O desafio do mundo editorial digital para os católicos
Roma, 17 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Jorge Henrique Mújica
Em nenhum outro momento da história o homem tinha lido
tanto. Em certo sentido se poderia dizer que a palavra escrita chegou a
estar por acima da comunicação oral. Isso fica claro não somente por
causa da omnipresença das mensagens instantâneas dos dispositivos móveis e
app ou redes sociais, mas também pelo modo como a indústria editorial
soube abrir caminho na era digital. Diante daqueles que profetizavam a
extinção do livro por causa do surgimento da internet, hoje em dia a
constatação é, pelo contrário, de forte crescimento e de um horizonte
cheio de esperança.
As casas editoriais souberam evoluir do papel à tela respondendo
assim a uma questão que não é outra que a da leitura. Junto com isso
está o nascimento de aparelhos criados para facilitar o exercício da
leitura (o Kindle, por exemplo) e até mesmo de redes sociais baseadas em
livros (veja “Anobbi, o Facebook dos livros”). É uma exceção a marca
editorial que não tem uma presença na internet: tanto para anunciar os
seus produtos ainda impressos e vende-los, quanto para dar a conhecer as
versões digitais das obras que vende.
Mas, além da migração de apoio ou da mera constatação de um
compreensível, esperado, fenómeno digital há um novo modo de entender a
publicação.
Os livros são cada vez mais acompanhados por portais especiais que
surgem simultaneamente com a aparição da obra, tanto impressa quanto em
formato digital, que os acompanham. Até aí nada de especial. Normalmente
qualquer projecto tem seu espelho na web. O que há de tão especial sobre
isso? Esses portais não são só espaços para informação complementar da
obra e seu autor, mas autênticos espaços de alargamento do livro. Neles
se criam conversações para discutir o conteúdo do livro: desde erratas
realizadas pelos leitores até incorporação de dados complementários ou
finais alternativos. Incorpora-se, assim, a dinâmica da web 2.0 na qual
não existe só um emissor e um receptor claramente definidos, mas sim
múltiplos emissores e receptores com um detonador comum de fundo (um
tema, uma causa, etc).
Em si mesmo, muitos dos livros publicados actualmente convidam a
prolongar a leitura discutindo em torno da obra nas redes sociais. No
Twitter são criados hashtags, no Facebook fanpages e no Google+ perfis
para o livro. Dessa forma o autor envolve seus leitores e os leitores se
envolvem com o autor. Mais uma barreira fica assim destruída.
É claro que uma tal realidade supõe novos desafios para quem dá seus
primeiros passos no mundo dos livros. Por um lado, o autor se submete já
não só ou, em primeiro lugar, à crítica dos especialistas literários,
mas enfrenta directamente a crítica mais importante: a daqueles que o lêem. Alguns comentários serão de aplauso, enquanto que outros serão de
crítica mordaz.
Todos esses comentários que são, em última instância, interacção,
podem derivar em três coisas: 1) que o autor não o leva em consideração,
não interage com seus leitores; 2) que ele é incapaz de fazê-lo, dada a
quantidade dos mesmos; 3) ou que prova o desânimo, dada a aparente
falta de interesse pela interacção.
É claro que na hora de avaliar um projecto espelho na web deve se
considerar a qual público se dirige a obra original do autor. Por outro
lado, nos últimos anos as casas editoriais estão apostando no publicar
obras de autores que já gozam de certo reconhecimento na web. Isso por
dois motivos: 1) como já são conhecidos, existe uma audiência natural
que estaria disposta a comprar os seus livros, e 2) isso poupa não
poucas despesas de marketing e publicidade.
Sabe-se que nas redes sociais as páginas temáticas que tem mais
interacção são as religiosas (ver "As páginas do Facebook mais activas a
nível mundial são sobre religião”, Agência de Notícias Zenit,
03.10.2013) Vinculando esse dado com os projectos confessionais
católicos, não existe nesse campo do mundo editorial, todo um mundo
ainda por explorar – por aproveitar?
(17 de Novembro de 2014) © Innovative Media Inc.
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