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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Vinte e cinco mulheres escrevem ao Papa Francisco

Um livro que corresponde à abertura dialógica e comunicativa de Bergoglio


Roma, 04 de Agosto de 2014 (Zenit.org)


"Talvez um aspecto primordial do pecado original seja justamente o feminicídio, esse instinto do homem de acusar sempre a mulher pelos próprios erros até condená-la: “a mulher que me colocastes ao lado me deu o fruto proibido” (Gen 3, 12)". Estas são palavras corajosas de Mons. Raffaele Nogaro, bispo emérito de Caserta, assim como é corajoso o livro que apresenta: Caro Francisco. Vinte e cinco mulheres escrevem ao Papa, editado em italiano por “Il pozzo de Giacobbe”.

A ideia do livro nasceu na terra fértil do diálogo que o Papa Francisco estabeleceu desde o início de seu pontificado com todos. Neste contexto mulheres de diferentes origens e estratos sociais, religiosas (ou a-religiosas), ideológicas e “políticas” se dirigem ao Papa Bergoglio em simplicidade e seriedade para dizer-lhe a sua atitude com relação à Igreja. Surge assim um livro rico na sua variedade, evocativo na sua acuidade e provocativo na sua sinceridade.

Uma das “cartas” é a de Rosa Siciliano, membro activo de Pax Christi intitulada “informação” que destaca essencialmente três dimensões fundamentais e complementárias da relação informativo/comunicativo: a escuta, a palavra e o encontro.

A Siciliano destaca que o Papa Francisco é um "homem de escuta" e isso é evidente pela sua empatia com o homem de hoje, com as suas expectativas e as suas prisões. É um homem que escuta e visita as “periferias existenciais” onde, infelizmente, moram tantas mulheres.

A segunda dimensão que é enfatizada é a palavra que é um termo essencial para aqueles que querem tecer uma relação comunicativa. Dessa Siciliano escreve: "Dar novamente a palavra é também restituir a cada um a possibilidade de ter acesso às chaves interpretativas das mudanças sociais que nos envolvem, que nos engolem. É restituir a consciência que a capacidade de sonhar, aquela não, ninguém pode tirá-la de nós”.

A terceira dimensão coexistente à informação/comunicação é o encontro, onde a educação, as relações sociais e tudo o que compõe a trama da nossa dimensão social é inervado pelo autêntico desejo de ser-com e fazer-ser. É dar espaço aos sonhos de quem ainda ousa sonhar: que as polis se tornem “lugar de partilha”.

O livro expressa sonhos, utopias, mas já a sua expressão dar lugar e espaço para o que é "sem-lugar". É um grande passo.

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