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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Curdos e yihadistas tomam posições em Qaraqosh, cidade cristã: o arcebispo tenta mediar

Também pede acção política internacional, não armas 

O arcebispo siro-católico de Mosul tenta evitar que uma
cidade cristã desde o século IV seja destruída em combates
entre curdos e yihadistas
Actualizado 28 de Junho de 2014

Fides

Qaraqosh, cidade de maioria católica no Iraque, é quase uma cidade fantasma.

Mais de noventa por cento dos mais de 40.000 habitantes, quase todos cristãos da Igreja siro-católica (católicos caldeus), fugiram nos últimos dois dias perante a ofensiva dos insurgentes sunitas dirigida pelos yihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), que submeteram a zona urbana lançando misseis e granadas.

Entre os poucos que ficam na cidade encontram-se o arcebispo de Mosul dos Sírios, Yohanna Petros Moshe, alguns sacerdotes e alguns jovens da sua igreja, que decidiram não fugir.

Nos dois últimos dias, chegaram à cidade armas e novos contingentes para reforçar as milícias curdas peshmerga que resistem ao avance dos insurgentes sunitas.

O arcebispo Moshé tentou mediar entre as forças de oposição com a intenção de preservar a cidade de Qaraqosh da destruição. De momento, a tentativa não teve êxito.

Os insurgentes sunitas pedem às milícias curdas que se retirem. Os peshmerga curdos não tem nenhuma intenção de permitir que os insurgentes se aproximem das fronteiras do Curdistão iraquiano.

Nesta dramática situação, desde Qaraqosh o arcebispo Moshe através da Fides quer fazer um chamamento humanitário urgente à comunidade internacional: “Perante a tragédia pela qual atravessa o nosso povo”, disse a Fides o Arcebispo, “faço um chamamento à consciência dos líderes políticos de todo o mundo, às organizações internacionais e a todos os homens de boa vontade; é necessário intervir de imediato para por fim ao deterioro da situação, trabalhando não só a nível de ajudas humanitárias, mas sim também política e diplomaticamente".

"Cada hora, cada dia perdido, faz que se corra o perigo de chegar a uma situação irrecuperável. Não podemos deixar passar dias e semanas na passividade. A falta de acção converte-se numa cumplicidade com o crime e em abuso de poder. O mundo não pode fazer a vista grossa perante a tragédia de todo um povo que foge das suas casas numas poucas horas, levando consigo só a roupa que tem posta”.

O arcebispo siro-católico de Mosul descreve em poucas palavras emocionadas as condições especiais dos cristãos no recrudescimento dos conflitos sectários que estão pondo em risco a sobrevivência mesma do Iraque: “Qaraqosh e as outras cidades da planície de Nínive foram durante muito tempo lugares de paz e convivência. Nós, os cristãos estamos desarmados, e como cristãos, não temos alimentado nenhum conflito nem problema com os sunitas, xiitas, curdos ou outras realidades que conformam o país do Iraque. Só queremos viver em paz, trabalhando com todo o mundo e no respeito para com todos”.

O sacerdote siro-católico Nizar Semaan, colaborador do Arcebispo Moshe, explica a Fides que o chamado, “também se dirige aos governos europeus e ocidentais que frequentemente falam dos direitos humanos de forma intermitente e interessada, afundando-se depois num silêncio cómodo quando as suas operações e as suas análises dos problemas do Médio Oriente se revelam míopes e desastrosas. Para ser claros, o arcebispo não pede que se resolva a situação mediante o envio de mais armas para o Médio Oriente. Foram também as intervenções armadas ocidentais as que desencadearam o caos cheio de sangue e violência que prejudica o nosso povo”.

[Pode-se ajudar os cristãos do Iraque através da campanha de Ajuda à Igreja Necessitada AQUI]



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