Em pauta, políticas que tratem os migrantes como pessoas dotadas de direitos
Cidade do Vaticano, 18 de Novembro de 2014 (Zenit.org)
O cardeal Antonio Maria Vegliò, presidente do Pontifício
Conselho da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes, abriu nesta
segunda-feira o VII Congresso Mundial da Pastoral dos Migrantes, que
acontece em Roma de 17 a 21 de Novembro com o tema "Cooperação e
desenvolvimento na pastoral das migrações".
Vegliò destacou que, "embora possa parecer uma frase evidente", a
migração "continua sendo um sinal dos tempos que influencia
profundamente as nossas sociedades e que, numa época de mudanças rápidas
e sem precedentes, traz consigo potencialidades e riscos".
As migrações propõem desafios específicos devido aos seus diferentes
problemas de natureza social, económica, política, cultural e religiosa,
bem como por causa das diversas emergências que interpelam a comunidade
internacional, disse o cardeal.
O purpurado ressaltou que "o fato de muitos migrantes se deslocarem
apesar dos persistentes obstáculos" demonstra certa "incompatibilidade
entre os enfoques restritivos e um mundo que avança para uma
liberalização maior de outros fluxos".
Tal incoerência pode ser considerada "responsável pelo grande número
de imigrantes sem documentação e pela aparição de áreas de trânsito
migratório em diferentes partes do mundo, além de ser terreno fértil
para diversos crimes graves contra os direitos humanos, como o tráfico
de pessoas através das fronteiras".
A este propósito, o cardeal alertou contra a tendência a se ver o
estrangeiro migrante com temor. "Em vez de acolhimento e solidariedade,
os movimentos migratórios suscitam receio e hostilidade, desconfianças e
preconceitos", declarou.
Vegliò se perguntou quais são os aspectos que mais se impõem para uma
leitura cristã do fenómeno da migração por motivos de trabalho. Deste
modo, enfatizou que o tema deste encontro evidencia dois caminhos a
seguir: "a cooperação e o desenvolvimento, na perspectiva específica da
solicitude pastoral".
Em relação à cooperação e ao desenvolvimento, o purpurado falou do
aspecto positivo do fenómeno da migração, inclusive no campo do
trabalho, e dos grandes benefícios de se "investir em novas forças
criativas e produtivas que podem ser de indiscutível utilidade para o
desenvolvimento. A inserção dos migrantes no sector produtivo dos países
de acolhida tem a capacidade de criar riquezas para os próprios países
e, ao mesmo tempo, pode oferecer oportunidades de formação, informação,
trabalho e retribuição para os migrantes". Estes podem assim
compartilhar com seu país de origem uma parte importante dos benefícios
que recebem no país de acolhida.
O cardeal recordou que não se deve confundir o desenvolvimento apenas
com o crescimento económico e com outros indicadores financeiros. O
verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade ou de um país exige não só
mudanças económicas e estruturais, mas mudanças profundas no âmbito
social e político. Ele também destacou que são necessárias políticas
migratórias "que considerem os migrantes não só como instrumentos de
atracção ou de expulsão, mas como pessoas que devem ter garantidos todos
os seus direitos e todos os efeitos que derivam da residência e da
cidadania".
Antonio Maria Vegliò também observou que os migrantes não têm somente
necessidades materiais, mas espirituais, às quais "a Igreja é chamada a
responder através de um cuidado pastoral integral que representa uma
específica área de acção dentro da pastoral ordinária". O ponto de
partida é sempre, concluiu, "a compreensão da situação dos migrantes em
todas as suas dimensões, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social
da Igreja".
(18 de Novembro de 2014) © Innovative Media Inc.
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