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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O autor do golo mais rápido do Mundial, um católico perturbado que redescobriu Cristo na Bíblia

Clint Dempsey quer viver uma vida «agradável a Ele»

Aos 32 segundos, Estados Unidos adiantou no jogo que
ganhou ao Ghana por 2-1.
Actualizado 29 de Junho de 2014

C.L. / ReL
No passado dia 16 de Junho, aos 29 segundos do apito inicial (o quinto golo mais rápido na história dos Campeonatos Mundiais de Futebol e o mais rápido até agora nos do Brasil), Clint Dempsey adiantou a sua equipa numa grande jogada pessoal, num jogo que os Estados Unidos acabariam ganhando ao Ghana por 2-1. Estão fazendo um bom campeonato e enfrentarão a Bélgica nos oitavos na próxima terça-feira.

Uma grande estrela do "soccer"

Dempsey está considerado um dos dez melhores jogadores de futebol dos Estados Unidos de todos os tempos, é um jogador de raça e fúria (partiu o nariz perante o Ghana, mas continuou no terreno), capitão da equipa, disputa o seu terceiro mundial, é o segundo marcador na história da equipa nacional, e depois de uma importante carreira na Premier League inglesa (nos plantéis do Fulham e do Tottenham) regressou ao seu país, onde joga no Seattle Sounders.

Texano, de 31 anos, aficionado do rap (acaba de gravar um disco) e da pesca nos seus tempos livres, casou-se em 2007 com a sua esposa Bethany na paróquia de Santo António de Pádua de Southern Pines (Carolina do Norte), e tem três filhos, cujos nomes leva gravados nas botas com as quais salta ao terreno de jogo.

Clint educou-se como católico e na sua infância ia à missa com a sua avó todos os domingos. Ele mesmo contou a sua história num artigo publicado em 17 de Junho na página web de Fellowship of Christian Athlets [Irmandade de Desportistas Cristãos]. Começou a jogar desde a creche porque os seus pais queriam inculcar-lhe com isso boas habilidades sociais: "Longe estavam de saber que o desporto me encantava e as habilidades que aprendi jogariam mais tarde o seu papel na minha relação com Deus!".

Indo à missa com a sua avó compreendeu "que a fé era importante". Mas ao cumprir os 12 anos a sua irmã Jennifer morreu de um aneurisma cerebral, e isso afastou-o de Deus: "Enfrentei a questão de porque sucedem as coisas e que papel desempenha Deus em tudo isso. Durante uns anos lutei com isso e afastei-me de Deus. Mas Ele foi fiel e paciente e pouco a pouco foi-me curando e fortalecendo".

O regresso a uma fé vivida
No instituto uniu-se a um grupo de estudo da Bíblia: "A Palavra de Deus trouxe-me paz e o desejo de uma relação pessoal com Ele. Dei-me conta de que perguntar-lhe coisas e procurar respostas nas Sagradas Escrituras ajudava-me a crescer e orientava-me. Agora a minha fé em Cristo é o que me dá confiança no futuro. Sei que Ele é fiel nos bons e nos maus momentos, e que vela por mim".

Assim Clint é um homem de oração: "Hoje rezo para ser forte e percorrer o caminho. Tento frutificar ao máximo os meus dons e estou agradecido pelas muitas oportunidades e o maravilhoso êxito que Ele me concedeu. Em tudo isso quero actuar com rectidão, não cometer erros e viver uma vida que seja agradável a Ele".

Porque, conclui, "Deus dá forças inclusive quando as circunstâncias parecem impossíveis". E põe o exemplo de Abraão, a quem Deus prometeu uma descendência de gerações apesar de que a sua mulher, Sara, era estéril: "A fé de Abraão foi recompensada quando Deus honrou a sua promessa e Sara deu à luz o seu filho Isaac".

Ele também cumpre a promessa que lhe fez há muitos anos Jennifer. A pequena disse-lhe que, se morresse, ajudá-lo-ia desde o céu "a meter o golo na rede": "Por isso olho sempre o céu quando marco. Para recordá-la".


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