Francisco embarcou hoje rumo a Seul e retorna ao Vaticano na próxima segunda-feira, dia 18
Cidade do Vaticano, 13 de Agosto de 2014 (Zenit.org)
O papa Francisco iniciou nesta quarta-feira a sua terceira
viagem internacional como pontífice. Depois de vir ao Brasil para a
Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro e de ir à Terra Santa em Maio para celebrar os 50 anos do encontro histórico entre o papa Paulo
VI e o patriarca Atenágoras, Francisco partiu do aeroporto romano do
Fiumicino na tarde de hoje, com destino a Seul.
No último dia 13 de Abril, depois da oração do ângelus, o papa
anunciou publicamente a viagem ao país asiático. "Tenho a alegria de
anunciar que, se Deus quiser, no próximo dia 15 de Agosto, encontrarei
em Daejeon, na República da Coreia, os jovens asiáticos que se reúnem na
sua grande concentração continental”. Depois, foram divulgados também
outros eventos significativos da viagem, como a beatificação de Paul Yun
Ji-Chung e dos seus 123 companheiros mártires.
No primeiro dia na Coreia, o Santo Padre se reunirá com a presidente
Park Geun-hye, com as autoridades institucionais e com uma representação
do corpo diplomático. À tarde, acontecerá o encontro com os bispos
coreanos.
Francisco será o segundo pontífice a visitar a Coreia do Sul, mas
esta será a terceira viagem de um papa ao país, já que João Paulo II
visitou a Coreia em duas ocasiões. A primeira vez foi em 1984 e a
segunda em 1989. O primeiro papa da era moderna a visitar o continente
asiático, por sua vez, foi Paulo VI, quando, em 1970, fez uma visita ao
Irão, Paquistão e Filipinas, além de Samoa Ocidental.
A constituição da República da Coreia foi promulgada em 1948. Em Dezembro de 1963, a república estabeleceu relações diplomáticas com a
Santa Sé. No ano de 2007, o presidente da Coreia foi recebido no
Vaticano por Bento XVI. Em 2009 foi a vez do seu sucessor Lee Myung Bak
ser recebido em Roma.
A Coreia do Sul tem uma superfície de 99.268 km2 e uma população de
50,2 milhões de habitantes, dos quais 5,4 milhões são católicos, ou
10,7% da população. As circunscrições eclesiásticas são 16, com 1.673
paróquias e 843 centros pastorais. Quem realiza as tarefas de
apostolado, junto com os fiéis católicos, são os 35 bispos, os 4.261
sacerdotes, os 516 religiosos, as 9.016 religiosas e os 10 diáconos
permanentes. Há ainda 56 membros leigos de institutos seculares, 123
missionários leigos e 14.195 catequistas. Os seminaristas menores são
395 e os maiores 1.489.
A Igreja católica tem no país 328 centros educativos de todos os
níveis, com 221 mil estudantes, além de 49 centros de educação especial.
Existem também 200 centros assistenciais de propriedade da Igreja ou
dirigidos por eclesiásticos, bem como 40 hospitais, 4 consultórios, 9
leprosários, 513 casas para idosos e deficientes, 277 orfanatos e
creches e 83 consultórios familiares e centros para a protecção da vida.
O crescimento da Igreja católica na Coreia do Sul é notável. Em 1949,
calculava-se que a população católica girasse em torno de 1,1%, com
apenas 81 sacerdotes e 46 paróquias. Logo após Concílio Vaticano II, os
católicos chegavam a 2,5%. Cinquenta anos depois, os católicos na Coreia
do Sul ultrapassam 10% da população.
O cristianismo foi introduzido no país pelos próprios coreanos antes
mesmo da chegada dos missionários estrangeiros. Foram alguns jovens
intelectuais que, através da leitura de livros sobre o cristianismo,
vindos da China, começaram a se interessar por essa fé. Em 1592, um
missionário espanhol, pe. Gregorio Céspedes, chegou ao território
coreano e passou seis meses, junto com um religioso japonês, como
capelão dos soldados, para quem celebrava a missa e administrava os
sacramentos. Foi no acampamento militar japonês que ele ensinou o
catecismo e baptizou alguns prisioneiros coreanos.
Em entrevista recente, o cardeal Pietro Parolin, secretário de
Estado, falando da viagem do Santo Padre à Coreia do Sul, explicou ao
Centro Televisivo Vaticano que "a importância desta viagem tem três
aspectos principais: o primeiro é o fato de que o papa, pela primeira
vez, se dirige ao Extremo Oriente, uma região do mundo que ganha
relevância cada vez mais acentuada na política e na economia mundial. O
segundo é que o papa se dirige a todo o continente, não somente à
Coreia, graças a esta celebração da jornada asiática da juventude, da
qual participarão representantes da juventude dos países vizinhos. O
terceiro aspecto é o do futuro: a juventude representa o futuro e,
portanto, o papa se dirige ao futuro desse continente, ao futuro da
Ásia".
(13 de Agosto de 2014) © Innovative Media Inc.
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