O patriarca Sako dispara o alarme: trata-se de uma "crise humanitária"
Roma, 07 de Agosto de 2014 (Zenit.org)
Pelo menos 150 mil cristãos estão fugindo das suas cidades
no Iraque rumo à região do Curdistão. Eles não contam com nenhum tipo de protecção. Não existe um verdadeiro exército na região e as milícias de
combatentes curdos iraquianos, sírios e turcos não conseguem proteger os
civis, entre os quais figuram milhares de cristãos e membros de
diversas outras minorias.
O patriarca da Babilónia, dom Raphael Sako, disparou o alarme na
manhã de hoje e descreveu a situação como "uma catástrofe humanitária".
Ontem, dia da festa da Transfiguração de Jesus e data que o
patriarcado tinha dedicado à oração pela paz no Iraque, foram registados mais de 50 atentados, com 30 mortos e pelo menos 70 feridos.
Também ontem, centenas de mulheres e crianças da minoria religiosa
yazidi foram feitas prisioneiras pela milícia radical Estado Islâmico
(EI), que, de acordo com fontes governamentais, tinha massacrado 500
homens da mesma comunidade.
O grupo de rebeldes islâmicos que já tomou a cidade de Mossul
continua avançando e, no domingo, ocupou a cidade de Sinjar, perpetrando
ataques generalizados e sistemáticos contra a população civil com base
na sua origem étnica ou religiosa, o que o Conselho de Segurança das
Nações Unidas qualificou de “crime contra a humanidade".
O patriarca caldeu, por sua vez, denunciou hoje aos microfones da
Rádio Vaticano que essa condenação da ONU não é suficiente num momento
em que se regista um novo êxodo de cristãos expulsos de casa em
diversas cidades do país. Sem abrigo, os cristãos estão se dirigindo
para o território curdo.
"Hoje existe um vazio, um vazio. O governo não tem forças para
controlar o país”, afirma o patriarca. “Agora nós temos eleições no
parlamento e não há forças para atacar, não há um verdadeiro exército
como na Síria, onde as forças armadas ainda podem atacar. Aqui os curdos
estão se retirando, porque eles só têm armas leves. Hoje há milhares de
pessoas caminhando pelas estradas há umas quatro horas. São as
mulheres, os idosos e as crianças: é necessário mobilizar a opinião
pública e as sociedades em todos os países, porque se trata de uma
catástrofe humanitária”.
(07 de Agosto de 2014) © Innovative Media Inc.
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