Aviões dos EUA lançam ajuda humanitária e Obama autoriza ataques aéreos, enquanto a ONU pede apoio para os desabrigados
Roma, 08 de Agosto de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora
O Iraque está sofrendo o êxodo de cerca de 150 mil cristãos e
minorias religiosas e étnicas, expulsos das próprias casas devido ao
avanço do exército jihadista do grupo Estado Islâmico do Iraque e do
Levante (EIIL). O papa Francisco lançou ontem mais um apelo urgente pela protecção das populações inermes que estão sendo obrigadas a fugir. O
patriarca da Babilónia dos Caldeus, dom Raphael Sako, descreveu a
situação como "uma catástrofe humanitária" e afirmou que os 150 mil
cristãos e membros de minorias estão rumando para a região do Curdistão
sem nenhum tipo de protecção.
O arcebispo caldeu de Kirkuk e Suleimaniya, dom Joseph Thomas,
também levantou a voz e declarou à agência AFP: "É uma catástrofe, uma
situação trágica. Clamamos ao Conselho de Segurança da ONU para intervir
imediatamente. Dezenas de milhares de pessoas aterrorizadas estão sendo
expulsas das suas próprias casas neste momento em que estamos aqui
falando. Não podemos descrever o que está acontecendo". E acrescentou:
"Eu sei que as cidades de Qaraqosh, Tal Kaif, Bartela e Karamlesh foram
esvaziadas da sua população e estão agora sob controle dos milicianos".
Dom Thomas também disse à AFP que foram destruídas cruzes e queimados
manuscritos nas igrejas locais.
De Nova Iorque, em sua sessão de ontem à tarde, o Conselho de
Segurança da ONU fez um apelo à comunidade internacional diante da crise
no Iraque: "Convidamos a comunidade internacional a apoiar o governo e o
povo do Iraque e fazer todo o possível para ajudar a aliviar o
sofrimento da população".
O Conselho de Segurança qualificou de “escandalosa” a expulsão de
milhares de yazidis e cristãos pelos jihadistas e pediu “ajuda
humanitária urgente” para as vítimas.
Ainda ontem, os Estados Unidos realizaram uma primeira operação de
lançamento de ajuda humanitária, principalmente de água e alimentos, em
favor dos milhares de deslocados no norte do Iraque. Os víveres
cobririam a necessidade de aproximadamente 8 mil pessoas das 40 mil que
estão isoladas numa região montanhosa e desértica do norte do Iraque,
nas proximidades do monte Sinjar, no Curdistão.
As necessidades são de todo tipo, especialmente de água, comida,
abrigo e remédios. Se os refugiados tentarem descer das montanhas,
correrão o perigo de ser massacrados pelas tropas islamistas sunitas,
relatam diversos meios de comunicação.
Os refugiados são, na maioria, cristãos e yazidis curdos que fugiram
do avanço das tropas islamistas do EIIL. Os yazidis curdos seguem uma
das religiões mais antiga do mundo, que remonta à época do surgimento do
judaísmo. De 14 milhões, eles estão hoje reduzidos a pouco mais de 700
mil.
Nos Estados Unidos, a operação de lançamento foi considerada um
sucesso. O país afirmou que as suas Forças Armadas têm capacidade para
fazer operações adicionais nos próximos dias.
O presidente Barack Obama anunciou também a autorização para ataques
aéreos contra alvos determinados no Iraque. Obama avisou que os
jihadistas do EIIL sofrerão ataques da aviação se avançarem contra
Erbil, a capital do Curdistão iraquiano, onde se encontra uma sede
diplomática norte-americana.
“Podemos agir”, disse Obama, “de forma responsável e prudente para
evitar um potencial ato de genocídio”, ao se referir à minoria yazidi e
aos cristãos isolados no norte do Iraque. O presidente dos EUA precisou
que os ataques aéreos poderão também “ajudar as forças no Iraque
enquanto elas lutam para romper o sítio e proteger os civis que estão
sob assédio”.
(08 de Agosto de 2014) © Innovative Media Inc.
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