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domingo, 22 de dezembro de 2024

Presépio na igreja matriz de Grândola


Presépio montado pelos escuteiros, do Agrupamento 670 do Corpo Nacional de Escutas, na igreja matriz de Grândola, no dia 22 de dezembro de 2024.





sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Presépio da catequese


Na frente da igreja matriz de Grândola, já brilha a luz de um presépio executado pela catequese da paróquia.



quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Conto: Falta o burro no presépio!

Aproximavam- se as férias de Natal. A pequena escola na vila de Pinhal Velho estava em grande excitação! Preparava- se a festa do último dia de aulas, aberta aos pais e famílias dos alunos…Cada turma da Primária tinha um encargo: o 1º ano, cantava canções alusivas em inglês e português; o 2º ano fazia uma árvore de Natal grande e ‘humana’, pondo todos vestidos de verde e castanho, um grupo sentado no chão, atrás ficava outro grupo de alunos sentado em cadeiras, mais atrás ainda, alguns alunos de pé; o 3º ano representava um auto de Natal e o 4º ano teria a seu cargo a apresentação da festa e entretanto fazia cenários para o auditório, decorações para os corredores e para a entrada da escola.

Na turma da Zita e do Valter, o 3º ano, a jovem professora que já os acompanhava desde o primeiro ano, queria que todos os alunos entrassem, com jeito, ou sem ele, todos tinham que representar, alguns falando, outros atuando apenas como simples figurantes…contudo, quando a professora pedira para cada um trazer algo que os identificasse, por ex. coroas feitas em casa para os Reis, bengalas para os pastores, collants e casacos brancos para as ovelhas, etc …de repente começaram todos a discutir por causa de um problema: ninguém queria fazer de burro… mas era preciso um burro!

‘E agora? Não temos burro…’- diziam os alunos…’ E se pedíssemos ao tio Zé da Chica para nos emprestar a burra dele?’

Diziam outros. ‘Nem pensar, sujava tudo e era uma complicação trazê-la para o palco…’ comentavam outros.

Então, para que não houvesse mais disputas, a professora acalmou a turma e propôs reservar dez minutos no final das aulas desse dia para que cada um escrevesse o seu nome num papelinho, o dobrasse e colocasse num saco. Noutro saco a professora iria pôr os nomes das figuras necessárias para montar o presépio…Depois, cada aluno viria tirar um papel de cada saco, aleatoriamente, lia em voz alta o nome e o papel a desempenhar, e todos aceitariam o que lhes coubesse em sorte… e a turma, um tanto apreensiva por causa do burro, lá concordou que seria mais justo assim!

Havia 25 alunos, por isso alguns fariam de Nossa Senhora e S. José; alguém emprestaria um boneco para fazer de Menino; outros fariam de Reis Magos, Estrela, anjos, pastores, carneiros, vaca …e outros teriam simplesmente de segurar uns painéis pintados a imitar palmeiras e outros ainda, ficariam a segurar o cenário envolvente da gruta de Belém …enfim, alguns teriam estes papéis mais modestos na verdade, mas isso não era problema… o verdadeiro problema era mesmo encontrar alguém que não se importasse de fazer de burro…porque ninguém queria esse papel!!!

‘Eu, burro???‘ diziam os miúdos, contrafeitos. É que a fama de burro não era coisa muito prestigiante numa escola!

E aconteceu que o burro, por sorte, ou por azar, foi recair precisamente no melhor aluno da turma… o Valter, um rapazinho que tinha sempre as melhores notas, mas que talvez por isso mesmo era conhecido por ser demasiado vaidoso do seu saber… Quando ele ouviu o seu nome e o papel que lhe cabia, houve uma gargalhada geral… a professora logo os mandou calar a todos, ao ver o aluno de cara muito vermelha, quase a chorar, sair da sala, sem dizer uma palavra… então despediu-os a todos e resolveu que falariam de novo dos preparativos no dia seguinte! Entretanto, a professora ainda correu até ao portão para falar com o Valter, mas ele já ia longe, a caminho de casa. Ao atravessar o recreio e o átrio da escola, a professora já vinha a arquitetar um plano B… e pensava que na falta de um burro, ela própria, sem dizer nada aos alunos, não teria dúvidas em fazer de burro…seria uma surpresa para eles, seria até divertido, mas sobretudo, sem palavras, seria um modo de lhes ensinar alguma coisa muito importante para a vida… talvez mesmo mais importante que muitas lições de português e aritmética…

Voltando à sala, a professora ficou admirada ao ver Zita à sua espera…

Zita era nova na escola, muito tímida, tinha nítidas dificuldades de aprendizagem, e estava bastante atrasada nas matérias em relação aos outros alunos… às vezes os colegas riam-se um pouco dela, mas a professora falava em particular com cada um e ensinava-os a não troçar da colega… e explicava- lhes que Zita tinha vivido no Canadá, por os pais serem emigrantes, e tinha estudado em francês pelo que o português era mais difícil para ela… mas entretanto, desde que chegara, Zita já tinha feito amizades, por ter muito bom coração. Sempre partilhava as bolinhas de queijo e compota que trazia para merenda a meio da manhã, ao ponto de as dar todas e não comer nenhuma… sem que os colegas dessem conta, mas a professora via…

Emprestava os seus materiais, quando alguém precisava e por tudo isso era a menina a quem todos recorriam quando em apuros…

Naquela tarde, Zita, com alguma vergonha, quis dizer à professora que não se importava de fazer de burro, até porque sabia que era a pior aluna da turma… e assim, se a professora aceitasse, trocaria o seu lugar pelo papel do Valter, pois talvez ele gostasse mais de fazer de Rei Mago…

A professora abraçou Zita com emoção e ternura, agradeceu-lhe o seu gesto, mas respondeu que não se preocupasse porque voltariam a falar do assunto mais tarde…

E ao chegarem à escola, na manhã seguinte, os alunos encontraram imagens de todas as figuras do presépio coladas nas paredes e um trabalho inesperado para fazerem, no âmbito da Língua Portuguesa. Entretanto, professora não voltou a falar no burro…

Cada aluno, ao longo desse dia, deveria investigar sobre a figura que lhe coubera em sorte, procurando informação na biblioteca da escola, ou mesmo entrevistando professores, ou pais, à entrada e saída da escola. Poderiam acabar os trabalhos em casa e no dia seguinte fariam leitura em voz alta… e acabariam as suas composições com uma frase ‘ … vou fazer de… mas o que eu gostava mesmo era de ser…por esta razão …’ e teriam de explicar a sua preferência.

No dia seguinte, já todos os alunos se preparavam para começar a leitura dos seus trabalhos, mas faltava o Valter… (ele que nunca faltava, nem se atrasava!).

Ao chegar a vez de Zita, uma das últimas a fazer a sua pequena apresentação, e quando esta, um tanto envergonhada começou a ler o seu trabalho, gaguejando um pouco, de repente, ouviu-se bater à porta e Valter apareceu a pedir licença para entrar. Numa voz quase inaudível e visivelmente atrapalhado, pediu desculpa pelo atraso, sentou-se e muito encarnado, começou a tirar as folhas do seu dossier, com as mãos a tremer… então ouviu-se a voz de Zita a ler, em tom hesitante:

‘… eu pensei melhor e acho que gostaria de trocar com o Valter… eu podia fazer o papel de burro, porque tenho voz forte e sei zurrar e o Valter seria um Rei Mago melhor do que eu, porque ele é muito alto, parece um rei, fala muito bem e eu não…’

Fez- se um grande silêncio na sala… Valter, olhou espantado para Zita! Entretanto, todos os colegas, apesar de tão jovens, perceberam a generosidade de Zita e de repente começaram a bater-lhe palmas…

Enquanto, Zita, muito envergonhada se sentava, chegou a vez de Valter ler o seu trabalho… então ele levantou-se, e igualmente pouco à vontade, disse:

‘Eu trazia aqui um texto para ler à turma… mas quando o escrevi estava zangado… vou rasgá-lo e deitá-lo fora… eu não queria ser o burro, mas sou burro mesmo…a Zita deu-me agora uma grande lição… e eu peço à nossa professora que a Zita continue a ser Rei Mago, porque ela merece… e eu faço de burro, que é mesmo o que eu preciso… além disso, ontem à noite, a minha mãe mostrou-me um livro onde se via uma pintura de um burro que levava Jesus sentado em cima, a entrar em Jerusalém quando já havia muita gente que O queria matar… acho que se calhar o burro novinho que estava ali no estábulo podia ter sido aquele mesmo burro que muitos anos depois levou Jesus… porque fui investigar e descobri que os burros vivem muitos anos, no mínimo uns 30 anos… eu afinal acho que posso ser o burro… e estou a pensar que até é uma honra ser o burro do presépio… ele também foi um burro importante!!!

Foi então a vez de a professora se pôr de pé, comovida, e bater palmas ao Valter, abraçando-o a ele e à Zita.

Naquela escola, naquele ano e nos anos seguintes, a história da Zita e do Valter foi muito falada… e quando chegou o dia da festa, a mãe de Zita levou o seu último bebé de poucos meses e colocou-o numa caminha para servir de Menino Jesus… a turma viveu um dos seus melhores momentos naquela ocasião!

E a festa de Natal foi um êxito retumbante…

O tempo foi passando, a amizade entre Zita e Valter cresceu. Valter deu muitas explicações a Zita, na escola Secundária que ambos frequentaram, e ela melhorou o seu rendimento escolar de forma impressionante e ganhou confiança nas suas capacidades… por seu turno, com Zita, Valter aprendeu a reconhecer as qualidades dos outros… aprendeu tanto, tanto… que na adolescência se apaixonou por ela e um dia vieram a casar…

Hoje, já reformada, velha e cansada, quando a professora recorda as suas memórias e os seus queridos alunos, ainda lhe brilham os olhos ao falar daquela célebre festa de Natal em que fazia falta um burro no presépio…







Fátima Fonseca


quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Neste Natal

Neste Natal quero ser para todos uma janela aberta, um dia de sol, o calor de uma lareira, e um canto de alegria. Neste Natal gostava que todos soubessem sorrir, escutar, falar, e perdoar. Neste Natal gostava que todos soubessem partilhar emoções com ternura, frontalidade e autenticidade. Neste Natal deixa entrar aqueles que estão presentes em ti, o “outro", o diferente, e procura ser um pouco melhor contigo mesmo! Entrega a Deus, neste Natal, toda a tua existência. Será que na nossa família aproveito bem o meu tempo, para estar com filhos, netos, noras, pais e amigos? É difícil. Mas o tempo é um dom, não nos pertence e é breve.

Neste tempo, ter temperança nos comeres, nos presentes, nas tecnologias, pois a sociedade de consumo monta-nos e desmonta-nos como fantoches uniformizados.

Neste tempo não olhemos com desprezo aqueles que nos rodeiam. Fazer como Maria: olha para tudo que está à Sua volta com muita alegria e guarda tudo no seu coração.

Em cada Natal Jesus ultrapassando as barreiras do tempo leva-nos para junto do Presépio. Que coisas maravilhosas nos sugerem na meditação do Presépio: a beleza, a simplicidade, humildade, etc. Temos S. José, homem justo, pai e esposo fiel, o pilar, o sustento, a viga mestre da Família Santa. Temos Maria, canal de todas as graças. No meio do Seu silêncio um mensageiro com voz suave murmurou, “Não tenhas receio“ o Espírito Santo desceu sobre Ti “Quebrou-se o silêncio: Eis-me aqui, faça-se em mim segundo a Sua palavra." Agora proclamamos-Te Mãe de Deus e nossa Mãe. Coração de Mãe que conhece a nossa pobreza e tem as mãos abertas para todas as nossas lágrimas.

Maria sabia que o seu bebé era o Messias prometido, mas não houve sequer um quarto para albergar o Seu Filho. Ficou alegre ao vê-lo nos seus braços. Sabia que todas as trevas se dissipavam nos vales e todas as esperanças recuperavam o seu esplendor perdido. Perante isto obriga-nos a calar-nos. A sua figura simples convida-nos ao recolhimento.

Tenho medo Maria de que a Estrela que empalideceu o fulgor dos astros se nos apague na nossa viagem. Mas é essa mesma Estrela que pega no homem para nos levar até Deus. Maria é um presente que Jesus pôs no nosso caminho. Que o seu “Sim” seja um exemplo para nós. Da qualidade do nosso sim depende a plenitude da nossa vida. Tudo passa pelo nosso interior; alegrias, dificuldades, tristezas, projetos, a vida dos filhos, netos e de tantas pessoas que esperam por nós.

Natal é amor e liberdade que brota da Boa-Nova do nascimento de Jesus.

Um Santo Natal

Luísa Loureiro


terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Serenamente Natal

Quando Deus elegeu o seu povo fez-lhe uma promessa que cumpriu, revelou-Se progressivamente aos homens através dos profetas semeando nos seus corações a esperança na Sua vinda para nos salvar, a qual se consolidou em Jesus Cristo.

Uma nova Estrela brilhou no firmamento indicando o lugar onde estava o Menino e através dos séculos, crentes ou não, todos os Homens procuram o Caminho que conduz à Paz, à beleza do Natal, à essência da Esperança que urge reinar neste nosso mundo, cada vez mais assolado por intempéries desoladoras e embrenhado em muitas névoas, como consequência da fraqueza humana.

A salvação prometida projetou-se no mundo e deu início à maior e mais formidável revolução de todos os tempos e lugares, no universo. Desabam os deuses do Olimpo, temperamentais e vingativos, em seu lugar surge um Pai do Céu, meigo, compreensivo, caridoso, que perdoa e não condena, que à vingança sobrepõe o Amor e conduz a um “Caminho” de liberdade, eleva as almas ao nível do sobrenatural, afastando-as, para sempre, da pesada solidão que as escravizava e oprimia, numa vida terrena e térrea, sem sentido e vazia de esperança.

O Homem criado à imagem de Deus e chamado a conhecer e a amar o seu Criador, pode aceder ao Seu conhecimento através do mundo e da própria interioridade humana, pois contém em si a “revelação natural de Deus”.

A época natalícia é, por excelência, um tempo para louvar e regozijar desta bênção que, há mais de dois mil anos caiu sobre nós e revolucionou o coração da humanidade.

A moral cristã não é apanágio do sábio ou duma elite, mas está ao alcance de todos, a fé tem a primazia sobre a inteligência. Ser cristão não consiste em fazer muitas especulações teóricas, nem numa mera luta contra o pecado, mas em amar a Deus com obras e deixar-se amar por Ele.

O ser humano pela sua inteligência ou centelha divina está aberto à Verdade, à Beleza, possui o sentido moral do Bem e goza da liberdade e da voz da consciência que lhe permite querer e poder excluir o mal e optar pelo bem, aspirando ao infinito, pois sente e pressente que é portador duma semente de eternidade, algo que lhe dá a conhecer que não é só matéria finita e corruptível, mas a sua origem está para além do reino animal e vegetal, ele é o resultado da ação divina de Deus criador, imenso, infinito e imortal.

Filho de Deus desde o princípio dos princípios, eleito para Seu povo desde Abraão (século XIX-XVIII a. C.) a David (século IX a. C.), o Homem foi mantendo a esperança da salvação prometida e esperou uma nova e eterna aliança destinada a todos os homens, a salvação que chegaria a todas as nações.

O lugar do nascimento do Salvador do mundo foi Belém de Judá, aldeia Natal de David, porque assim estava escrito pelo profeta Miqueias.

Num oceano de negrura surgiu uma Luz de Esperança, um convite à Salvação, um apelo à Adoração ao Menino nas palhinhas nascido e ao poder divino elevado.

O sinal está dado, à nossa espera para nos guiar temos a Estrela fundada por Jesus – A Igreja – instituída para nos guiar. Adoremo-LO, contemplemos o Presépio e com os Anjos cantemos:

“Glória a Deus nas alturas e Paz na terra aos homens por Ele amados.”

Feliz e Santo Natal

Maria Susana Mexia


sábado, 20 de novembro de 2021

Um Menino nasceu para nós

Muitos dizem que a maior alegria desta vida é o nascimento de uma criança. É algo extraordinário que transforma todos aqueles que a rodeiam: mãe, pai, irmãos, avós, amigos, vizinhos. Desencadeia grandes energias, que pareciam já não existir, e ajuda a superar fadigas “invencíveis”: cansaço, incómodos, noites sem dormir.

Assim é o Natal!

O nascimento de Jesus é um acontecimento extraordinário que nos permite renascer espiritualmente todos os anos. No Menino deitado na manjedoura encontramos força para superar todas as provações que se possam apresentar na nossa vida.

«Um Menino nasceu para nós, um filho nos foi dado”, diz-nos o profeta Isaías (Is 9, 5). Sim, Jesus nasce para cada um de nós. O Filho de Deus por Natureza vem para nos tornar filhos de Deus pela graça.

Deus vem como Filho a este Mundo, criado por Ele, para nos transformar todos em filhos de Deus e herdeiros do Céu.

Este é o ponto de partida de cada renascimento espiritual que estamos chamados a realizar na nossa vida e que se torna mais fácil fazer na Noite de Natal: reconhecermo-nos de verdade filhos de Deus, amados infinitamente pelo Pai que está nos Céus.

Parafraseando umas palavras do Papa Francisco numa Noite de Natal:

És, Tu, Jesus, o Filho que me torna filho. Amas-me como sou, não como gostaria de ser. Abraçando-Te, Menino, reabraço a minha própria vida com todas as suas misérias e limitações. Tu que vens para me salvar, ensina-me a ser instrumento nas tuas Mãos para salvar os outros. Tu que nunca me deixas só, ajuda-me a não deixar ninguém sozinho porque, a partir desta Noite, todos somos irmãos, filhos de um mesmo Pai.

Um Santo Natal, para todos! 

Pe. Rodrigo Lynce de Faria














quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Olhando o Presépio

Terminadas as festas natalícias temos que retirar todos os enfeites, desmanchar o Presépio e guardar, com cuidado, as figuras que estiveram a recordar-nos esse facto excepcional que ocorreu há mais de 2000 anos.

Aconteceu que ao olhar detidamente as figuras nucleares – José, Maria e o Menino – a minha imaginação fugiu para o tempo em que estas pessoas estiveram na terra.

Maria é a jovem Mãe, José o jovem Pai preocupado e atento, o Menino é a ternura. Todas as crianças são encantadoras, mas este Menino é Deus; este menino está dependente em tudo de Maria e de José como qualquer recém-nascido. 

Vendo o Menino nas palhinhas lembro-me de todas as incomodidades que viveram naqueles dias gloriosos em que Jesus nasceu. Não houve lugar para eles nas hospedarias, sobretudo não havia o recato necessário para o acontecimento mais importante da vida do jovem casal.

De casa em casa, de lugar em lugar, foi-lhes indicada uma gruta em que se recolhiam animais.

Aí chegados, decerto procuraram arranjar a melhor maneira de preparar tudo para a vinda desse Menino tão especial, como são todos os filhos mas, este em particular, porque José e Maria sabiam que era fruto do Espírito Santo; Maria concebeu e José foi encarregado, pelo mesmo espírito Santo, de proteger e educar.

O Menino nasceu, como diz a canção popular,” com o Sol pela vidraça”, sem causar qualquer dano a Sua Mãe que assim permaneceu Virgem.
O ambiente não era, decerto, bem perfumado, mas a presença dos animais dava calor e conforto.

Ao fazer pela primeira vez o Presépio, S. Francisco de Assis colocou um burro e uma vaca para acalentarem o Menino.

Era natural que na gruta de Belém houvesse vacas e um burro meia pertença do casal porque para se deslocarem a Belém, Nossa senhora foi montada num burro pois o caminho era logo e não poderia ir a pé estando no fim do tempo de gravidez.

Pela minha imaginação passaram as muitas pessoas que acorreram a Belém para o recenseamento, a cidade teria muita gente de fora, pois o Édito do Imperador obrigava a que todos fossem à cidade de origem da sua família e José era da descendência de David e belém era sua cidade.

Na noite calma, os pastores estavam nos campos a guardarem os seus rebanhos e foram surpreendidos pelos Anjos que lhes deram a notícia do nascimento do Messias.

Como é costume no oriente, não iriam visitar o Menino sem lhe oferecerem alguma coisa, procuraram e viram que tinham leite, queijos, bezerritos e com estes simples presentes, procuraram a gruta seguindo as indicações dos Anjos.

Nossa Senhora ouviu-os, agradeceu os presentes e mostrou-lhes o Menino.

Foi grande a sua surpresa com a presença dos pastores porque não disseram a ninguém o que se passara e concluiu que os pastores sabiam do facto por outras vias e guardava tudo no Seu coração.

Teve também a visita dos Reis Magos, que tinham sabido por uma estrela. Estes trouxeram ouro, incenso e mirra. O ouro era oferta ao Rei, o incenso ao Santo e a mirra ao mortal.

Logo ali senti que Jesus reunia todos; os Judeus – os pastorem – os Reis Magos.

Na adoração ao Menino Jesus estiveram pessoas simples do povo e sábios intelectuais, isto é, todos temos possibilidade e lugar para adorar a Deus, que, desde o berço, não faz acessão de pessoas.

Voltando à realidade fica-nos esta surpresa enorme de ver um mistério tão complexo que é o Amor que Deus tem a todos os homens e O levou a encarnar para nos alvar e restabelecer a difusão da Graça por todos e cada um de nós.

E, facilmente, consegui acabar de arrumar todas as figurinhas.
 
Margarida Raimond
professora






domingo, 25 de dezembro de 2016

Humildade diante do presépio

Nesta Noite Santa, sobre o povo que andava nas trevas, resplandeceu uma grande Luz. Sobre cada um de nós, especialmente no fundo da nossa alma, brilha essa Luz ímpar que marca o tempo da História: o nascimento do nosso Deus!

Não há lugar para dúvidas. Deixemo-las para os cépticos que, como diz o Papa Francisco, por interrogarem somente com a razão — esquecendo a pequenez de cada ser humano — nunca chegam à Verdade com letra maiúscula. 

Nesta Noite não há lugar para a indiferença nem para a apatia. Se acreditamos de verdade que Deus Se fez Homem e veio à Terra para nos salvar, tudo o resto — preocupaçõezinhas, egoísmozinhos, orgulho ferido — adquire um sentido muito relativo.

Se vivemos bem o Natal — não só de um modo exterior-superficial — voltamos a redescobrir a nossa grandeza e a nossa pequenez. 

Grandeza porque somos de verdade filhos de Deus. Ele veio à Terra para nos recordar que valemos muito. Não somos produtos do acaso. Deus conta connosco para recordar a tantos a sua dignidade — muitas vezes desfeita por um orgulho de pretender viver sem contar com Ele.

Pequenez porque sem Deus não podemos nada. Somos o único ser nesta Terra que é consciente da sua mortalidade. E também somos o único que, tantas vezes, se comporta como se fosse imortal. Como se fosse Deus. Como se não necessitasse da salvação que Ele nos traz.

Não é só Deus que ama o humilde e rejeita o soberbo. Nós fazemos o mesmo. A modéstia, quando é sincera, atrai. Faz com que uma pessoa seja amada, a sua companhia desejada e a sua opinião valorizada.

Com Maria e José, possam os nossos corações ficar maravilhados contemplando Jesus reclinado numa manjedoura. E que diante da modéstia do nosso Deus brote um propósito sincero que resolverá tantas “tragédias” da nossa vida: sermos humildes de verdade.


Pe. Rodrigo Lynce de Faria





Os solteiros e o Natal

No Natal são feitos planos em família e com os amigos. Os caminhos de Deus são múltiplos e o solteiro também é chamado a viver com plenitude este tempo. Estando sozinho ou a namorar, interessa estar junto de quem Deus colocou ao nosso lado. Por isso, a missão principal do solteiro é a “Paz no Mundo”, como diria uma bela Miss Universo, erradicar a fome em África ou o seu trabalho? Ou a sua família mais próxima? Podem ser todas, mas esta última é a que, em primeiro lugar, lhe "pede de beber", de "vestir", de ser "visitada" ou ouvida.

Sejam eles um pai, uma mãe, uma avó, um irmão que vem de longe, um filho ou uma filha. São essas pessoas que Deus nos pede que devotemos a nossa atenção e Amor, gostando delas ou não! Até formar uma nova família, é agora esta a sua família. É este o seu “próximo”. É aí que crescem virtudes que serão muito importantes no futuro: a misericórdia, a amizade, a paciência, o perdão, a alegria. E quem sabe se não aparece um amigo ou amiga interessante no meio das rabanadas, dos presentes e dos enfeites! 

Por isso, se é solteiro e está a sair com alguém, ofereça-lhe algo, esteja com ela, mas não se esqueça da sua família. Se tivermos numa fase mais avançada de uma relação com alguém, pode ser uma boa altura para conhecer a família do nosso namorado (a)! O Natal, no fundo, é isso. Um espaço de receber e dar. Receber de “quem nos amou primeiro” (1, Jo, 4:19-20) – Jesus - e na terra os nossos Pais -  para poder depois dar. E só dá quem tem algo para dar. E ter, é receber da fonte do Amor - Deus - que agora no Natal é um bebé pequeno, pois quer chegar a nós. Seria estranho vir como um Rei ou como outro homem "importante", por exemplo. Como veio pequeno e numa simples manjedoura, todos podem beijá-lo e brincar com ele. É este o mistério do Natal, acessível a quem se deixa tocar e preencher com este calor de Belém: pequeno no olhar, grande no coração.

Nota: António Pimenta de Brito escreve conforme o novo acordo ortográfico.

António Pimenta de Brito








Natal – Festa de júbilo e salvação


O amor infinito de Deus volta a apresentar-se de forma especial no tempo de Natal, projectando uma grande luz sobre o destino da humanidade, chamada à união mais íntima com o Criador. A presença de Jesus no meio do seu povo liberta-o do peso e das tristezas da vida e restabelece o júbilo e a alegria. 

A luz do nascimento de Jesus traz consigo a força para dissipar as trevas deste nosso mundo que, de tantas formas, luta por se afastar de Deus. Ao povo que caminhava nas trevas e aos que habitavam na região de sombras da morte, apareceu uma grande luz, a qual continua ainda a brilhar em toda a sua bondade. Não obstante os trágicos e tristes acontecimentos que ocorrem em muitas partes do mundo, ela ilumina-nos com a mesma clareza diáfana que iluminou aquela noite em Belém, há mais dois mil anos. 

Nesta abençoada noite de Natal voltemos à casa de Deus, atravessando as sombras que envolvem a Terra, mas guiados pela chama da fé, que guia os nossos passos, aquece a nossa alma e animados pela esperança de encontrar a «grande luz» abramos o nosso coração para poder contemplar o milagre daquele Menino-Sol que, surgindo do alto, iluminou todo o horizonte.

Natal é uma verdadeira festa da alegria, é um convite real para adorarmos Deus. Em todos os lugares do mundo, também naqueles onde se persegue a Igreja, haverá quem diga ao Senhor: sabemos que nasceste hoje, viemos adorar-Te em nome de todas as criaturas, porque estas palavras são uma resposta da Santa Igreja ao clamor dos Anjos que se ouviu no mundo, rompendo o silêncio e a escuridão dos séculos: Glória a Deus nas Alturas e Paz na Terra aos homens por Ele amados.

Na gruta de Belém, o Céu e a Terra tocam-se, porque ali nasceu o Criador do mundo, o Redentor da humanidade. De lá se espalha uma claridade que é para todos os tempos, também para o nosso, tão necessitado da orientação divina. Ao prepararmo-nos para celebrar de novo a vinda do Senhor, e ao considerar que a sua alegria é estar com os filhos dos homens, enchamo-nos de esperança, o Senhor aproxima-se sempre de nós e permanece ao nosso lado.

Contemplemos a Virgem Maria, com São José, a cuidar de Jesus recém-nascido na pobre gruta que os alojou em Belém. A tradição de fazer o Presépio é uma magnífica recordação de que o Verbo Divino habitou entre nós. “O Presépio é expressão da nossa espera, de que Deus se aproxima de nós, de que Cristo vem a nós, mas é também uma expressão de acção de graças Àquele que decidiu partilhar a nossa condição humana, na pobreza e na simplicidade”.

Também as luzes e os enfeites decorativos evocam o desejo do bem que vive no mais profundo do coração humano, a luz do bem que vence o mal, do amor que supera o ódio, da vida que derrota a morte. Ao vermos as ruas e praças das cidades enfeitadas com luzes resplandecentes, recordemos que estas luzes evocam outra Luz, invisível aos olhos mas não ao coração. Enquanto as apreciamos, ao acendermos as velas nas igrejas ou a iluminação do Presépio e da árvore de Natal nas nossas casas, o nosso ânimo abre-se à verdadeira Luz Espiritual, trazida a todos os homens de boa vontade. 

O Menino - Deus connosco, nascido da Virgem Maria em Belém, é a Estrela da nossa vida! 

Feliz e Santo Natal

Maria Susana Mexia












Natal 2016


Votos de Boas Festas




quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Feliz Natal

A equipa do CONSOLATA MUSEU | Arte Sacra e Etnologia deseja-lhe os votos de um Santo e Feliz Natal!


Presépio de Maria Amélia Carvalheira da Silva
Coleção do CONSOLATA MUSEU | Arte Sacra e Etnologia



quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Queremos que Cristo reine


“Nunca vos arrependereis de tê-Lo amado”. O Senhor é bom pagador já nesta vida quando somos fiéis. Que será no Céu! Agora temos que propagar o reinado de Cristo na terra, no meio da sociedade em que nos movemos; sentir-nos permanentemente responsáveis por dilatá-lo no ambiente em que nos desenvolvemos, a começar pela família: “ Não abandoneis os vossos pequenos; contribuí para a salvação do vosso lar com todo o esmero”, aconselhava vivamente Santo Agostinho.

Regnare Christum volumus – Queremos que Cristo reine, em primeiro lugar no íntimo do nosso ser, na nossa inteligência, na nossa vontade, nas nossas famílias, em toda a sociedade e pelo mundo além, porque a vida é um tempo para fazer frutificar os bens divinos, aqueles que não perecem.

Ele é o Alfa e o Omega, o primeiro e o último, o princípio e o fim. Só n´Ele os nossos afazeres aqui na terra encontram o seu sentido, por isso queremos que Ele reine sobre nós, Ele que é o autor do universo e de cada uma das criaturas. Veio para os seus, mas não se impôs com atitudes de poder, nasceu numas pobres palhinhas e pede-nos migalhas de amor.

O mundo de então ansiava por Ele, mas na estalagem não havia lugar, o mundo de hoje procura desesperadamente a salvação, sejamos obreiros, mensageiros e portadores da Boa-Nova – o Céu anunciou o nascimento da Estrela que nos guia, o Nosso Salvador, o Caminho, a Verdade e a Vida.

Neste Santo Natal de 2016 abramos as portas do nosso coração ao Menino Deus e embevecidos como Maria e José, contemplemo-Lo com olhos de Amor e desejos de Paz na Terra.

Suzana Maria de Jesus


O Natal do meu descontentamento


O Natal é uma festa Cristã e não pagã, nem comercial. Penso que toda a gente de bom senso, bem-intencionada e minimamente esclarecida ou informada sabe isso.

Porém, a força dos tempos, o excesso de consumismo, a leveza das vivências tradicionais, culturais e religiosas, provocaram um terramoto enorme na cabeça das pessoas, com reflexos na sua fé que passou a ficar muito aquém, e da sua bolsa que passou a gastar muito além.

A tontaria das compras, a alienação das prendas, o ruído verdadeiramente ensurdecedor da publicidade nos meses que se lhe antecedem, é uma afronta e um reflexo de como a nossa sociedade virou patética, sem referências nem valores que não sejam o comprar a todo o custo, gastar, descartar e desconstruir.
Natal para muitos é glamour, comezainas natalícias, iguarias e sofisticadas mesas de consoada para competir, para impressionar, para não ficar em minoria, para fingir o que não é e disfarçar o que não tem. É barulho exterior, luzinhas, bugigangas, artefactos e tantas outras coisas.

Essência natalícia? O que é isso? Momento de Amor e Adoração ao Menino? Qual menino? Isso é uma história mal contada, para iludir os pobres de espírito, os fracos de cabeça que acreditam no Evangelho e nessas coisas que os Padres dizem…

Em pleno século XXI quando nos querem convencer de que tudo é relativo, o anormal e bizarro passou a ser assumido com orgulho, o politicamente correcto é o que comunicação social constrói para vender como verdade e o crime vai deixando de o ser quando se legisla a seu favor por decisão de algumas minorias de mentes brilhantes, ainda há quem queira venerar o Filho de Deus feito Homem que veio ao mundo num lugar inóspito e deu a vida para nos salvar?

Pois é meus amigos e caros leitores, não obstante tudo o que escrevi, aqui estou para dizer não ao natal do meu descontentamento e desejar a todos Santas Festas, com muito Amor e Esperança na certeza de que a nossa Fé nos salvará, o Deus Menino nunca nos abandonará e do Céu sempre nos abençoará.
José M. Esteves