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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Mosul conquistada por milícias yihadistas: há fome e sede, o arcebispo católico caldeu pede ajuda

Actualizado 11 de Junho 2014

AsiaNews / ReL 

O bispo Emil Shimun (Emílio Simón)
Nona contempla destroços numa
igreja - a foto não é recente
Há uma cidade do Iraque que já não é controlada pelo Estado iraquiano mas sim pela Al Qaeda e grupos afins: é Mosul, no norte do país, conquistada repentinamente por milícias yihadistas.

A polícia e os militares abandonaram as armas ali. Fiéis, sacerdotes e monjas fugiram da zona, as igrejas estão fechadas. O primeiro-ministro Al-Maliki declarou o estado de emergência.

O arcebispo dos católicos caldeus de Mosul, Emil Shimoun Nona, assegura que "o urgente é ajudar estas pessoas que fugiram" da cidade, já que "em dois ou três dias" os abastecimentos de alimentos e água terminarão e "alimentos e bens de primeira necessidade não há por nenhum lado".

Nas últimas horas a cidade de quase três milhões de habitantes caiu no caos, por causa do aparecimento de centenas de combatentes islâmicos que tomaram o controlo de grandes extensões de terra.

Os milicianos não encontraram resistência no caminho, porque o exército e a polícia abandonaram as armas e posições, despindo os uniformes e misturando-se com a multidão.

É "dramática" a situação da minoria cristã numa diocese que chorou antes a morte violenta de fiéis e pastores assassinados por islamitas ou criminosos, entre eles o anterior bispo Faraj Rahho (no contexto de um sequestro) e do padre Ragheed Ganni.

Fala-se de 500.000 pessoas que fugiram da cidade, situada a uns 360 quilómetros a noroeste de Bagdad, a segunda cidade mais importante de todo o Iraque, numa zona estratégica para a extracção de petróleo e gás natural.
Mosul é um bastião do fundamentalismo wahabí sunita, que teceu estreitos laços com a Arábia Saudita. Os ataques aos oleodutos e outros objectivos sensíveis são uma prática comum nos grupos de trabalho vinculados à Al Qaeda e o yihadismo.

Esta terça-feira o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, pediu ao Parlamento que declare o estado de emergência depois de que as milícias islâmicas tomaram o controlo da cidade.

Na noite entre 9 e 10 de Junho centenas de homens armados pertencentes à facção da Al Qaeda do Estado Islâmico do Iraque e o Levante (Isil), conquistaram a sede do governo provincial. Devastaram várias esquadras de polícia e depois ocuparam o aeroporto e o quartel-general do exército.

Os yihadistas controlam grande parte da planície de Nínive, impondo taxas para a passagem de mercadorias e exigindo dinheiro "de protecção".

O governador fugiu e lançou um apelo na televisão ao povo, instando-os a resistir à investida.

Sem dúvida, são visíveis em vários edifícios governamentais bandeiras negras com simbologia yihadista, enquanto alguns membros enviaram mensagens à cidade que dizem ter "vindo para libertar Mosul."

Contactado por AsiaNews, o arcebispo Nona fala de uma realidade "muito difícil", agravada pelo abandono em massa "do exército e da polícia, que deixou logo a cidade."

O prelado encontra-se num pequeno povoado a três quilómetros de Mosul, "que foi sempre parte da minha diocese, não tenho intenção de abandonar", acrescenta.

"As pessoas tiveram muito medo, quase todos os cristãos fugiram, muitos muçulmanos fugiram dos seus lares. Uma cidade de quase três milhões agora está quase vazia, muitos fugiram".

O bispo disse que os milicianos "entraram na cidade sem sequer a necessidade de lutar", ainda que o exército e a polícia estavam presentes antes da invasão; ele descreve como atitude "muito estranha" a dos militares, que "deixaram todo o campo livre, sem sequer um débil intento de defender."

Por isso, acrescenta, "as pessoas assustaram-se e começaram a correr".

A situação é "muito difícil" para os cristãos: as famílias, os sacerdotes, as monjas, que se foram e as igrejas estão fechadas. Muitos procuraram refúgio no Curdistão, e o resto na planície de Nínive, e "este é o resultado de uma política de abandono progressivo."

Diferentemente de anos anteriores, em 2008, continua Mons. Nona, hoje não existem organizações não-governamentais e organizações humanitárias prontas para ajudar a população, os refugiados.

Hoje, "não há ninguém", e os habitantes destes países "sentem a fadiga de ter que acolher outras pessoas, que carecem de alimentos e água antes, não é possível dar guarida a todos...".

O prelado caldeu espera de "uma solução real e duradoura da crise iraquiana", um projecto a longo prazo "para uma nação dividida entre os grupos religiosos, políticos, etnias"; necessitam um "Estado forte", conclui, que "ponha fim à matança e à violência... O povo iraquiano é bom, vale a pena uma visão comum e uma solução que seja uma fonte de paz."

O ataque em Mosul produz-se num momento de grave crise para todo o Iraque, um país marcado pela violência sectária, que (de acordo com estimativas da ONU) registou pelo menos 800 mortos, entre eles 603 civis, no mês de Maio.

No ano passado esta violência cobrou mais de 8.860 vítimas, como no binómio crítico 2006/7 quando se registou a fase mais aguda do conflito no Iraque.


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1 comentário:

  1. Maioria dos paises falidos,nenhum quer gastar com vidas,interesse financeiro em primeiro lugar!!!

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