Observador vaticano perante a ONU faz apelo à comunidade internacional na 27ª Sessão Ordinária do Conselho dos Direitos do Homem das Nações Unidas
Cidade do Vaticano, 12 de Setembro de 2014 (Zenit.org)
A escravidão é uma praga do mundo contemporâneo e não
podemos permanecer em silêncio diante dela. “Temos que romper o
silêncio”, exortou dom Silvano Tomasi, observador permanente da Santa Sé
junto à ONU, durante a 37ª Sessão Ordinária do Conselho dos Direitos do
Homem, cujo tema é “Combater as formas contemporâneas de escravidão”.
Em seu discurso, o arcebispo enumera as “chocantes” formas de
escravidão contemporânea e as denuncia como uma “ferida aberta no corpo
da sociedade”: os sequestros em massa, o comércio de jovens
exemplificado nos caso da Nigéria, pelo Boko Haram, e do Iraque, pela
milícia do Estado Islâmico, o recrutamento forçado de 250 mil crianças,
às vezes utilizadas como "escudos humanos" em conflitos armados, além
dos mais de 5,7 milhões de crianças “vítimas do trabalho forçado" e das
meninas obrigadas a se casar.
Tomasi reconheceu que nos encontramos diante de uma “ampla gama de
abusos dos direitos humanos, em particular nessas áreas de conflito
civil e político em que a violência tem causado o assassinato de
milhares de pessoas inocentes e deixado milhões de desabrigados”.
Estes problemas devem ser resolvidos a partir da sua raiz: é
necessário, disse o prelado, combater a pobreza, o desemprego, a falta
de instrução e o analfabetismo para eliminar a exploração de menores e o
tráfico de seres humanos.
O observador vaticano afirmou que a comunidade internacional tem que
se engajar nesta luta na linha de frente. “Já foram desenvolvidas
numerosas convenções e acordos internacionais contra as formas
contemporâneas de escravidão”, mas, na opinião da Santa Sé, "estes
instrumentos não cumprirão plenamente os seus objectivos se não nos
inspirarem a uma vontade política mais ampla e não pedirem a
participação de todos os membros da sociedade".
Tomasi destacou que “a comunidade internacional tem que agir para
remover as causas não só através das palavras, mas dando fim a esses
conflitos e crimes contra a humanidade (...). É tarefa difícil e
responsabilidade grave de todos os países defender e promover os
direitos humanos de todas as pessoas”.
O Vaticano, acrescentou o arcebispo, insiste ainda na "necessidade de
proteger e defender o direito à liberdade religiosa, que está sendo
claramente atacado em algumas partes do mundo de hoje", o que se traduz
no êxodo forçado de milhares de civis pertencentes a minorias
religiosas, bem como em numerosos abusos.
"Há um risco real de que essas pessoas não possam voltar para os
lares dos quais foram arrancadas à força e de que não possam se
beneficiar das garantias e da segurança necessárias para viver em paz
nas suas cidades e povoados, como cidadãos com iguais direitos e
deveres".
(12 de Setembro de 2014) © Innovative Media Inc.
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