A cultura do descarte também leva a uma eutanásia oculta, acrescenta Francisco
Cidade do Vaticano, 17 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora
O papa Francisco recebeu em audiência neste sábado a
Associação de Médicos Católicos Italianos, que celebram os seus 70 anos
de fundação.
Após destacar os indubitáveis progressos científicos e técnicos
actuais, que aumentam as curas físicas, o papa observou que há “outros
aspectos que parecem diminuir a capacidade de se assumir o cuidado da
pessoa, particularmente se ela está sofrendo, é frágil ou indefesa”.
“Estamos vivendo um tempo em que se experimenta mal com a vida, em
que se fazem filhos em vez de acolhê-los como um dom, em que se brinca
com a vida. Tomem cuidado. Isto é um pecado contra o Criador, contra o
Deus Criador que fez as coisas assim”.
“Quantas vezes, na minha vida de sacerdote, escutei objecções: 'Por
que a Igreja se opõe ao aborto?', por exemplo. É um problema religioso? É
um problema filosófico? Não, não é um problema filosófico, é um
problema científico, porque ali há uma vida humana e não é lícito
eliminar uma vida humana para resolver um problema”, afirmou aos médicos
presentes, reunidos na Sala Paulo VI.
“Ah, mas o pensamento moderno... Esperem um pouco! No pensamento
antigo e no pensamento moderno, assassinar significa a mesma coisa!”.
“O mesmo vale para a eutanásia, e todos sabemos que, com muitos
idosos, nesta cultura do descarte, é praticada uma eutanásia escondida.
Pecado contra Deus Criador. Reflictam bem sobre isto”.
“Que os 70 anos da vida da sua associação estimulem um novo caminho
de crescimento e de maturidade. Que vocês possam colaborar de maneira
positiva com todas as instituições que compartilham com vocês do amor à
vida e que trabalham para servi-la na sua dignidade, sacramentalidade e
inviolabilidade”.
Francisco encerrou o seu discurso recordando uma frase de São Camilo
de Lellis, que, para cuidar melhor dos doentes, dizia aos médicos:
“Coloquem mais coração nessas mãos”.
O papa pediu ainda que “a Virgem Santíssima, a Salus Infirmorum
[Saúde dos enfermos], dê sustento ao propósito com que vocês vão
prosseguir no seu trabalho. Por favor, peço que rezem por mim e, de
coração, os abençoo. Obrigado”.
(17 de Novembro de 2014) © Innovative Media Inc.
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