A iniciativa foi anunciada pela Igreja Italiana, que pede para o Ocidente não virar a cara diante da destruição dos valores que o forjaram
Roma, 04 de Agosto de 2014 (Zenit.org)
Os bispos italianos levantam a voz ante as perseguições dos
cristãos no mundo conclamando um jornada de oração que acontecerá no
próximo dia 15 de agosto, e publicando um comunicado onde se denuncia distracções e indiferenças por parte da Europa com relação ao autêntico
“calvário” que vivem os baptizados em muitos países.
Todas as comunidades eclesiais – diz a nota da CEI – são convidadas
a “unir-se em oração como sinal concreto de participação com todos os
provados pela dura repressão”. Um convite que responde ao que o Papa
Francisco denunciou, ou seja, que “existem mais cristãos perseguidos
hoje do que nos primeiros séculos”.
O Santo Padre é citado no texto também em outro trecho, sobre a sua
próxima viagem à Coreia do Sul. "Para a nossa comunidade - diz - é uma
valiosa oportunidade para nos aproximarmos daquela Igreja: um Igreja
jovem, cuja vicissitude histórica sofreu uma dura perseguição, que durou
quase um século, em que cerca de 10 mil fiéis foram martirizados: 103
deles foram canonizados em 1984, por ocasião do segundo centenário das
origens da comunidade católica no país".
O caminho da Igreja na Coreia é a "força" que "marca o evento", uma
força caracterizada pela "glória dos mártires". Neste sentido, se propõe
novamente uma passagem da Carta aos Romanos, de São Paulo: "Se morremos
com Cristo, cremos que também viveremos com Ele" (Rm 6, 8). Palavras
que os bispos italianos esperam que possam “arder também nesta nossa
Europa, distraída e indiferente, cega e muda diante das perseguições que
sofrem centenas de milhares de cristãos hoje”.
O comunicado chega também ao coração das dificuldades que certos
cristãos padecem no mundo. A falta de liberdade religiosa é "um
verdadeiro calvário" que "une os baptizados em Países como Iraque e
Nigéria, onde são marcados pela sua fé e feitos objectos de ataques
contínuos por parte de grupos terroristas; expulsos das suas casas e
expostos a ameaças, assédios e violências, conhecem a humilhação
gratuita da marginalização e do exílio até a morte. Recorda que “as suas
igrejas foram profanadas: antigas relíquias, como também estátuas de
Nossa Senhora e dos Santos, são destruídas por um integralismo que, em
última análise, não tem nada de autenticamente religioso. Nessas áreas, a
presença cristã - a sua história mais que milenária, a variedade de
suas tradições e a riqueza de sua cultura - está em perigo: em perigo de
extinção do mesmo lugar onde nasceu, a partir da Terra Santa".
O apelo é, portanto, forte, para o Ocidente, o que "não pode
continuar a olhar para o outro lado, com a ilusão de poder ignorar uma
tragédia humanitária que destrói os valores que o moldaram e no qual os
cristãos pagam o prejuízo que os confunde indiscriminadamente com um
determinado modelo de desenvolvimento. "O desejo da Conferência
Episcopal Italiana é que “a preocupação pelo futuro de tantos irmãos e
irmãs se traduza em compromisso para nos informar sobre o drama que
estão vivendo, prontamente denunciado pelo Papa."
O comunicado termina, portanto, com o convite dirigido às comunidades
eclesiais "para se juntar em oração por ocasião da solenidade da
Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria (15 de Agosto) como um sinal
concreto de participação com todos os que estão sofrendo com a dura
repressão. Por intercessão da Virgem Mãe, o seu exemplo também nos
ajudará a superar a aridez espiritual do nosso tempo, a redescobrir a
alegria do Evangelho e a coragem do testemunho cristão".
(04 de Agosto de 2014) © Innovative Media Inc.
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