O papa sobreviveu ao atentado, o que representou um novo sinal de Deus
Roma, 11 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora
Neste domingo, 9 de Novembro, completaram-se 25 anos da
queda do Muro de Berlim. O embaixador da Polónia junto à Santa Sé, Piotr
Nowina-Konopka, então ministro do primeiro governo livre depois do
comunismo naquele país e porta-voz de Lech Walesa e do sindicato
Solidarnosc durante a lei marcial, contou a ZENIT como João Paulo II deu
aos polacos a esperança que derrubou a Cortina de Ferro.
Apresentamos aos nossos leitores a segunda parte da entrevista:
ZENIT: O senhor acha que o atentado de 1981 contra João Paulo II foi ordenado por Moscovo?
Embaixador Nowina: Para nós, a situação era muito clara. O sindicato
Solidarnosc estava crescendo na Polónia e se tornava cada vez mais
pujante, apesar do regime que tentava impedi-lo. É evidente que a raiz
da nossa força estava no papa, no Vaticano. O atentado deixou evidente
para nós que as forças do “antigo regime” queriam parar o avanço desta
situação na Polónia, porque incentivava tendências semelhantes nos
países vizinhos que também estavam sob o sistema soviético. E perceberam
que, se as coisas continuassem assim na Polónia, a “doença” se
alastraria por toda parte. Para nós, ficou claro que o atentado foi
organizado por Moscovo.
ZENIT: Ali Agca, no fim das contas, era um marionete?
Embaixador Nowina: Sim, apesar de que não encontramos todos os
elementos para uma prova formal. Mas convinha a quem? Isto é evidente.
ZENIT: Com a morte de João Paulo II podia acabar tudo?
Embaixador Nowina: Não sei, não sabemos o que teria acontecido se
tivessem matado o papa. Ele conseguiu sobreviver e, para nós, foi um
sinal divino, um milagre. Podia ter morrido! Agca era um profissional e
disparou de muito perto. Era fácil matá-lo.
ZENIT: Como foi aquele 13 de maio de 1981, quando vocês souberam que o papa tinha sofrido um atentado?
Embaixador Nowina: Foi um drama, foi uma longa e profunda noite de
oração. Toda a Polónia elevou orações. Para nós, ele era um ponto de
referência, de esperança. Depois da viagem dele à Polónia, todos diziam:
o papa é polaco, o papa veio e nos mostrou que não estamos sozinhos,
numa sociedade que conseguiu fazer a greve de Gdansk, que levou ao
estabelecimento de um sindicato livre, o primeiro no mundo comunista,
com certa liberdade de imprensa, podendo ler livros e jornais sem ser
presos. Por tudo isso, a ideia de nos vermos privados daquele papa era
um drama para todos os polacos, porque tudo aquilo podia acabar.
ZENIT: Como ficaram sabendo da melhora do Santo Padre?
Embaixador Nowina: Não foi de repente. Pouco a pouco, em duas ou três
semanas, soubemos que ele estava melhorando. O cardeal primaz, Stefan
Wyszynski, que faleceu quando o papa estava ainda no hospital, nos dizia
que era ele quem queria pagar o preço desse atentado e que ele oferecia
a vida para que o papa sobrevivesse.
ZENIT: E a volta de João Paulo II à Polónia depois do atentado?
Embaixador Nowina: Ele voltou em 1983, em plena época marcial, e para
nós foi uma reactivação, porque as estruturas clandestinas estavam
destruídas. Melhorou o nosso moral. A ideia era “resistam, resistam”,
porque era um período muito difícil, de repressão contra a oposição
democrática, com a polícia, os partidos, a repressão. E ele voltou de
novo em Junho de 1987, dois anos antes das eleições em que ganhamos tudo
o que era possível ganhar em eleições parcialmente livres.
(11 de Novembro de 2014) © Innovative Media Inc.
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