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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Uma tarefa para a vida inteira

Sexta-feira da Semana Santa é um dia de pausa, de memória da morte do Justo e de procura constante para tentar compreender o acontecimento talvez mais paradoxal da humanidade.

No início do Tríduo Pascal, muitas propostas de compreensão de uma morte na cruz passaram pelas homilias dos bispos diocesanos, em todo o país, que estão publicadas na Agência Ecclesia. Também em muitas mais reflexões e pronunciamentos, que sugerem abordagens essenciais para compreender essa doação total de Jesus Cristo.

O gesto do lava-pés, no contexto em que aconteceu, oferece uma chave de interpretação essencial para toda a paixão, morte e ressurreição de Cristo. E foi sobre foi esse gesto que o Papa Leão XIV quis refletir, na homilia da Missa da Ceia do Senhor. Proponho dois parágrafos da sua homilia:

Com a surpresa silenciosa dos seus discípulos, até mesmo o orgulho humano nos faz abrir os olhos para o que está a acontecer: tal como Pedro, que inicialmente resiste à iniciativa de Jesus, também nós devemos «aprender sempre de novo que a grandeza de Deus é diversa da nossa ideia de grandeza, […] porque sistematicamente desejamos um Deus do sucesso e não da Paixão». Estas palavras do Papa Bento XVI admitem com lucidez que somos sempre tentados a procurar um Deus que “nos sirva” e nos faça vencer, que seja prestativo como o dinheiro e o poder. Não compreendemos, porém, que Deus nos serve de verdade, sim, mas com o gesto gratuito e humilde de lavar os pés: eis a onipotência de Deus. Assim se cumpre a vontade de dedicar a vida a quem, sem este dom, não pode existir. Por causa do seu amor, o Senhor ajoelha-se para lavar o homem. E o dom divino transforma-nos.

Com o seu gesto, Jesus purifica a nossa imagem de Deus das idolatrias e blasfémias que a mancharam, mas purifica também a nossa imagem do homem, que se considera poderoso quando domina, que quer vencer matando quem lhe é igual, que se considera grande quando é temido. Verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Cristo dá-nos, pelo contrário, um exemplo de dedicação, serviço e amor. Precisamos do seu exemplo para aprender a amar, não porque sejamos incapazes disso, mas precisamente para nos educarmos a nós próprios, e uns aos outros, no amor verdadeiro. Aprender a agir como Jesus, Sinal que Deus imprime na história do mundo, é tarefa para a vida inteira.

Que esta Sexta-feira seja um dia de contemplação, que motiva à doação, a exemplo do Mestre!

Paulo Rocha

 

 


agencia.ecclesia.pt

      



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