Um pequena meditação sobre a festa da Transfiguração do Senhor
Crato, 05 de Agosto de 2014 (Zenit.org) Vitaliano Mattioli
No dia seis de Agosto a Igreja celebra a festa da
Transfiguração de Jesus. No Ocidente esta festa foi instituída pelo papa
Calisto II no ano 1456 em memória da vitória de Belgrado sobre o Islão.
Na transfiguração Jesus se manifesta aos seus três apóstolos em todo o
esplendor da sua divindade. Qual foi o motivo? No mesmo capítulo (Mc 9,
31), Jesus fez o segundo anúncio da sua paixão. E por causa disso os
apóstolos ficaram decepcionados. Jesus manifestou a sua divindade para
encorajar e fortalecê-los no momento de sua paixão e morte.
Os apóstolos ficaram alegres e satisfeitos vendo Jesus
resplandecente de luz. E por isso Pedro disse: “Jesus, é bom ficarmos
aqui”.
Uma primeira reflexão. É verdade, é bom ficar com Jesus quando a
nossa vida está no monte Tabor. Mas - pergunta - temos a mesma alegria e
entusiasmo quando estamos no Monte das Oliveiras, isto é, quando se
aproxima a hora da nossa paixão, quando, como Jesus, sentimos uma
tristeza mortal? Pedro, que no monte Tabor queria ficar ali para sempre
perto de Jesus transfigurado, agora, no Monte das Oliveiras não tem o
mesmo entusiasmo e alegria para ficar perto de Jesus, mas dorme e Jesus
fica só.
É fácil ficar com Jesus quando em nossa vida tudo dá certo. Mas,
quando vem a hora da tribulação temos a mesma alegria, coragem e fé para
continuar com Jesus, e saborear o cálice amargo da paixão e não somente
a luz do Tabor? Jesus nos concede a consolação para sermos fortes na
hora das dificuldades, para sermos sempre fiéis a Ele quando nos chama a
compartilhar o sofrimento da paixão. Só nesta fidelidade podemos dizer
que amamos Jesus de verdade, e não somente as consolações de Jesus.
Uma segunda reflexão. Mateus nos conta: “O rosto de Jesus brilhou
como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz” (17, 2). Jesus
nos doou um ensaio da sua divindade. Ele apareceu resplandecente de luz.
Uma transformação semelhante acontece na pessoa baptizada. Com o baptismo
Deus Trindade toma posse de sua criatura. Esta, espiritualmente
falando, resplandece pela presença deste Deus. Deus nos comunica a sua
beleza e a sua luz.
Nos primeiros séculos os neófitos eram chamados de “fotoi”, isto é,
“iluminados”, evidenciando assim o resplendor de uma pessoa na qual
habita Deus Trindade. A transfiguração de Jesus é uma antecipação da
nossa transfiguração. A consequência é que também o nosso modo de viver
deve ser transformado.
Um mote latino diz: “Agere sequitur esse”, isto é: “A maneira de agir
deve ser conforme ao próprio ser”. Nós cristãos temos que ser
espiritualizados e transfigurados. Também a nossa maneira de agir deve
ser transfigurada. Em uma homilia na liturgia baptismal o papa Leão Magno
assim disse: “Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. E já que
participas da natureza divina, não volte aos erros de antes por um
comportamento indigno de tua condição. Recorda-te que foste arrancado do
poder das trevas e levado para a luz e o reino de Deus”. Devemos
realizar uma transfiguração continua.
(05 de Agosto de 2014) © Innovative Media Inc.
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