O Patriarca de Jerusalém, Twal, pede mudanças em Gaza para evitar 'uma fábrica de desesperados'. Obama reafirma o direito de Israel de se defender, criticando o Hamas, mas pede futura abertura de Gaza
Roma, 07 de Agosto de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora
O governo do primeiro-ministro israelita, Benjamin
Netanyahu, disse nesta quarta-feira à noite que concordaria com estender
de forma incondicional o cessar-fogo de 72 horas desde terça-feira pela
manhã. No entanto, o vice-director do grupo terrotista Hamas, Musa Abu
Marzuk, que participa nas negociações indirectas com Israel no Cairo,
disse que "não existe um acordo com Israel sobre uma prolongação do
cessar-fogo" em Gaza.
Para o Patriarca de Jerusalém dos Latinos, Fouad Twal, "a trégua
que começou é uma coisa boa, mas não vai ajudar muito se as condições em
Gaza continuarem sendo as de uma terra desesperada em estado de sítio,
onde só pode crescer o medo e a frustração que alimentam o ódio. Quase
parece que se quer fazer de Gaza uma fábrica de desesperados, prontos
para se transformarem facilmente em extremistas dispostos a fazer
qualquer coisa", disse.
De acordo com o Patriarca, que fez essas declarações em uma conversa telefónica publicada ontem pela Fides, "é necessário eliminar as
condições estruturais que alimentam o ódio cego, a partir do embargo", e
considerou que os túneis construídos em Gaza "são, em certo sentido, um
produto do embargo: caso se termine com este cerco, sejam abertas as
ruas e se permita a liberdade de movimentos de pessoas e mercadorias,
caso se permita a pesca livre no mar em frente de Gaza, então tudo
poderá ser mais superficial e ninguém vai ter que cavar túneis
subterrâneos para passar".
A ofensiva de Israel em Gaza, que começou no dia 8 de Julho para
interromper o lançamento de foguetes em seu território e destruir a rede
de túneis, causou a morte de 1.875 palestinianos, incluindo 430 crianças e
jovens, de acordo com dados do Ministério da Saúde palestino. Em Israel
morreram 3 civis por causa dos foguetes palestinianos e 64 soldados foram
mortos na ofensiva.
Ante as críticas internacionais sobre a disparidade no número de
mortes, na noite de ontem, Netanyahu convocou uma colectiva de imprensa
em que chamou a operação israelita de: “justificada” e “proporcional”
com relação à ameaça representada pelo Hamas. Enquanto isso, disse que
sentiu "profundo pesar" pelas vítimas civis e disse que o Hamas é o
responsável, visto que dispara foguetes desde escolas e hospitais, e usa
os civis como "escudos humanos".
Por sua parte, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama,
declarou nesta quarta-feira que Washington apoia as negociações para um
cessar-fogo, embora reconheceu que o povo de Gaza precisa de
"esperança". Acrescentou que "a longo prazo, deve haver um
reconhecimento de Gaza porque não pode permanecer permanentemente
fechada para o mundo”. E que o enclave controlado pelo Hamas precisa "
ter alguma esperança de abertura para que eles não se sintam
encurralados".
Considerou que "o presidente palestino, Mahmoud Abbas, é sincero em
seus desejos de paz no Oriente Médio", e reiterou: "Não tenho nenhuma
simpatia pelo Hamas, mas tenho pelas pessoas comuns que sofrem em Gaza".
O presidente dos Estados Unidos também descreveu as acções do Hamas e os
disparos de foguetes contra Israel, como "extremamente irresponsável".
Obama disse que os israelitas precisam "ter certeza de que não se
repetirá o lançamento de foguetes registado durante várias semanas” e
insistiu que “apoiou com força o direito de Israel a se defender”.
(07 de Agosto de 2014) © Innovative Media Inc.
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