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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Entrevista com o embaixador da Polónia junto à Santa Sé (II): a repercussão do atentado contra João Paulo II

O papa sobreviveu ao atentado, o que representou um novo sinal de Deus


Roma, 11 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora


Neste domingo, 9 de Novembro, completaram-se 25 anos da queda do Muro de Berlim. O embaixador da Polónia junto à Santa Sé, Piotr Nowina-Konopka, então ministro do primeiro governo livre depois do comunismo naquele país e porta-voz de Lech Walesa e do sindicato Solidarnosc durante a lei marcial, contou a ZENIT como João Paulo II deu aos polacos a esperança que derrubou a Cortina de Ferro.

Apresentamos aos nossos leitores a segunda parte da entrevista:

ZENIT: O senhor acha que o atentado de 1981 contra João Paulo II foi ordenado por Moscovo?
Embaixador Nowina: Para nós, a situação era muito clara. O sindicato Solidarnosc estava crescendo na Polónia e se tornava cada vez mais pujante, apesar do regime que tentava impedi-lo. É evidente que a raiz da nossa força estava no papa, no Vaticano. O atentado deixou evidente para nós que as forças do “antigo regime” queriam parar o avanço desta situação na Polónia, porque incentivava tendências semelhantes nos países vizinhos que também estavam sob o sistema soviético. E perceberam que, se as coisas continuassem assim na Polónia, a “doença” se alastraria por toda parte. Para nós, ficou claro que o atentado foi organizado por Moscovo.

ZENIT: Ali Agca, no fim das contas, era um marionete?
Embaixador Nowina: Sim, apesar de que não encontramos todos os elementos para uma prova formal. Mas convinha a quem? Isto é evidente.

ZENIT: Com a morte de João Paulo II podia acabar tudo?
Embaixador Nowina: Não sei, não sabemos o que teria acontecido se tivessem matado o papa. Ele conseguiu sobreviver e, para nós, foi um sinal divino, um milagre. Podia ter morrido! Agca era um profissional e disparou de muito perto. Era fácil matá-lo.

ZENIT: Como foi aquele 13 de maio de 1981, quando vocês souberam que o papa tinha sofrido um atentado?
Embaixador Nowina: Foi um drama, foi uma longa e profunda noite de oração. Toda a Polónia elevou orações. Para nós, ele era um ponto de referência, de esperança. Depois da viagem dele à Polónia, todos diziam: o papa é polaco, o papa veio e nos mostrou que não estamos sozinhos, numa sociedade que conseguiu fazer a greve de Gdansk, que levou ao estabelecimento de um sindicato livre, o primeiro no mundo comunista, com certa liberdade de imprensa, podendo ler livros e jornais sem ser presos. Por tudo isso, a ideia de nos vermos privados daquele papa era um drama para todos os polacos, porque tudo aquilo podia acabar.

ZENIT: Como ficaram sabendo da melhora do Santo Padre?
Embaixador Nowina: Não foi de repente. Pouco a pouco, em duas ou três semanas, soubemos que ele estava melhorando. O cardeal primaz, Stefan Wyszynski, que faleceu quando o papa estava ainda no hospital, nos dizia que era ele quem queria pagar o preço desse atentado e que ele oferecia a vida para que o papa sobrevivesse.

ZENIT: E a volta de João Paulo II à Polónia depois do atentado?
Embaixador Nowina: Ele voltou em 1983, em plena época marcial, e para nós foi uma reactivação, porque as estruturas clandestinas estavam destruídas. Melhorou o nosso moral. A ideia era “resistam, resistam”, porque era um período muito difícil, de repressão contra a oposição democrática, com a polícia, os partidos, a repressão. E ele voltou de novo em Junho de 1987, dois anos antes das eleições em que ganhamos tudo o que era possível ganhar em eleições parcialmente livres.

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