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domingo, 20 de setembro de 2026

Beja: Núncio apostólico desafia diocese a «sair ao encontro» e a concretizar sinodalidade

D. Andrés Carrascosa Coso presidiu à Missa na Sé da cidade, onde encorajou a não ter medo de «experimentar caminhos novos», comprometendo-se a voltar ao território

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Beja, 19 set 2026 (Ecclesia) – O núncio apostólico em Portugal desafiou, este sábado, a Diocese de Beja a sair em missão e a concretizar a sinodalidade, na Eucaristia a que presidiu na Catedral daquela cidade.

“Somos uma Igreja que não fica parada. E talvez aqui esteja uma das grandes perguntas para o caminho pastoral da diocese. Como podemos passar de uma Igreja que espera que venham a uma Igreja que vai, que sai ao encontro?”, afirmou D. Andrés Carrascosa Coso na homilia.

O arcebispo espanhol, que recorreu à parábola dos trabalhadores na vinha, lembrou que o dono desta plantação “não fica sentado à espera que os trabalhadores apareçam”, mas sai ao encontro, realçando que “esta imagem” pode ajudar “a compreender o que significa uma Igreja missionária, uma Igreja sinodal, uma Igreja que não se fecha sobre si mesma”.

“A sinodalidade não significa simplesmente caminhar juntos porque estamos todos reunidos. Significa reconhecer que todos somos chamados a caminhar com Cristo e que todos temos alguma coisa a oferecer à missão da Igreja”, defendeu.

Na Eucaristia que encerrou o Dia Diocesano de Beja, o representante do Papa em Portugal salientou a palavra “ide” como “missionária”, enfatizando a importância de que esta seja escutada.

Ide às famílias. Ide ao encontro dos jovens. Ide às periferias. Ide ao encontro daqueles que deixaram de vir. Ide ao encontro dos que procuram. Ide aos que sofrem. Ide aos que estão sós. Quanta solidão. Ide aos que não conhecem o Evangelho. Ide também àqueles que pensam que a Igreja já não tem nada para lhes dizer. Ide. Ide vós também para a minha vinha”, pediu.

Segundo Andrés Carrascosa Coso, “uma diocese será tanto mais viva quanto mais os seus membros descobrirem que não são simplesmente destinatários da pastoral, mas que são protagonistas da missão”.

Perante os participantes do Dia Diocesano de Beja que encheram a catedral para a Eucaristia, o núncio apostólico apontou que “talvez uma das grandes tentações da Igreja” seja “pensar que já não há pessoas suficientes”.

“Que somos poucos. Que as nossas comunidades envelhecem. Que faltam sacerdotes. Que os jovens não participam. Que tantas pessoas já não entram nas nossas igrejas. Tudo isso é uma realidade que não podemos ignorar. Mas não podemos ficar nos lamentos”, alertou.

Na homilia, o arcebispo espanhol considerou que “o caminho pastoral de uma diocese não pode ser apenas uma sucessão de atividades”, salientando que é, antes de tudo, um caminho de conversão: “Conversão pessoal. Conversão comunitária. Conversão pastoral. Conversão missionária”.

“E talvez a pergunta que hoje deveríamos levar para casa seja muito simples. Senhor, o que Tu queres converter em mim? O que Tu queres converter em mim? E depois, Senhor, o que Tu queres converter na nossa comunidade? Porque a verdadeira renovação pastoral não começa por querer que os outros mudem. Começa por deixar que Cristo nos mude a nós”, evidenciou.

O “caminho de procura, de participação” e de renovação pastoral” da Diocese de Beja nos últimos anos foi mencionado pelo arcebispo espanhol, que advertiu que “a sinodalidade não pode ficar apenas nas palavras”, mas “tem de se transformar em vida”.

Sinodalidade significa aprender a escutar. Escutar a Deus em primeiro lugar. Escutar a palavra de Deus. Escutar os irmãos. Escutar aqueles que pensam como nós. Mas também escutar aqueles que pensam de maneira diferente a nós. Significa discernir juntos. Significa reconhecer os carismas, os dons que cada um tem. Significa criar espaço para participação. Significa, sobretudo, caminhar juntos para a missão”, acrescentou.

O núncio apostólico em Portugal encorajou também a Diocese de Beja a não ter medo de começar de novo, bem como “de experimentar caminhos novos”, “de confiar nos jovens”.

“Não tenhais medo, padres e diáconos, de dar responsabilidades aos leigos. Não tenhais medo de reconhecer os carismas das mulheres, que sois maioria absoluta. Não tenhais medo de acolher quem regressa. Às vezes somos duros com quem regressa”, desenvolveu.

No final da celebração, o representante do Papa em Portugal incentivou também os presentes a saírem ao encontro das respetivas paróquias, famílias, ambientes de trabalho, jovens e pobres.

“Ide ao encontro dos que sofrem. Ide ao encontro daqueles que perderam a esperança. Ide de ao encontro daqueles que estão à espera. Talvez sem sequer saberem que estão à espera de Deus. E não vos pergunteis. Será que somos suficientes? Perguntai antes. Estamos disponíveis?”, apelou.

Antes da celebração, D. Andrés Carrascosa Coso revelou, em declarações à Agência ECCLESIA, que visitava Beja pela primeira vez e que tinha previsto passar o dia na cidade, mas a tomada de posse do bispo do Algarve obrigou-o a limitar a sua presença à Eucaristia de encerramento.

“Vou prometer que vou voltar noutro momento para me encontrar com os padres, para encontrar com os membros da vida consagrada, com o laicado, etc”, disse.

O núncio apostólico em Portugal explicou que tem vindo a visitar as dioceses a convite dos bispos portugueses e desta vez foi o bispo de Beja que fez o convite.

“Acho que como representante do Papa, para fazer bem o meu trabalho, devo conhecer primeiramente o país e a Igreja. Se fico no escritório, não conheço nada”, mencionou.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

O arcebispo espanhol tem a certeza que vai ser possível arranjar um momento para organizar outra visita a Beja: “Vou voltar”.

Desde que foi nomeado núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso tem realizado visitas às dioceses que, confessa, incluem programas cheios de “encontros”, sobretudos com as pessoas, nomeadamente com os bispos, com os padres e também membros da vida consagrada.

“Em algumas dioceses, surpreendiam-se: ‘Mas o núncio quer-se encontrar connosco’. Sim, quero encontrar-me com os leigos. Conversar, não apenas falar para eles, mas também escutá-los e ter um diálogo”, referiu.

Eu acho que, como igreja, se queremos caminhar juntos, como deve ser, temos que nos conhecer, temos que nos falar, temos que escutar. E é isso que estou a fazer aos poucos. Acho que visitei metade das dioceses. Agora tenho um programa de três dioceses em oito dias. Aos poucos vou chegar todo o país”, acrescentou.

O Dia Diocesano de Beja, que se iniciou no Seminário da cidade, contou com a participação de cerca de 300 pessoas.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o bispo da diocese caracterizou esta como numa data “muito especial”, uma vez que a igreja diocesana se reúne para recomeçar, isto é, “lançar o ano pastoral”.

Este ano, o dia foi vivido com o mote “Beja, caminhando na Esperança – comunhão, participação e missão” e contou com a presença do núncio apostólico em Portugal que, para D. Fernando Paiva, é uma forma de significar a “vontade de caminhar em sintonia” com “a Igreja Universal”.

“[Beja] é um território de esperança porque temos Jesus connosco, porque de facto nós pomos a nossa confiança no Senhor e daí vem as razões da nossa esperança”, disse.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ, Chegada à Missa de encerramento do Dia Diocesano de Beja

A realização de Workshops foram a novidade deste Dia Diocesano de Beja, como resposta às sugestões dadas pelas comunidades, e centraram-se em várias temáticas, nomeadamente os “Migrantes: integração na Paróquia e no contexto escolar”.

Questionado como é que a Igreja tem respondido à realidade migratória no território, D. Fernando Paiva indicou que a Cáritas Diocesana está empenhada “de uma forma muito profissional nesta área” e que, em muitas situações, também as paróquias, através de” alguns sacerdotes”, “irmãs religiosas” e fiéis leigos” vão, de “uma forma muito próxima”, acolhendo quem chega, “com os poucos meios que têm”.

“Tentamos ser [acolhedores]. De facto é uma realidade que tem uma certa expressão aqui no nosso território, porque temos muita gente que vem, nomeadamente para os trabalhos agrícolas e então vem gente de muitas nacionalidades”, explica.

O bispo de Beja fala em vários desafios como a questão da língua e aborda a integração nas comunidades, destacando que a maioria das pessoas que chegam a Beja de outras origens vem de outras confissões religiosas: “Ainda assim, há esta proximidade, há este acolhimento que vai acontecendo”.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

No grupo de participantes dos workshops esteve Marta Miguinhas, da paróquia da Vidigueira, onde pertence ao Conselho Económico e Pastoral, que integrou as oficinas intituladas “Conselhos Pastorais Paroquiais” e “Fé para todos – A Escola de Cultura Teológica”.

“[No workshop] da Escola de Cultura Teológica fui no sentido de dar o testemunho porque também frequento a escola, vou para o segundo ano. E no Conselho Pastoral Paroquial aprendi uma coisa muito importante que é: nós termos o dever, entre muitas coisas, de participar e de coadjuvar”, testemunhou.

Marta Miguinhas decidiu participar no Dia Diocesano de Beja, “acima de tudo”, pela “troca de experiências” e porque a iniciativa proporciona o encontro com pessoas com quem não lida diariamente.

A participante salientou que se aprende “muito” com os momentos de partilha, de onde por vezes se vê uma solução para algum desafio que esteja a ser enfrentado na respetiva paróquia.

“Vou mais rica, levo conceitos que revivi, levo outros que estavam um bocadinho mais adormecidos e já percebi que tenho que os reavivar e viver. Portanto, vou mais enriquecida para casa e mais desperta também ao chamamento”, relatou.

LJ/OC







Entrar com palavras sábias…

Olá Bom Dia e Bom Domingo

O novo bispo do Algarve, D. Vitorino Soares, tomou posse este sábado na diocese do sul do país… Na homilia da celebração e em conversa com os jornalistas deixou palavras sábias, um autêntico programa pastoral.

Vamos recordar algumas afirmações:

- «Na Igreja, a autoridade nunca é domínio, é serviço. O governo nunca é poder, é cuidado. A grandeza nunca consiste em ser servido, mas em servir. O bispo não caminha à frente porque é superior aos outros, mas porque recebeu uma missão de abrir caminhos de esperança para todos”.

- «Cada visitante pode encontrar aqui não apenas praias e paisagens, mas uma Igreja viva, acolhedora e evangelizadora, uma Igreja de portas abertas, uma Igreja onde todos possam descobrir que Cristo continua vivo».

- «Acho que a experiência paroquial é a melhor escola para um sacerdote e acredito também para um bispo».

- «A esperança só se pode enraizar e promover no contato com as pessoas».

O Santuário de Fátima vai receber hoje milhares de motociclistas, convidados a viver um dia de “oração e convívio” na 11.ª Peregrinação da Bênção dos Capacetes.

A novidade desta edição é a realização da Bênção dos Capacetes, pela primeira vez, também na Madeira e nos Açores. No mesmo dia e em moldes idênticos aos da celebração que terá lugar na Cova da Iria, as dioceses de Angra e do Funchal acolhem a iniciativa da ABC — Associação Bênção dos Capacetes e dos motoclubes locais responsáveis pela proposta”, refere uma nota divulgada pelo santuário nacional.

Na Cova da Iria, a peregrinação será presidida pelo patriarca de Lisboa, D. Rui Valério.

“Os motociclistas terão também uma participação ativa nas celebrações, assegurando diferentes serviços, como o acolhimento dos peregrinos, a recitação do Rosário, o transporte do andor, a proclamação das leituras e o apoio à distribuição da Comunhão”, adianta o comunicado

Em 2025, estiveram presentes no Recinto de Oração cerca de 180 mil motociclistas.

Propostas para hoje… No entanto não esqueça de ver o programa 70X7 na RTP2, pelas 13h00. Depois fica disponível no site desta agência da Igreja Católica.

Já sabe que pode acompanhar toda a atualidade religiosa, em Portugal e no mundo, no site www.agencia.ecclesia.pt/portal/

Cumprimentos

Luis Filipe Santos

 

 


agencia.ecclesia.pt