A diocese de Granada afasta vários sacerdotes após acusações da vítima, que na época era menor de idade
Madrid, 18 de Novembro de 2014 (Zenit.org)
O papa Francisco ficou perplexo ao receber uma carta, vinda
da Espanha alguns meses atrás, em que um professor universitário lhe
contava ter sido vítima de abusos sexuais durante dois anos na cidade de
Granada, situada na região espanhola da Andaluzia, quando ainda era
adolescente.
Segundo informações veiculadas nesta semana pelo site “Religión
Digital”, a vítima recebeu em Agosto uma ligação telefónica do Santo
Padre. Francisco lhe pediu perdão em nome da Igreja e lhe ofereceu o seu
apoio, em mais uma demonstração de que o pontífice argentino está
seguindo a mesma linha de "tolerância zero" já adoptada por Bento XVI.
O jovem espanhol também formalizou a sua denúncia perante a justiça
da Andaluzia. Os envolvidos são pelo menos doze, entre sacerdotes e
leigos. O tribunal andaluz está investigando três sacerdotes da diocese
de Granada pela acusação de abusos sexuais cometidos na última década,
além de outros sete sacerdotes e dois leigos acusados de acobertar os
fatos. Além do denunciante, haveria ao menos outros quatro menores
também vitimados pelo mesmo grupo de acusados.
Diante das informações publicadas pela media, a arquidiocese de
Granada informou nesta segunda-feira que afastou do exercício
ministerial vários sacerdotes acusados de abusos sexuais. Em nota
oficial, o arcebispado informa que "desde que se teve notícia fidedigna
da acusação apresentada perante a Santa Sé por um jovem de Granada de
ter sofrido abusos sexuais por parte de um grupo de sacerdotes da
diocese, este arcebispado seguiu escrupulosamente o procedimento
previsto pela disciplina canónica para tais casos".
O comunicado detalha que, primeiramente, a diocese "verificou se a
acusação tinha verosimilhança". Após destacar que a investigação
preliminar "não tem carácter judicial", a diocese declara ainda que
"impôs as medidas cautelares aos sacerdotes directamente acusados dos
abusos, afastando-os do exercício do ministério sacerdotal".
"Igualmente, remeteu as conclusões da investigação à Santa Sé",
prossegue o texto, acrescentando que, "ao saber que a denúncia judicial
tinha sido apresentada, o arcebispado se pôs à disposição da autoridade
judicial para colaborar no que fosse necessário".
"A arquidiocese, assim como a multidão dos fiéis cristãos, é
consciente de que a imensa maioria dos sacerdotes vive exemplarmente o
exercício do seu ministério e dá um precioso testemunho, às vezes heróico, de entrega a Deus e aos irmãos. O corpo inteiro da Igreja é
ferido profundamente por escândalos desta natureza, cuja confirmação e
alcance terá que ser determinada pela autoridade judicial mediante a
investigação já aberta".
(18 de Novembro de 2014) © Innovative Media Inc.
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