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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Da tinta e o papel aos bytes e à tela

O desafio do mundo editorial digital para os católicos


Roma, 17 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Jorge Henrique Mújica


Em nenhum outro momento da história o homem tinha lido tanto. Em certo sentido se poderia dizer que a palavra escrita chegou a estar por acima da comunicação oral. Isso fica claro não somente por causa da omnipresença das mensagens instantâneas dos dispositivos móveis e app ou redes sociais, mas também pelo modo como a indústria editorial soube abrir caminho na era digital. Diante daqueles que profetizavam a extinção do livro por causa do surgimento da internet, hoje em dia a constatação é, pelo contrário, de forte crescimento e de um horizonte cheio de esperança.

As casas editoriais souberam evoluir do papel à tela respondendo assim a uma questão que não é outra que a da leitura. Junto com isso está o nascimento de aparelhos criados para facilitar o exercício da leitura (o Kindle, por exemplo) e até mesmo de redes sociais baseadas em livros (veja “Anobbi, o Facebook dos livros”). É uma exceção a marca editorial que não tem uma presença na internet: tanto para anunciar os seus produtos ainda impressos e vende-los, quanto para dar a conhecer as versões digitais das obras que vende.

Mas, além da migração de apoio ou da mera constatação de um compreensível, esperado, fenómeno digital há um novo modo de entender a publicação.

Os livros são cada vez mais acompanhados por portais especiais que surgem simultaneamente com a aparição da obra, tanto impressa quanto em formato digital, que os acompanham. Até aí nada de especial. Normalmente qualquer projecto tem seu espelho na web. O que há de tão especial sobre isso? Esses portais não são só espaços para informação complementar da obra e seu autor, mas autênticos espaços de alargamento do livro. Neles se criam conversações para discutir o conteúdo do livro: desde erratas realizadas pelos leitores até incorporação de dados complementários ou finais alternativos. Incorpora-se, assim, a dinâmica da web 2.0 na qual não existe só um emissor e um receptor claramente definidos, mas sim múltiplos emissores e receptores com um detonador comum de fundo (um tema, uma causa, etc).

Em si mesmo, muitos dos livros publicados actualmente convidam a prolongar a leitura discutindo em torno da obra nas redes sociais. No Twitter são criados hashtags, no Facebook fanpages e no Google+ perfis para o livro. Dessa forma o autor envolve seus leitores e os leitores se envolvem com o autor. Mais uma barreira fica assim destruída.

É claro que uma tal realidade supõe novos desafios para quem dá seus primeiros passos no mundo dos livros. Por um lado, o autor se submete já não só ou, em primeiro lugar, à crítica dos especialistas literários, mas enfrenta directamente a crítica mais importante: a daqueles que o lêem. Alguns comentários serão de aplauso, enquanto que outros serão de crítica mordaz.

Todos esses comentários que são, em última instância, interacção, podem derivar em três coisas: 1) que o autor não o leva em consideração, não interage com seus leitores; 2) que ele é incapaz de fazê-lo, dada a quantidade dos mesmos; 3) ou que prova o desânimo, dada a aparente falta de interesse pela interacção.

É claro que na hora de avaliar um projecto espelho na web deve se considerar a qual público se dirige a obra original do autor. Por outro lado, nos últimos anos as casas editoriais estão apostando no publicar obras de autores que já gozam de certo reconhecimento na web. Isso por dois motivos: 1) como já são conhecidos, existe uma audiência natural que estaria disposta a comprar os seus livros, e 2) isso poupa não poucas despesas de marketing e publicidade.

Sabe-se que nas redes sociais as páginas temáticas que tem mais interacção são as religiosas (ver "As páginas do Facebook mais activas a nível mundial são sobre religião”, Agência de Notícias Zenit, 03.10.2013) Vinculando esse dado com os projectos confessionais católicos, não existe nesse campo do mundo editorial, todo um mundo ainda por explorar – por aproveitar?

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