|
Sexta-feira da Semana
Santa é um dia de pausa, de memória da morte do Justo e de procura constante
para tentar compreender o acontecimento talvez mais paradoxal da humanidade. No início do Tríduo
Pascal, muitas propostas de compreensão de uma morte na cruz passaram pelas
homilias dos bispos diocesanos, em todo o país, que estão publicadas na Agência
Ecclesia. Também em muitas mais reflexões e pronunciamentos, que
sugerem abordagens essenciais para compreender essa doação total de
Jesus Cristo. O gesto do lava-pés,
no contexto em que aconteceu, oferece uma chave de interpretação essencial
para toda a paixão, morte e ressurreição de Cristo. E foi sobre foi esse
gesto que o Papa Leão XIV quis refletir, na homilia da Missa da Ceia do
Senhor. Proponho dois parágrafos da sua homilia: Com a surpresa silenciosa dos seus discípulos, até mesmo o
orgulho humano nos faz abrir os olhos para o que está a acontecer: tal como
Pedro, que inicialmente resiste à iniciativa de Jesus, também nós devemos
«aprender sempre de novo que a grandeza de Deus é diversa da nossa ideia de
grandeza, […] porque sistematicamente desejamos um Deus do sucesso e não da
Paixão». Estas palavras do Papa Bento XVI admitem com lucidez que somos
sempre tentados a procurar um Deus que “nos sirva” e nos faça vencer, que seja
prestativo como o dinheiro e o poder. Não compreendemos, porém, que Deus nos
serve de verdade, sim, mas com o gesto gratuito e humilde de lavar os pés:
eis a onipotência de Deus. Assim se cumpre a vontade de dedicar a vida a
quem, sem este dom, não pode existir. Por causa do seu amor, o Senhor
ajoelha-se para lavar o homem. E o dom divino transforma-nos. Com o seu gesto, Jesus purifica a nossa imagem de Deus das
idolatrias e blasfémias que a mancharam, mas purifica também a nossa imagem
do homem, que se considera poderoso quando domina, que quer vencer matando
quem lhe é igual, que se considera grande quando é temido. Verdadeiro Deus e
verdadeiro homem, Cristo dá-nos, pelo contrário, um exemplo de dedicação,
serviço e amor. Precisamos do seu exemplo para aprender a amar, não porque
sejamos incapazes disso, mas precisamente para nos educarmos a nós próprios,
e uns aos outros, no amor verdadeiro. Aprender a agir como Jesus, Sinal que
Deus imprime na história do mundo, é tarefa para a vida inteira. Que esta Sexta-feira
seja um dia de contemplação, que motiva à doação, a exemplo do Mestre! Paulo Rocha |
Sem comentários:
Enviar um comentário