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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Baptista do Arkansas e estrela do country, só uma dúvida e uma missa podiam fazê-lo católico

Collin Raye encadeou quatro discos de platina 

Collin Raye conseguiu 16 números um na sua carreira.
Actualizado 22 de Junho de 2014

C.L. / ReL

Collin Raye nasceu em 1960 em De Queen (Arkansas), um povoado de cinco mil habitantes que o tem a ele como grande celebridade local. Em pleno Bible belt [cinturão da Bíblia], isto é, o grande núcleo evangélico dos Estados Unidos, foi educado como baptista e como tal deu os seus primeiros passos na música country, estilo no qual se converteu numa das referências nacionais, conseguindo até dez nomeações a vocalista masculino do ano.

Sem dúvida, a sua conversão ao catolicismo foi relativamente cedo, e coincide com os seus primeiros passos num terreno onde, por razões sociológicas, a presença protestante é esmagadoramente maioritária. Em 1983 começou a cantar profissionalmente num grupo, e já como solista conseguiu em 1991 o seu primeiro número um, Love Me, tema no qual recordava a morte da sua avó e o amor que lhe professou o seu avô, e que desde então se converteu em habitual na selecção musical de funerais e homenagens aos seres queridos.

Uma dúvida e uma missa
Logo ao cumprir os 23 anos Collin deu o grande passo que mudou a sua vida espiritual. Ele mesmo explicou o processo. Educado como protestante numa família de larga raiz musical, amava as Sagradas Escrituras e nunca questionou a existência de Deus. Mas tinha uma dúvida: sentia-se incómodo com a crença "salvado uma vez, salvado para sempre" que caracteriza o evangelismo protestante do Sul, e que na prática relativiza a vida espiritual e a faz repousar sobre factores externos mais que de conversão interior.

Enquanto esse questionamento lhe roía as suas convicções, um dia notou que uma mulher que ia sempre com o seu marido aos seus concertos levava um crucifixo ao pescoço. Surpreendeu-o e perguntou por isso, e descobriu que eram católicos. Por curiosidade assistiu na sua companhia à missa um domingo... E ficou fascinado "pela beleza do templo e da liturgia". O resto o fez a graça de Deus, e em 1983 fez-se católico.

"Vocês, católicos de toda a vida, que haveis crescido na Igreja, acostumai-vos às coisas santas porque as vedes todos os dias e as dais por feitas", disse há dois anos durante um colóquio na universidade franciscana de Steubenville (Ohio) para explicar o impacto que lhe causou aquela vez primeira em que conheceu a Eucaristia.

Hayley, a sua neta: a última grande prova
Raye viveu uma segunda "conversão" em 2010 por causa da morte da sua neta Hayley, de dez anos de idade, depois de um longo período de padecimento de uma rara enfermidade degenerativa. A sua fé viu-se tentada: "Não recebíamos nada em resposta às nossas orações. Provenho de um âmbito protestante, onde se te ensina que Jesus Cristo curava quando estava neste mundo, assim que também te vai curar a ti".

Inclusive amigos e familiares desse ambiente evangélico faziam-no sofrer dizendo-lhe que a pequena não se curava porque ele não tinha uma fé suficientemente forte: "Eu respondia ´O Senhor saberá´, mas no fundo acreditava que Ele a curaria quando chegasse o momento". Mas, ainda que lhes tivessem dado uma esperança de vida até aos 15 ou 16 anos, Deus levou-a muito antes.

E então compreendeu: "Vi coisas que Deus tinha preparado para mim agora, e que não tinha visto antes". Esperava-o uma volta na sua carreira. Em 2011, movido pelo impulso religioso dessa do, apresentou o primeiro álbum puramente espiritual da sua carreira, His Love remains [O Seu Amor {de Jesus} permanece], que rapidamente alcançou o número 1 na Amazon nessa categoria. A morte da pequena Hayley fez que a sua música se centrasse mais em Deus.

"Deus tinha um propósito mais amplo, tudo consiste em conformar-se à vontade de Deus. Deves rezar-lhe independentemente de que faça ou não o que tu queres que faça. Raras vezes fará o que tu queres que faça... E há que dar graças a Deus por isso!". E acrescenta: "A minha vida ensinou-me algo que quero partilhar convosco, e espero que não vos leve tanto tempo a compreendê-lo como a mim: que quanto antes aprenderdes a guardar silêncio para escutar a Deus, e a rezar, dizei só: ´Senhor, faz comigo o que queres´".

Com Terri Schiavo
Antes e depois disso, Collin foi sempre um grande promotor das causas sociais dos desfavorecidos, prestando a sua ajuda a uma vintena de organizações que atendem de enfermos de sida a vítimas da violência doméstica, passando por Cáritas. Quando morreu Hayley, ele e a sua filha (mãe da pequena) criaram uma fundação para ajuda a crianças incapacitadas. E em Setembro de 2011 foi o condutor do encontro anual que mantém viva a memória de Terri Schiavo, a jovem a quem em 2005 se deixou de alimentar para que morresse de fome e sede porque se a considerava em morte cerebral, e que desde então é símbolo da cultura da vida frente à cultura da morte e a exclusão.

Em Abril publicou a sua autobiografia, A voice undefeated [Uma voz invicta], onde recorda as tragédias que o rodearam, desde o drama da sua neta às graves enfermidades da sua mulher e sua filha, a ruptura do seu matrimónio e inclusive a bancarrota. "Sou eu tão importante como para escrever um livro sobre mim mesmo?", pergunta-se, segundo recolhe Catholic News Service: "Creio que Deus quer que o faça porque passei por altos e baixos e atravessei circunstâncias extraordinárias. Espero que seja um livro que Ele use para o bem, porque tudo se trata disso".

"The Cross", uma canção para ir à Cruz e "encontrar a paz da alma"



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