Maria Voce fala sobre o carisma do Movimento dos Focolares na óptica da unidade, do ecumenismo e do anúncio do Evangelho, à luz dos princípios do Concílio Vaticano II
Roma, 17 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Luca Marcolivio
O movimento dos Focolares é um dos tantos que participarão
no terceiro Congresso Mundial dos movimentos eclesiais e das novas
comunidades, programado em Roma do 20 ao 22 de Novembro. O seu carisma
básico, transmitido pela fundadora Chiara Lubich (1920-2008), é o da
unidade entre todos os cristãos na linha do ensinamento do Concílio
Vaticano II.
À margem da conferência de imprensa de apresentação do Congresso,
Maria Voce, hoje presidente dos Focolares depois da morte da fundadora,
explicou a ZENIT o sentido do carisma do movimento, à luz do Concílio
Vaticano II e do diálogo com as outras realidades eclesiásticas e
religiosas, nunca separados do anúncio da verdade do Evangelho.
ZENIT: Dra. Voce, durante a conferência de imprensa, você se
referiu ao Concílio Vaticano II: depois de 50 anos estamos finalmente
chegando à implementação do "espírito do Concílio"?
Maria Voce: Nos damos conta de que não foi totalmente implementado,
embora estamos chegando a uma plena actuação. Este é, portanto, o momento
em que se começa a entender tudo aquilo que o Concílio Vaticano II
trouxe, porém, esta gradualidade não surpreende já que, no fundo, 50
anos na história da Igreja são poucos anos e o Concílio realmente marcou
uma reviravolta que precisava de um pouco de tempo para que pudesse
amadurecer.
ZENIT: De que forma o Movimento dos Focolares está comprometido a realizar os princípios e o ensinamento do Vaticano II?
Maria Voce: O nosso movimento persegue esse objectivo vivendo o
próprio carisma, ou seja, o carisma da unidade e da comunhão. É
precisamente nesse espírito de comunhão entre as pessoas, entre os
movimentos católicos e com as outras igrejas, com as pessoas de qualquer
credo e também sem credo. É esta abertura de 360 graus que leva a um
diálogo que, em última análise, é uma arte, porque não é algo que se
improvisa mas se aprende e nós procuramos praticá-la e aprendê-la a cada
dia, buscando estar abertos a todos e acolhendo a todos.
ZENIT: Quão importante é para um movimento o carisma do
fundador? No caso específico do Movimento dos Focolares quão importante é
o carisma de Chiara Lubich?
Maria Voce: O carisma do fundador é muito importante. Não existe um
outro carisma porque se trata daquele carisma que Deus deu àquele
movimento, embora, evidente, deva ser actualizado: isso não significa o
que fez, o que disse ou como viveu Chiara Lubich, mas sim, se ela ainda
fosse viva, como viveria a época actual. Então, buscamos actualizar este
carisma no esforço para que “todos sejamos um”, que foi o motivo
original pelo qual nasceu o movimento mas que ainda deve ser actualizado.
ZENIT: Muitas vezes, tende-se a dar ênfase nas diferenças, ou
até mesmo na rivalidade entre os movimentos eclesiais. No entanto, não
seria de desejar uma colaboração entre os mesmos movimentos?
Maria Voce: Nós mesmos a colocamos em prática de muitas maneiras, por
exemplo, junto com os movimentos de outras igrejas, estamos trabalhando
na comemoração da reforma luterana, no 500º aniversário (1517-2017).
Não se trata de celebrar uma separação mas de recordar um desejo de
conversão que moveu Lutero e que depois moveu a Igreja Católica, com a
Contra-Reforma, para lembrar este compromisso como cristãos. Mas também
penso no nosso congresso anual na cidadezinha de Loppiano sobre como
enquadrar a economia a partir de um ponto de vista cristão, também esse
em colaboração com outros movimentos. Sem mencionar inúmeros outros
congressos e reuniões...
ZENIT: Em uma época de secularização, entre os católicos é
comum a discussão sobre qual princípio deveria prevalecer entre o
anúncio da verdade do Evangelho e o diálogo com quem não o compartilha:
onde deveria começar um e onde deveria acabar o outro?
Maria Voce: São dois princípios que não estão contrapostos. No Sínodo
dos Bispos, o Papa pediu a parresia, a escuta e a acolhida: são três
princípios que vão juntos, é preciso falar e dizer a própria ideia, a
verdade da qual estamos convencidos, é necessário comunica-la, porém,
nunca deve ser uma imposição, mas sempre um oferecimento e uma abertura
para acolher aquilo que o outro nos quer dizer, portanto, nesta acolhida
recíproca, descobrir uma verdade que nos transcende a todos, aquela
verdade que é Cristo mesmo, portanto, não um ponto da verdade como pode
ser ensinada por alguém; mais do que de qualquer outro, de Cristo em
pessoa. Não há conflito, então, é preciso ser você mesmo plenamente e,
igualmente plenamente, acolher o outro.
(17 de Novembro de 2014) © Innovative Media Inc.
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