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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Francisco desembarcou na "terra do calmo amanhecer"

Uma terra separada de Roma por 8.970 km, depois de onze horas e meia de voo, torna-se o centro do mundo, com a presença do Bispo de Roma


Seul, 14 de Agosto de 2014 (Zenit.org) Alfonso M. Bruno


A atmosfera na base aérea de Seul era quase um conto de fadas devido à temperatura sazonal e a influência do Pacífico, que aperta a península coreana entre o Mar Amarelo e o Mar do Japão, e a névoa que cobria o solo, oferecendo um cenário surrealista.


A Presidente da República Park Geun-hye pessoalmente prestou homenagem a Bergoglio. Nomeada em Dezembro de 2012, a filha do ditador Park Chung-hee pediu publicamente perdão pelas violações dos direitos humanos cometidas pelo pai, mesmo que definindo como "necessário" o golpe de Estado de 1961.

Após a execução dos hinos, Papa Francisco fez sua entrada em Seul, quando em Brasília passava das 23h00min. Duas meninas com trajes locais ofereceram flores ao Papa, que em troca deu um beijo e um sorriso.

No tapete vermelho uma representação de diferentes grupos sociais do país: jovens, trabalhadores, profissionais, sacerdotes, religiosos, um missionário de 50 anos, familiares dos próximos beatos, vítimas da guerra e do naufrágio de Sewol, uma imigrante boliviana que falou com ele em espanhol, mas também pessoas com deficiência e idosos, ‘categorias’ que a cultura do descarte relega aos subúrbios existenciais não faltam também na Coreia.

Gente comum que vive com dignidade o compromisso para "construir a cidade". Os sinos das igrejas ressoavam em comemoração lembrando os grandes sinos que tocavam na abertura e no fechamento das portas da cidade, quando era cercada por um muro seis metros de altura durante a Dinastia Joseon no século XIV.

Desde 1960 Seul que leva adiante como capital da Coreia do Sul, o incrível esforço de reconstrução e modernização do país, agora abre as portas e os braços para o sucessor de Pedro. Aqui vive 24% de toda a população da península.

Cenário de ocupação militar, registou durante a guerra nos anos 50 quase três milhões de vítimas. Após os Jogos Olímpicos de 1988 e os Campeonatos do Mundo de Futebol de 2002, com a chegada do Papa Seul se revitaliza.

A Coreia já recebeu São João Paulo II, em 1989, e cinco anos antes, em 1984, por ocasião do 200º aniversário do nascimento da Igreja Católica celebrou a canonização de 103 mártires locais.

Depois de 25 anos desde a última visita pastoral de um Papa, o país quer fazer memória de suas glórias cristãs, desta vez com a beatificação dos "pais da fé", primeiros a conhecer o martírio por Cristo.

Nestes dias acontece a Sexta Jornada da Juventude Asiática, aguardada pela Igreja e pelo Papa, cujo tema é: “Juventude asiática desperta! A glória dos mártires resplandece sobre ti!”.

No logotipo da Viagem Apostólica duas faixas sobrepostas azuis (cor símbolo da misericórdia divina) retratam o mar e um barco em forma de faca, em referência ao sacrifício dos mártires da Igreja da Coreia; ao centro dois "tae-geuk" nas cores das bandeiras das duas Coreias, azul e vermelho estão interligados como esperança de reunificação.

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