texto deste extraordinário hino “é a única a ter conhecimento do tempo e da hora em que Cristo ressuscitou do sepulcro” – Por isso faz tanto sentido que o tempo pascal tenha início precisamente nesta Vigília, nesta noite santa.

Hoje, alegramo-nos com a Rita e com o Flávio, que irão receber os sacramentos da iniciação cristã (Baptismo, Crisma e Eucaristia).
Rita e Flávio, a partir de hoje, já não pertencereis a vós mesmos! O cristão pertence ao Senhor, que por nós morreu e ressuscitou! “Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor”, como nos diz S. Paulo. Por isso dizemos que Jesus é o Senhor, porque é o Senhor das nossas vidas, somos d’Ele e abandonamo-nos confiadamente nas Suas mãos.

Que Nossa Senhora, Mãe da Igreja e S. José, nosso padroeiro, nos guardem na alegria e na paz de Cristo Ressuscitado.
A todos desejo Felizes Festas Pascais!

† Fernando Paiva, Bispo de Beja
Sé de Beja, 4 Abril de 2026






Sem comentários:

Enviar um comentário