Uma terra separada de Roma por 8.970 km, depois de onze horas e meia de voo, torna-se o centro do mundo, com a presença do Bispo de Roma
Seul, 14 de Agosto de 2014 (Zenit.org) Alfonso M. Bruno
A atmosfera na base aérea de Seul era quase um conto de
fadas devido à temperatura sazonal e a influência do Pacífico, que
aperta a península coreana entre o Mar Amarelo e o Mar do Japão, e a
névoa que cobria o solo, oferecendo um cenário surrealista.
A Presidente da República Park Geun-hye pessoalmente prestou
homenagem a Bergoglio. Nomeada em Dezembro de 2012, a filha do ditador
Park Chung-hee pediu publicamente perdão pelas violações dos direitos
humanos cometidas pelo pai, mesmo que definindo como "necessário" o
golpe de Estado de 1961.
Após a execução dos hinos, Papa Francisco fez sua entrada em Seul,
quando em Brasília passava das 23h00min. Duas meninas com trajes locais
ofereceram flores ao Papa, que em troca deu um beijo e um sorriso.
No tapete vermelho uma representação de diferentes grupos sociais do
país: jovens, trabalhadores, profissionais, sacerdotes, religiosos, um
missionário de 50 anos, familiares dos próximos beatos, vítimas da
guerra e do naufrágio de Sewol, uma imigrante boliviana que falou com
ele em espanhol, mas também pessoas com deficiência e idosos,
‘categorias’ que a cultura do descarte relega aos subúrbios existenciais
não faltam também na Coreia.
Gente comum que vive com dignidade o compromisso para "construir a
cidade". Os sinos das igrejas ressoavam em comemoração lembrando os
grandes sinos que tocavam na abertura e no fechamento das portas da
cidade, quando era cercada por um muro seis metros de altura durante a
Dinastia Joseon no século XIV.
Desde 1960 Seul que leva adiante como capital da Coreia do Sul, o
incrível esforço de reconstrução e modernização do país, agora abre as
portas e os braços para o sucessor de Pedro. Aqui vive 24% de toda a
população da península.
Cenário de ocupação militar, registou durante a guerra nos anos 50
quase três milhões de vítimas. Após os Jogos Olímpicos de 1988 e os
Campeonatos do Mundo de Futebol de 2002, com a chegada do Papa Seul se
revitaliza.
A Coreia já recebeu São João Paulo II, em 1989, e cinco anos antes,
em 1984, por ocasião do 200º aniversário do nascimento da Igreja
Católica celebrou a canonização de 103 mártires locais.
Depois de 25 anos desde a última visita pastoral de um Papa, o país
quer fazer memória de suas glórias cristãs, desta vez com a beatificação
dos "pais da fé", primeiros a conhecer o martírio por Cristo.
Nestes dias acontece a Sexta Jornada da Juventude Asiática, aguardada
pela Igreja e pelo Papa, cujo tema é: “Juventude asiática desperta! A
glória dos mártires resplandece sobre ti!”.
No logotipo da Viagem Apostólica duas faixas sobrepostas azuis (cor
símbolo da misericórdia divina) retratam o mar e um barco em forma de
faca, em referência ao sacrifício dos mártires da Igreja da Coreia; ao
centro dois "tae-geuk" nas cores das bandeiras das duas Coreias, azul e
vermelho estão interligados como esperança de reunificação.
(14 de Agosto de 2014) © Innovative Media Inc.
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