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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Último dia de trégua em Gaza. Israel estende prazo, Hamas não confirma

O Patriarca de Jerusalém, Twal, pede mudanças em Gaza para evitar 'uma fábrica de desesperados'. Obama reafirma o direito de Israel de se defender, criticando o Hamas, mas pede futura abertura de Gaza


Roma, 07 de Agosto de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora


O governo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse nesta quarta-feira à noite que concordaria com estender de forma incondicional o cessar-fogo de 72 horas desde terça-feira pela manhã. No entanto, o vice-director do grupo terrotista Hamas, Musa Abu Marzuk, que participa nas negociações indirectas com Israel no Cairo, disse que "não existe um acordo com Israel sobre uma prolongação do cessar-fogo" em Gaza.

Para o Patriarca de Jerusalém dos Latinos, Fouad Twal, "a trégua que começou é uma coisa boa, mas não vai ajudar muito se as condições em Gaza continuarem sendo as de uma terra desesperada em estado de sítio, onde só pode crescer o medo e a frustração que alimentam o ódio. Quase parece que se quer fazer de Gaza uma fábrica de desesperados, prontos para se transformarem facilmente em extremistas dispostos a fazer qualquer coisa", disse.

De acordo com o Patriarca, que fez essas declarações em uma conversa telefónica publicada ontem pela Fides, "é necessário eliminar as condições estruturais que alimentam o ódio cego, a partir do embargo", e considerou que os túneis construídos em Gaza "são, em certo sentido, um produto do embargo: caso se termine com este cerco, sejam abertas as ruas e se permita a liberdade de movimentos de pessoas e mercadorias, caso se permita a pesca livre no mar em frente de Gaza, então tudo poderá ser mais superficial e ninguém vai ter que cavar túneis subterrâneos para passar".

A ofensiva de Israel em Gaza, que começou no dia 8 de Julho para interromper o lançamento de foguetes em seu território e destruir a rede de túneis, causou a morte de 1.875 palestinianos, incluindo 430 crianças e jovens, de acordo com dados do Ministério da Saúde palestino. Em Israel morreram 3 civis por causa dos foguetes palestinianos e 64 soldados foram mortos na ofensiva.

Ante as críticas internacionais sobre a disparidade no número de mortes, na noite de ontem, Netanyahu convocou uma colectiva de imprensa em que chamou a operação israelita de: “justificada” e “proporcional” com relação à ameaça representada pelo Hamas. Enquanto isso, disse que sentiu "profundo pesar" pelas vítimas civis e disse que o Hamas é o responsável, visto que dispara foguetes desde escolas e hospitais, e usa os civis como "escudos humanos".

Por sua parte, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou nesta quarta-feira que Washington apoia as negociações para um cessar-fogo, embora reconheceu que o povo de Gaza precisa de "esperança". Acrescentou que "a longo prazo, deve haver um reconhecimento de Gaza porque não pode permanecer permanentemente fechada para o mundo”. E que o enclave controlado pelo Hamas precisa " ter alguma esperança de abertura para que eles não se sintam encurralados".

Considerou que "o presidente palestino, Mahmoud Abbas, é sincero em seus desejos de paz no Oriente Médio", e reiterou: "Não tenho nenhuma simpatia pelo Hamas, mas tenho pelas pessoas comuns que sofrem em Gaza". O presidente dos Estados Unidos também descreveu as acções do Hamas e os disparos de foguetes contra Israel, como "extremamente irresponsável".

Obama disse que os israelitas precisam "ter certeza de que não se repetirá o lançamento de foguetes registado durante várias semanas” e insistiu que “apoiou com força o direito de Israel a se defender”. 

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