Um livro que corresponde à abertura dialógica e comunicativa de Bergoglio
Roma, 04 de Agosto de 2014 (Zenit.org)
"Talvez um aspecto primordial do pecado original seja
justamente o feminicídio, esse instinto do homem de acusar sempre a
mulher pelos próprios erros até condená-la: “a mulher que me colocastes
ao lado me deu o fruto proibido” (Gen 3, 12)". Estas são palavras
corajosas de Mons. Raffaele Nogaro, bispo emérito de Caserta, assim como
é corajoso o livro que apresenta: Caro Francisco. Vinte e cinco
mulheres escrevem ao Papa, editado em italiano por “Il pozzo de
Giacobbe”.
A ideia do livro nasceu na terra fértil do diálogo que o Papa
Francisco estabeleceu desde o início de seu pontificado com todos. Neste
contexto mulheres de diferentes origens e estratos sociais, religiosas
(ou a-religiosas), ideológicas e “políticas” se dirigem ao Papa
Bergoglio em simplicidade e seriedade para dizer-lhe a sua atitude com
relação à Igreja. Surge assim um livro rico na sua variedade, evocativo
na sua acuidade e provocativo na sua sinceridade.
Uma das “cartas” é a de Rosa Siciliano, membro activo de Pax Christi
intitulada “informação” que destaca essencialmente três dimensões
fundamentais e complementárias da relação informativo/comunicativo: a
escuta, a palavra e o encontro.
A Siciliano destaca que o Papa Francisco é um "homem de escuta" e
isso é evidente pela sua empatia com o homem de hoje, com as suas
expectativas e as suas prisões. É um homem que escuta e visita as
“periferias existenciais” onde, infelizmente, moram tantas mulheres.
A segunda dimensão que é enfatizada é a palavra que é um termo
essencial para aqueles que querem tecer uma relação comunicativa. Dessa
Siciliano escreve: "Dar novamente a palavra é também restituir a cada um
a possibilidade de ter acesso às chaves interpretativas das mudanças
sociais que nos envolvem, que nos engolem. É restituir a consciência que
a capacidade de sonhar, aquela não, ninguém pode tirá-la de nós”.
A terceira dimensão coexistente à informação/comunicação é o
encontro, onde a educação, as relações sociais e tudo o que compõe a
trama da nossa dimensão social é inervado pelo autêntico desejo de
ser-com e fazer-ser. É dar espaço aos sonhos de quem ainda ousa sonhar:
que as polis se tornem “lugar de partilha”.
O livro expressa sonhos, utopias, mas já a sua expressão dar lugar e espaço para o que é "sem-lugar". É um grande passo.
(04 de Agosto de 2014) © Innovative Media Inc.
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