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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Cardeal Filoni: os cristãos do Iraque perguntam-se o que será deles

O enviado do papa visita os refugiados em Erbil


Roma, 15 de Agosto de 2014 (Zenit.org)


De parte do papa Francisco, o cardeal Fernando Filoni levou a solidariedade da Igreja às vítimas da violência no Iraque. Como enviado pessoal do papa, o prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos já está na cidade de Erbil, no Curdistão iraquiano, para apoiar as pessoas que foram obrigadas a abandonar as próprias casas na planície de Nínive devido à violenta ofensiva dos jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI).

O purpurado conta em entrevista à Rádio Vaticano que a primeira coisa que fez ao chegar a Erbil foi ir até a sede da arquidiocese, "onde milhares de pessoas encontraram refúgio no jardim e dentro da igreja, assim como em outros 23 locais da cidade, em sua maioria escolas da Igreja e capelas. Outras pessoas conseguiram se alojar nas casas de famílias que as acolheram".

Filoni explica que ele mesmo "foi muito bem acolhido, com muito entusiasmo, com muita simpatia". O cardeal fala não apenas da situação material do povo local, mas da psicológica também: "As pessoas tiveram que fugir de casa, foram desenraizadas dos seus costumes, da sua cultura, do seu ambiente... E elas sentem também a necessidade espiritual de ser apoiadas do ponto de vista espiritual e também psicológico". O futuro ainda é incerto e os refugiados se perguntam "o que será de nós?". Fernando Filoni manifesta o desejo de que todos possam, um dia, voltar para casa.

O cardeal, que visitou alguns dos centros e campos de acolhida, comenta: "Posso dizer que há muita generosidade, muito compromisso. Encontrei o mesmo espírito por parte do governo do Curdistão". Percebe-se em geral muita disponibilidade e muita gratidão "também ao Santo Padre, pela sua atenção a esses refugiados e pelo compromisso de vir e ajudar em algumas necessidades materiais: por exemplo, no caso dos estudantes que tiveram que interromper as aulas e perderam o período de exames; na situação mais urgente das famílias, com a necessidade de assistência médica, na distribuição dos produtos de primeira necessidade, etc. Alguns campos de refugiados já estão organizados com cozinhas centrais, estão construindo banheiros, preparando as estruturas primárias e necessárias. E depois é prestada ajuda às pessoas que estão vivendo na casa de outras famílias ou que têm possibilidade de alugar uma casa".

Filoni entregou a ajuda do papa aos bispos e destaca que "há uma forte gratidão não só pelo compromisso material do papa, mas principalmente porque a voz do papa denunciou esta dificílima, terrível situação em que se encontram cerca de 160 mil pessoas, entre cristãos e membros de outras minorias".

Quanto à situação de vida e ao medo do avanço jihadista, o cardeal diz que "a situação, do ponto de vista militar, ainda é muito instável". O prefeito explica que "pedimos ajuda à solidariedade internacional não só do ponto de vista material, porque é claro que, com tanta gente, as reservas acabam, mas também é necessária a ajuda de um ponto de vista político e militar: as autoridades precisam muito de ajuda internacional, porque, obviamente, o Curdistão não consegue resolver todas as necessidades".

O purpurado afirma ainda que recebeu as promessas de compromisso político do presidente da região do Curdistão, Mas’ud Barzani: "Eles defenderão até o final a sua terra e, com ela, todos os cristãos e as minorias".

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