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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A beleza da música e liturgia e a Regra de São Bento levaram David à Igreja Católica

Numa abadia sentiu a presença de Deus 

David Ozab com a sua filha Anna... Antes de fazer-se católico
em 2011, decidiu aplicar o espírito da Regra de São Bento
à sua vida como esposo e pai
Actualizado 17 de Junho de 2014

P.J.G./ReL


David Ozab vive em Eugene, Oregão, e entrou na Igreja Católica em 2011. De criança foi baptizado como episcopaliano (anglicanos dos EUA, nas formas e ritos os protestantes mais parecidos ao catolicismo), mas a sua família não era muito praticante.

David é músico e considera que Deus o foi guiando na sua vida espiritual “com sussurros. Um primeiro sussurro, por exemplo, escutou-o sendo um jovem estudante de instituto. A sua mãe ofereceu-lhe um livro em segunda mão cheio de desenhos sobre a história dos barcos.

Quando o abriu, uma estampa do Sagrado Coração deslizou entre os seus dedos. Ele não sabia nada desta devoção, a sua simbologia nem o seu sentido católico: só lhe parecia uma imagem bonita. “Se deseja pendurar esta imagem faça um buraco aqui”, lia-se em certo ponto. E durante toda a sua vida a levou aonde fosse: ainda a pendura junto à sua cama.

A música clássica e sacra
David crê que Deus também o guiou ao dar-lhe a coragem para anunciar aos seus pais que ia estudar música no “college” e não numa academia externa. A primeira opção levá-lo-ia à música clássica e regrada. A segunda, suspeita, tê-lo-ia levado a um mundo alternativo, talvez de música nocturna, álcool e clubes.

Na escola de música David submergiu-se nas grandes composições sacras de Beethoven, Mozart, Palestrina… Cujas obras mais sublimes eram as missas. Ele de entrada, sanctus, agnus dei, etc…- encaixava com o estudado e o que cantava em coros. A beleza da liturgia de séculos antigos seguia-o na sua vida civil e profissional.

Depois conheceu Julia, a que seria a sua esposa. Ela era católica e a sua fé a tinha ajudado em momentos muito duros. De novo, a via da beleza fê-lo pensar em Deus: “soube que Deus criou a sua beleza física e também nutriu as sementes da fé que floresciam na sua beleza espiritual”.

A primeira missa
Julia animou-o a acompanhá-la a uma “missa do galo”, e aquilo funcionou como um primeiro despertar religioso.

David começou a ir a uma paróquia episcopaliana, por ser a igreja do seu baptismo e infância. A sua liturgia era do estilo “high church”: solene, ritual, música sacra, incenso…

Em poucas semanas comprou uma cópia do Livro de Oração Comum, o que se usa em toda a liturgia episcopaliana, e usou-o para rezar cada dia por sua conta. “A sua formosa linguagem atraía-me, criando um espaço silencioso e orante no meu coração onde podia falar com Deus sem preocupar-me das palavras exactas”.

A conexão com São Bento
Depois aprendeu que parte da origem deste livro, com o seu ritmo de orações em distintos momentos do dia, era herdeiro da vida monástica, e mais em concreto da forma em que São Bento tinha criado as primeiras comunidades orantes de monges, com as suas horas e divisões do dia, em princípios do século VI.

Isso fê-lo querer conhecer mais esse estilo de vida. Pôs-se a ler a Regra de São Bento.

“No princípio parecia-me algo distante. Eu não era um monge, para que queria saber os horários de refeições e a organização do sono num mosteiro? Sem dúvida, com tempo e ajuda comecei a ver a beleza simples das sugestões práticas de São Bento. Um amor simples e sacrificado: disso se tratava. Não necessitava seguir a Regra como um monge, mas sentia-me impulsionado a manter o espírito da Regra como esposo e pai”.

Uma experiência na abadia
Tendo provado esse espírito, começou a ir a um retiro anual na abadia beneditina de Mount Angel, a 90 minutos da sua casa. É uma abadia muito viva, fundada há 125 anos, com mais de 50 monges.
Abadia beneditina de Mount Angel, no Oregão
“Ali na igreja da abadia, imerso nos cantos das horas monásticas e ajoelhado perante um ícone de Cristo sobre o Tabernáculo, irrompi em pranto sobrecarregado pela beleza da Sua Presença. Deus abraçou-me. Sempre esteve ali, mas eu agora sabia-o”.

A experiência perante o Sacrário, a proximidade aos monges, a estampa do Sagrado Coração junto à sua cama… Tudo assinalava a Igreja católica como o lar preparado para ele.

Deus na capela
Inscreveu-se no RCIA, o curso habitual nas paróquias norte-americanas para aqueles que querem ingressar na Igreja. Na primeira sessão, os cursilhistas visitaram uma capela com o Santíssimo exposto.

“Havia gente em oração silenciosa, de joelhos. Também eu me ajoelhei e fiz o sinal da cruz. Ao fazê-lo, senti uma onda de electricidade que me percorria, e por fim reconheci a voz que sempre tinha ouvido. Encontrei o meu amor, a minha fé e a minha igreja. Deus salvou-me através de sussurros formosos”, conclui o seu testemunho em Why I’m Catholic.


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