Testemunhos de um apostolado emocionante e necessário
| Magaly
Imaicela e a pequena Valentina, apoiadas por Spei Mater na paróquia de San Ramón Nonato - Foto de Isaac Rodríguez para a Revista Misión |
Actualizado 12 Junho 2014
Margarita García/Revista Misión
Quando Ana María ficou grávida, todo o seu ambiente lhe pediu que abortasse. A criança vinha com problemas e ela também os tinha.
“Fiquei tão só que entrei desesperada numa igreja, porque no dia seguinte tinha a consulta para abortar. E que “casualidade” que logo nesse dia o sacerdote fez uma bênção pelas mães gestantes; então senti que o meu filho, de apenas dois meses, se movia e que Deus me ia ajudar”.
E assim foi: Juan nasceu são.
Hoje Ana M.ª dedica parte do seu tempo ao acompanhamento de grávidas. É um dos "anjos" que Spei Mater (www.speimater.com) põe à disposição das mães em apuros que recorrem às paróquias procurando ajuda.
Mas, assim como muitas mulheres decidem continuar em frente a gestação, outras optam pelo não.
Então entra em jogo outro dos pilares da associação: o Projecto Raquel, cujo objectivo é curar as sequelas de um aborto.
Mayte Acero, que garante uma confidencialidade quase sacerdotal.
Chamam mulheres que estão a ponto de abortar, amigas que aconselharam outras e homens que não podem viver com a perda de um filho que, ou bem eles forçaram a abortar, ou bem não nasceu porque os deixaram de fora da decisão (nos últimos meses, as chamadas de homens passaram de representar 10 para 25% dos de casos que atende Spei Mater).
Uma vez feita a chamada, há que derivar essa pessoa para um conselheiro e “deve fazer-se muito rápido para que sinta que encontrou por fim um braço ao qual agarrar-se”, assinala Mayte Acero.
A partir desse momento começa no Centro de Orientação Familiar (COF) que lhe corresponda, o processo de cura da síndrome pós aborto (SPA).
Josefina Sisniega, coordenadora do Projecto Raquel, faz finca-pé em que as feridas que deixa um aborto, são sobretudo, espirituais.
“Muitas mulheres crêem que os seus filhos não as vão perdoar, e perante este sentimento criam um mecanismo de defesa, mas, com o tempo, a ferida supura. Aqui vem jovens e senhoras de até 80 anos; mulheres que se submeteram a um, dois, três, inclusive quatro abortos, por isso, o tempo de cura da SPA varia de umas para outras”, aponta Sisniega.
Contudo, a média do processo curador dura umas 15 semanas.
Para curar-se, pôr nome ao bebé
Passar de “isso que ocorreu” a personalizar um bebé com um sexo e um nome é o primeiro passo para a cura.
“Enfrentam a verdade –afirma Mansilla –, e dão-se conta de que mentia quem lhes disse que ‘não acontecia nada’. Por isso, sentem muita ira. Além disso, sentem-se vítimas de uma sociedade que as incitou a abortar e uma vez curadas, desaparecem os seus problemas depressivos, de alimentação e sonhos”, conclui.
“Neste processo – acrescenta Sisniega – entram em jogo não só conselheiros, porque o Projecto Raquel é uma rede que inclui psicólogos e sacerdotes, estes últimos encarregados de que a pessoa sinta o perdão de Deus e se perdoe a si mesma. Afirma Mayte Acero que neste processo “tranquiliza muitas mulheres saber que o seu filho está localizado, ainda que seja num Céu no qual não crêem; sabem que está aí e na fase de duelo celebra-se uma missa funeral”.
Não estás só: o anjo e o facilitador
Noite de Natal de 2013. Uma mulher violada por um companheiro de trabalho de quem fica grávida tem consulta num abortório.
Uma amiga da rapariga põe-se em contacto com a associação e rapidamente a equipa de Spei Mater localiza uma resgatadora para que a ajude a rever a sua decisão. Finalmente, a jovem decidiu seguir em frente com a gestação.
Acudir ao “resgate” é o primeiro passo que dar no Projecto Anjo, o outro pilar de Spei Mater. O seu objectivo é acompanhar mulheres que decidiram não abortar ou tem uma gravidez difícil.
De facto, a maioria das raparigas chegam com a decisão de continuar, mas o seu ambiente não as entende ou tem dificuldades económicas ou de saúde para as quais necessitam de ajuda.
Aí aparecem o facilitador e o anjo.
O primeiro ajuda a mãe a resolver problemas económicos, de casa ou emprego; e o anjo (é sempre uma mulher) acompanha a mãe como o faria uma amiga ou irmã.
“A sua função passa por acompanhá-la ao médico ou de compras, mas o mais importante é que a escute", conta a coordenadora do Projecto Anjo, Gloria Díaz Piattoni.
Margarita García/Revista Misión
Quando Ana María ficou grávida, todo o seu ambiente lhe pediu que abortasse. A criança vinha com problemas e ela também os tinha.
“Fiquei tão só que entrei desesperada numa igreja, porque no dia seguinte tinha a consulta para abortar. E que “casualidade” que logo nesse dia o sacerdote fez uma bênção pelas mães gestantes; então senti que o meu filho, de apenas dois meses, se movia e que Deus me ia ajudar”.
E assim foi: Juan nasceu são.
Hoje Ana M.ª dedica parte do seu tempo ao acompanhamento de grávidas. É um dos "anjos" que Spei Mater (www.speimater.com) põe à disposição das mães em apuros que recorrem às paróquias procurando ajuda.
Mas, assim como muitas mulheres decidem continuar em frente a gestação, outras optam pelo não.
Então entra em jogo outro dos pilares da associação: o Projecto Raquel, cujo objectivo é curar as sequelas de um aborto.
Mayte Acero, que garante uma confidencialidade quase sacerdotal.
Chamam mulheres que estão a ponto de abortar, amigas que aconselharam outras e homens que não podem viver com a perda de um filho que, ou bem eles forçaram a abortar, ou bem não nasceu porque os deixaram de fora da decisão (nos últimos meses, as chamadas de homens passaram de representar 10 para 25% dos de casos que atende Spei Mater).
Uma vez feita a chamada, há que derivar essa pessoa para um conselheiro e “deve fazer-se muito rápido para que sinta que encontrou por fim um braço ao qual agarrar-se”, assinala Mayte Acero.
A partir desse momento começa no Centro de Orientação Familiar (COF) que lhe corresponda, o processo de cura da síndrome pós aborto (SPA).
Josefina Sisniega, coordenadora do Projecto Raquel, faz finca-pé em que as feridas que deixa um aborto, são sobretudo, espirituais.
“Muitas mulheres crêem que os seus filhos não as vão perdoar, e perante este sentimento criam um mecanismo de defesa, mas, com o tempo, a ferida supura. Aqui vem jovens e senhoras de até 80 anos; mulheres que se submeteram a um, dois, três, inclusive quatro abortos, por isso, o tempo de cura da SPA varia de umas para outras”, aponta Sisniega.
Contudo, a média do processo curador dura umas 15 semanas.
Para curar-se, pôr nome ao bebé
Passar de “isso que ocorreu” a personalizar um bebé com um sexo e um nome é o primeiro passo para a cura.
“Enfrentam a verdade –afirma Mansilla –, e dão-se conta de que mentia quem lhes disse que ‘não acontecia nada’. Por isso, sentem muita ira. Além disso, sentem-se vítimas de uma sociedade que as incitou a abortar e uma vez curadas, desaparecem os seus problemas depressivos, de alimentação e sonhos”, conclui.
“Neste processo – acrescenta Sisniega – entram em jogo não só conselheiros, porque o Projecto Raquel é uma rede que inclui psicólogos e sacerdotes, estes últimos encarregados de que a pessoa sinta o perdão de Deus e se perdoe a si mesma. Afirma Mayte Acero que neste processo “tranquiliza muitas mulheres saber que o seu filho está localizado, ainda que seja num Céu no qual não crêem; sabem que está aí e na fase de duelo celebra-se uma missa funeral”.
Não estás só: o anjo e o facilitador
Noite de Natal de 2013. Uma mulher violada por um companheiro de trabalho de quem fica grávida tem consulta num abortório.
Uma amiga da rapariga põe-se em contacto com a associação e rapidamente a equipa de Spei Mater localiza uma resgatadora para que a ajude a rever a sua decisão. Finalmente, a jovem decidiu seguir em frente com a gestação.
Acudir ao “resgate” é o primeiro passo que dar no Projecto Anjo, o outro pilar de Spei Mater. O seu objectivo é acompanhar mulheres que decidiram não abortar ou tem uma gravidez difícil.
De facto, a maioria das raparigas chegam com a decisão de continuar, mas o seu ambiente não as entende ou tem dificuldades económicas ou de saúde para as quais necessitam de ajuda.
Aí aparecem o facilitador e o anjo.
O primeiro ajuda a mãe a resolver problemas económicos, de casa ou emprego; e o anjo (é sempre uma mulher) acompanha a mãe como o faria uma amiga ou irmã.
“A sua função passa por acompanhá-la ao médico ou de compras, mas o mais importante é que a escute", conta a coordenadora do Projecto Anjo, Gloria Díaz Piattoni.
"Muitas destas mulheres não tem nem o apoio das suas famílias; pelo contrário, não é a primeira adolescente valente que nos chega fugindo de uns pais que a querem obrigar a abortar”.
Durante este tempo que vivem juntas, o anjo tem a missão além disso de acompanhá-la espiritualmente ou propor-lhe pela primeira vez a fé, pois, como assegura Gloria Díaz, “a gravidez é um momento muito bom para o encontro com Deus”.
Efettá: apoio paroquial
A tarefa que leva a cabo Spei Mater não seria possível sem a pastoral pró-vida das paróquias. Este é o objectivo de Efettá: criar grupos nas paróquias que rezem pela vida, se formem e capacitem para acolher as mulheres grávidas com necessidades ou pessoas que sofreram a SPA e necessitam sentir-se integradas numa paróquia, porque, além da cura e o anúncio da fé Acero assegura que é muito importante a vivência em comunidade para que, se voltaram os demónios do passado, sejam capazes de dizer-lhes que não.
Assim funciona uma paróquia com Spei Mater
Com 40 anos e três filhos, (a mais nova de 14 anos) Liliam Sinche tinha descartado a possibilidade de uma nova gravidez.
Não só pela idade, mas também pelas circunstâncias económicas: o seu marido estava desempregado e ela, grávida, corria o risco de perder o seu posto de cozinheira num restaurante.
Sem dúvida, “quando soube que esperava um bebé, corri direitinha à igreja; ali chorei e chorei... E senti uma grande calma. Esta criança ia seguir em frente fosse como fosse”.
E, efectivamente, não perdeu o trabalho, mas Liliam reconhece que nenhum companheiro a apoiou, e mais, “fechava-me na casa de banho a chorar e a alguns só lhes faltava rasteirar-me para que caísse”.
Sem dúvida, contava com o apoio da paróquia de San Ramón Nonato, em Madrid, à que chegou procurando consolo. Ali Liliam conheceu o Projecto Anjo e, com ele, outras mães na sua situação; Susana, responsável do Projecto Anjo, que se encarrega de facilitar às mamãs (também depois de dar à luz), ajuda económica, fraldas, alimentos ou roupita para o bebé.
"O mais valioso do Projecto Anjo é ter alguém que te escute", confessa Magaly Imaicela, outra das mamãs do Projecto.
“No meu caso, eu já tinha sofrido muito com o meu primeiro filho e, além disso, o meu par tinha estado detido... Ele não queria que seguisse em frente com o bebé”. Foi então quando, superada pela situação, começou a assistir diariamente em San Ramón.
“Senti-me muito só, eu não queria abortar, mas o meu namorado insistia. Até que um dia pedi a consulta na clínica. Estava indo à clínica, telefonou-me o meu par para dizer-me que não o fizesse. Dias depois contou-me que tinha sonhado com nossa filha dizendo-lhe “Papá, deixa-me viver!”.
Durante este tempo que vivem juntas, o anjo tem a missão além disso de acompanhá-la espiritualmente ou propor-lhe pela primeira vez a fé, pois, como assegura Gloria Díaz, “a gravidez é um momento muito bom para o encontro com Deus”.
Efettá: apoio paroquial
A tarefa que leva a cabo Spei Mater não seria possível sem a pastoral pró-vida das paróquias. Este é o objectivo de Efettá: criar grupos nas paróquias que rezem pela vida, se formem e capacitem para acolher as mulheres grávidas com necessidades ou pessoas que sofreram a SPA e necessitam sentir-se integradas numa paróquia, porque, além da cura e o anúncio da fé Acero assegura que é muito importante a vivência em comunidade para que, se voltaram os demónios do passado, sejam capazes de dizer-lhes que não.
Assim funciona uma paróquia com Spei Mater
Com 40 anos e três filhos, (a mais nova de 14 anos) Liliam Sinche tinha descartado a possibilidade de uma nova gravidez.
Não só pela idade, mas também pelas circunstâncias económicas: o seu marido estava desempregado e ela, grávida, corria o risco de perder o seu posto de cozinheira num restaurante.
Sem dúvida, “quando soube que esperava um bebé, corri direitinha à igreja; ali chorei e chorei... E senti uma grande calma. Esta criança ia seguir em frente fosse como fosse”.
E, efectivamente, não perdeu o trabalho, mas Liliam reconhece que nenhum companheiro a apoiou, e mais, “fechava-me na casa de banho a chorar e a alguns só lhes faltava rasteirar-me para que caísse”.
Sem dúvida, contava com o apoio da paróquia de San Ramón Nonato, em Madrid, à que chegou procurando consolo. Ali Liliam conheceu o Projecto Anjo e, com ele, outras mães na sua situação; Susana, responsável do Projecto Anjo, que se encarrega de facilitar às mamãs (também depois de dar à luz), ajuda económica, fraldas, alimentos ou roupita para o bebé.
"O mais valioso do Projecto Anjo é ter alguém que te escute", confessa Magaly Imaicela, outra das mamãs do Projecto.
“No meu caso, eu já tinha sofrido muito com o meu primeiro filho e, além disso, o meu par tinha estado detido... Ele não queria que seguisse em frente com o bebé”. Foi então quando, superada pela situação, começou a assistir diariamente em San Ramón.
“Senti-me muito só, eu não queria abortar, mas o meu namorado insistia. Até que um dia pedi a consulta na clínica. Estava indo à clínica, telefonou-me o meu par para dizer-me que não o fizesse. Dias depois contou-me que tinha sonhado com nossa filha dizendo-lhe “Papá, deixa-me viver!”.
Se queres que a tua paróquia trabalhe pela vida ou és uma mãe em apuros em Espanha contacta com Spei Mater através do (0034) 91 364 09 40 ou de www.speimater.com
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