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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Começa em Roma o VII Congresso Mundial da Pastoral dos Migrantes

Em pauta, políticas que tratem os migrantes como pessoas dotadas de direitos


Cidade do Vaticano, 18 de Novembro de 2014 (Zenit.org)


O cardeal Antonio Maria Vegliò, presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes, abriu nesta segunda-feira o VII Congresso Mundial da Pastoral dos Migrantes, que acontece em Roma de 17 a 21 de Novembro com o tema "Cooperação e desenvolvimento na pastoral das migrações".

Vegliò destacou que, "embora possa parecer uma frase evidente", a migração "continua sendo um sinal dos tempos que influencia profundamente as nossas sociedades e que, numa época de mudanças rápidas e sem precedentes, traz consigo potencialidades e riscos".

As migrações propõem desafios específicos devido aos seus diferentes problemas de natureza social, económica, política, cultural e religiosa, bem como por causa das diversas emergências que interpelam a comunidade internacional, disse o cardeal.

O purpurado ressaltou que "o fato de muitos migrantes se deslocarem apesar dos persistentes obstáculos" demonstra certa "incompatibilidade entre os enfoques restritivos e um mundo que avança para uma liberalização maior de outros fluxos".

Tal incoerência pode ser considerada "responsável pelo grande número de imigrantes sem documentação e pela aparição de áreas de trânsito migratório em diferentes partes do mundo, além de ser terreno fértil para diversos crimes graves contra os direitos humanos, como o tráfico de pessoas através das fronteiras".

A este propósito, o cardeal alertou contra a tendência a se ver o estrangeiro migrante com temor. "Em vez de acolhimento e solidariedade, os movimentos migratórios suscitam receio e hostilidade, desconfianças e preconceitos", declarou.

Vegliò se perguntou quais são os aspectos que mais se impõem para uma leitura cristã do fenómeno da migração por motivos de trabalho. Deste modo, enfatizou que o tema deste encontro evidencia dois caminhos a seguir: "a cooperação e o desenvolvimento, na perspectiva específica da solicitude pastoral".

Em relação à cooperação e ao desenvolvimento, o purpurado falou do aspecto positivo do fenómeno da migração, inclusive no campo do trabalho, e dos grandes benefícios de se "investir em novas forças criativas e produtivas que podem ser de indiscutível utilidade para o desenvolvimento. A inserção dos migrantes no sector produtivo dos países de acolhida tem a capacidade de criar riquezas para os próprios países e, ao mesmo tempo, pode oferecer oportunidades de formação, informação, trabalho e retribuição para os migrantes". Estes podem assim compartilhar com seu país de origem uma parte importante dos benefícios que recebem no país de acolhida.

O cardeal recordou que não se deve confundir o desenvolvimento apenas com o crescimento económico e com outros indicadores financeiros. O verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade ou de um país exige não só mudanças económicas e estruturais, mas mudanças profundas no âmbito social e político. Ele também destacou que são necessárias políticas migratórias "que considerem os migrantes não só como instrumentos de atracção ou de expulsão, mas como pessoas que devem ter garantidos todos os seus direitos e todos os efeitos que derivam da residência e da cidadania".

Antonio Maria Vegliò também observou que os migrantes não têm somente necessidades materiais, mas espirituais, às quais "a Igreja é chamada a responder através de um cuidado pastoral integral que representa uma específica área de acção dentro da pastoral ordinária". O ponto de partida é sempre, concluiu, "a compreensão da situação dos migrantes em todas as suas dimensões, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja".

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