Tulio Pizarro passou pela terrível prisão de Lurigancho
| Tulio
Pizarro caiu com facilidade no crime, e enganchou-se na droga na dura cadeia de Lurigancho... A oração redirigiu a sua vida |
Actualizado 25 de Junho de 2014
Na alma de Tulio Pizarro os jogos de infância com os seus irmãos no meio das amazónicas paisagens circundantes a San Martín (Peru) evocam raízes que ama.
São pinceladas de um espírito de família que se fragmentou ao separarem-se Hilda e Eduardo, seus pais. Enquanto ela se voltou na administração de uma padaria, Eduardo, membro da polícia peruana, não perdia ocasião para motivar os seus filhos mais velhos a incorporarem-se na Guarda Civil.
Tulio seguiu este caminho, sendo destinado nos setenta, recém-ingressado, a servir como socorrista marítimo. Recorda ter salvado vidas desde um mar que logo seria figura simbólica de outro que ameaçaria a sua vida.
Uma dupla vida, um salto ao crime
Depois de quinze anos entregue por completo à sua tarefa como socorrista policial, Tulio casou-se e consolidou uma família com três filhos.
Tinha consciência - confidencia a Portaluz - de que era vital que guiasse a formação católica nos seus filhos e vivesse os seus valores no matrimónio.
Mas “a carne puxava” e “o preço de um pão para os meus filhos, muitas vezes gastava-o divertindo-me com mulheres ou outras pessoas”.
Levando essa dupla vida, explica, quis logo ganhar dinheiro fácil e nem sequer reflectiu as consequências quando se uniu ao “negócio familiar”, organizado pelo seu primo.
“Não foi difícil que ele me convencesse… Um dia apresentou-se em minha casa e propôs-me entrar no negócio da venda de droga. Aceitei de imediato”.
Como bom empreendedor dedicou-se a expandir o negócio e somou alguns dos seus irmãos como cúmplices, que transferissem carregamentos de droga para diferentes zonas do Peru.
“Aproveitava-me do uniforme”, confessa Tulio.
Depois de um tempo, as pistas que deixavam delataram-nos e foi capturado com os seus cinco irmãos numa incursão policial.
“Nunca imaginas a magnitude dos problemas que esta decisão pode causar na tua vida e na da tua família. Há já quase doze anos que deixei abandonados a minha esposa, os meus filhos e a minha mãe. Só agora me dou conta das cruéis circunstâncias familiares e sociais que os fiz viver”.
Corrompido na lei da cadeia
Condenaram-no a vinte e quatro anos na cadeia de Lurigancho, um dos recintos mais perigosos e sobrelotados do Peru.
São pinceladas de um espírito de família que se fragmentou ao separarem-se Hilda e Eduardo, seus pais. Enquanto ela se voltou na administração de uma padaria, Eduardo, membro da polícia peruana, não perdia ocasião para motivar os seus filhos mais velhos a incorporarem-se na Guarda Civil.
Tulio seguiu este caminho, sendo destinado nos setenta, recém-ingressado, a servir como socorrista marítimo. Recorda ter salvado vidas desde um mar que logo seria figura simbólica de outro que ameaçaria a sua vida.
Uma dupla vida, um salto ao crime
Depois de quinze anos entregue por completo à sua tarefa como socorrista policial, Tulio casou-se e consolidou uma família com três filhos.
Tinha consciência - confidencia a Portaluz - de que era vital que guiasse a formação católica nos seus filhos e vivesse os seus valores no matrimónio.
Mas “a carne puxava” e “o preço de um pão para os meus filhos, muitas vezes gastava-o divertindo-me com mulheres ou outras pessoas”.
Levando essa dupla vida, explica, quis logo ganhar dinheiro fácil e nem sequer reflectiu as consequências quando se uniu ao “negócio familiar”, organizado pelo seu primo.
“Não foi difícil que ele me convencesse… Um dia apresentou-se em minha casa e propôs-me entrar no negócio da venda de droga. Aceitei de imediato”.
Como bom empreendedor dedicou-se a expandir o negócio e somou alguns dos seus irmãos como cúmplices, que transferissem carregamentos de droga para diferentes zonas do Peru.
“Aproveitava-me do uniforme”, confessa Tulio.
Depois de um tempo, as pistas que deixavam delataram-nos e foi capturado com os seus cinco irmãos numa incursão policial.
“Nunca imaginas a magnitude dos problemas que esta decisão pode causar na tua vida e na da tua família. Há já quase doze anos que deixei abandonados a minha esposa, os meus filhos e a minha mãe. Só agora me dou conta das cruéis circunstâncias familiares e sociais que os fiz viver”.
Corrompido na lei da cadeia
Condenaram-no a vinte e quatro anos na cadeia de Lurigancho, um dos recintos mais perigosos e sobrelotados do Peru.
| A cadeia de Lurigancho (na foto) é talvez a de pior fama do Peru |
“Era uma vida na qual o mais forte domina o débil, onde só a crueldade é a forma de vida que marca cada minuto. E também ali muitas vidas são desperdiçadas pelo consumo da fatal droga, que dia-a-dia acaba com tantos jovens, presas fáceis do vício”.
Tulio relata que no começo tentou usar o desporto como um motor para libertar a sua mente e descarregar emoções.
Mas teve de render-se perante a pressão dos cabecilhas que (sendo membros dos bandos mais perigosos do país) prolongavam a sua ‘hierarquia’ nos pavilhões, abusando em toda a ordem daqueles que estavam debaixo do seu domínio.
“De repente encontrei-me formando parte dos viciados em drogas. Antes nunca tinha consumido, mas sucumbi com o mesmo argumento com que cai a maioria: tratava de acalmar os meus problemas. Assim foi como cheguei a exigir á minha pobre esposa que me trouxesse dinheiro, ainda sabendo que eu não lhe tinha deixado nem um centavo. Recordo que todo o dinheiro que ela me trazia em cada visita era para pagar a droga; nem sequer me alimentava. Esse vício é um inferno, que pouco a pouco te vai queimando por dentro e afundando mais e mais numa miséria tormentosa. Dali é muito difícil sair sem ajuda.
Surpresa: outra cadeia e vida de oração
Quando o fastio de si mesmo começou a ser seu carcereiro quotidiano, um inesperado benefício permitiu-lhe rebaixar a condenação para dezoito e logo a doze anos.
Junto com um dos seus irmãos foi destinado à cadeia Sarita Colonia, em Callao. “Ali foi onde compreendi que o Senhor estava actuando na minha vida através de diferentes pessoas… Convencido que algo queria Deus comigo, assistia às assembleias que organizava uma comunidade de evangélicos aos domingos à tarde".
"Quando um dia apareceu um sacerdote na cadeia, deixei os irmãos evangélicos… Finalmente os católicos tínhamos um guia que começou a organizar a nossa comunidade”.
Voltar a aprender a dar
Olga, outra das irmãs de Tulio também implicada nos delitos, tinha sido posta em liberdade e visitava constantemente os seus irmãos recluídos em Sarita Colonia. “Um dia, recordo que no final da sua visita me disse: «Ainda que aqui não há em que gastar, vou-lhes deixar uns dez soles (moeda peruana) a cada um». Era sábado, e as palavras de Olga ressoaram em mim toda a tarde. O seu gesto generoso projectou luz na minha alma… E com profundo amor pensei nos meus. «Porque não guardo os dez soles que me dá a minha irmã para dá-los aos meus filhos?», pensei. Era a primeira vez que me recordava deles e da minha esposa. Orei com todo o ser ao Senhor pedindo-lhe força para vencer as forças do mal e poder deixar essa droga maligna. Longa e dura foi a minha luta interior”.
Deus, assinala Tulio, escutou a sua pregação pois ali na cadeia, no seu grupo católico de oração carismática, gozava adorando a Cristo, aprofundando na fé, ajudando nas liturgias e lendo diariamente o Evangelho.
Inclusive, recorda, teve oportunidade de estabelecer contacto com o actual bispo emérito da diocese de Callao, monsenhor Miguel Irizar, por meio de cartas, com a intenção de formar um pavilhão para pessoas em reabilitação. Sonho que até hoje perdura no coração de Tulio…
“Havia tantos jovens equivocados, muitas famílias que sofrem e o meu desejo era regressar por eles quando saísse, procurar ONG’s ou irmãos católicos que quisessem ajudar”.
Já em liberdade
Tulio saiu em liberdade em 1 de Março de 2006. Tem hoje 58 anos e continua lutando por permanecer inserido num trabalho estável, questão nada simples para um ex-recluso. “Tive uma transformação que continua em pé, e não a perco. Cometi erros, mas todos os dias há uma ocasião para pedir perdão a Deus. Tenho o mais importante, que é o Temor de Deus”.
Uma breve reportagem sobre a falta de controlo na cadeia de Lurigancho, onde Tulio tentou manter-se "limpo" com desporto mas o ambiente afundou-o na droga
Tulio relata que no começo tentou usar o desporto como um motor para libertar a sua mente e descarregar emoções.
Mas teve de render-se perante a pressão dos cabecilhas que (sendo membros dos bandos mais perigosos do país) prolongavam a sua ‘hierarquia’ nos pavilhões, abusando em toda a ordem daqueles que estavam debaixo do seu domínio.
“De repente encontrei-me formando parte dos viciados em drogas. Antes nunca tinha consumido, mas sucumbi com o mesmo argumento com que cai a maioria: tratava de acalmar os meus problemas. Assim foi como cheguei a exigir á minha pobre esposa que me trouxesse dinheiro, ainda sabendo que eu não lhe tinha deixado nem um centavo. Recordo que todo o dinheiro que ela me trazia em cada visita era para pagar a droga; nem sequer me alimentava. Esse vício é um inferno, que pouco a pouco te vai queimando por dentro e afundando mais e mais numa miséria tormentosa. Dali é muito difícil sair sem ajuda.
Surpresa: outra cadeia e vida de oração
Quando o fastio de si mesmo começou a ser seu carcereiro quotidiano, um inesperado benefício permitiu-lhe rebaixar a condenação para dezoito e logo a doze anos.
Junto com um dos seus irmãos foi destinado à cadeia Sarita Colonia, em Callao. “Ali foi onde compreendi que o Senhor estava actuando na minha vida através de diferentes pessoas… Convencido que algo queria Deus comigo, assistia às assembleias que organizava uma comunidade de evangélicos aos domingos à tarde".
"Quando um dia apareceu um sacerdote na cadeia, deixei os irmãos evangélicos… Finalmente os católicos tínhamos um guia que começou a organizar a nossa comunidade”.
Voltar a aprender a dar
Olga, outra das irmãs de Tulio também implicada nos delitos, tinha sido posta em liberdade e visitava constantemente os seus irmãos recluídos em Sarita Colonia. “Um dia, recordo que no final da sua visita me disse: «Ainda que aqui não há em que gastar, vou-lhes deixar uns dez soles (moeda peruana) a cada um». Era sábado, e as palavras de Olga ressoaram em mim toda a tarde. O seu gesto generoso projectou luz na minha alma… E com profundo amor pensei nos meus. «Porque não guardo os dez soles que me dá a minha irmã para dá-los aos meus filhos?», pensei. Era a primeira vez que me recordava deles e da minha esposa. Orei com todo o ser ao Senhor pedindo-lhe força para vencer as forças do mal e poder deixar essa droga maligna. Longa e dura foi a minha luta interior”.
Deus, assinala Tulio, escutou a sua pregação pois ali na cadeia, no seu grupo católico de oração carismática, gozava adorando a Cristo, aprofundando na fé, ajudando nas liturgias e lendo diariamente o Evangelho.
Inclusive, recorda, teve oportunidade de estabelecer contacto com o actual bispo emérito da diocese de Callao, monsenhor Miguel Irizar, por meio de cartas, com a intenção de formar um pavilhão para pessoas em reabilitação. Sonho que até hoje perdura no coração de Tulio…
“Havia tantos jovens equivocados, muitas famílias que sofrem e o meu desejo era regressar por eles quando saísse, procurar ONG’s ou irmãos católicos que quisessem ajudar”.
Já em liberdade
Tulio saiu em liberdade em 1 de Março de 2006. Tem hoje 58 anos e continua lutando por permanecer inserido num trabalho estável, questão nada simples para um ex-recluso. “Tive uma transformação que continua em pé, e não a perco. Cometi erros, mas todos os dias há uma ocasião para pedir perdão a Deus. Tenho o mais importante, que é o Temor de Deus”.
Uma breve reportagem sobre a falta de controlo na cadeia de Lurigancho, onde Tulio tentou manter-se "limpo" com desporto mas o ambiente afundou-o na droga
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