O Papa se reúne com a Associação Bíblica italiana, no final da 43° Semana Bíblica Nacional, e recorda as sugestões de João Paulo II para uma verdadeira exegese católica
Roma, 12 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Salvatore Cernuzio
Competência e docilidade ao Espírito Santo, estes são os
dois requisitos para um verdadeiro exegeta católico de acordo com o Papa
Francisco. O Papa recordou esta manhã durante uma audiência na Sala
Clementina, no Vaticano, com os membros da Associação Bíblica Italiana,
no final da 43 Semana Bíblica Nacional.
Um evento que inaugura as celebrações do 50 º aniversário da
Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II sobre a Revelação Divina
"Dei Verbum", que, promulgada no 18 Novembro de 1965, concedeu aos fiéis
aberturas notáveis com relação “à abundância e a facilidade de acesso à
Sagrada Escritura”.
Aberturas pelas quais - diz Francisco - "temos que agradecer", porque
"o cristão precisa hoje mais que nunca, provocado como é por tantos
contrastes culturais”. A fé, de facto, - disse o Papa - "para brilhar,
para não ser sufocada, deve ser constantemente alimentada pela Palavra
de Deus".
Neste sentido, é louvável o trabalho feito pela Associação Bíblica
Italiana, observa o Papa, que também aproveita a oportunidade para
reiterar a importância da exegese bíblica para o Povo de Deus. O
pensamento é do que foi afirmado pela Pontifícia Comissão Bíblica sobre a
interpretação da Bíblia na Igreja, em 1993: "a exegese bíblica cumpre,
na Igreja e no mundo, uma tarefa indispensável. Querer desprezá-la para
compreender a Bíblica seria uma ilusão e mostraria uma falta de respeito
pela Escritura inspirada [...] para falar aos homens e às mulheres,
desde o tempo do Antigo Testamento, Deus tem explorado todas as
possibilidades da linguagem humana, mas ao mesmo tempo teve que submeter
a sua Palavra a todas as limitações dessa linguagem".
"O verdadeiro respeito pela Escritura inspirada - cita ainda
Bergoglio - exige que façam todos os esforços para que possamos
compreender bem o seu significado. Certamente, não é possível que cada
cristão faça pessoalmente as pesquisas necessárias para se compreender
melhor os textos bíblicos. Esta tarefa é dos exegetas, responsáveis,
nesta área, pelo bem de todos".
Na memória do Papa argentino ressurge também o discurso que João
Paulo II dirigiu aos membros da Pontifícia Comissão Bíblica, na
audiência para a apresentação do documento que acabamos de mencionar. Na
ocasião, o Papa polaco destacou que "para respeitar a coerência da fé
da Igreja e da inspiração da Escritura, a exegese católica deve ter
cuidado para não ficar com os aspectos humanos dos textos bíblicos."
Portanto, é necessário que ela - disse Wojtyla - "ajude o povo
cristão a perceber mais claramente a palavra de Deus nestes textos, a
fim de melhor aceitá-la, para viver em plena comunhão com Deus". Para
este efeito, é necessário, de acordo com Francisco, que "o mesmo exegeta
saiba perceber nos textos a Palavra Divina”. Isso é possível "apenas se a
sua vida espiritual é animada, cheia de diálogo com o Senhor; caso
contrário, a investigação exegética permanece incompleta, perde de vista
o seu objectivo principal".
O Papa então faz próprias as linhas conclusivas do Documento, em
particular “uma expressão muito eficaz": "A exegese católica não tem o
direito de se assemelhar a uma corrente de água que se perde na areia de
uma análise hipercrítica”. Em outras palavras, além da competência académica, o exegeta precisa principalmente da fé, recebida e
compartilhada com todas as pessoas de fé, que em sua totalidade não
podem errar”.
Porque, como recordava sempre São João Paulo II, “para chegar a uma
interpretação completamente válida das palavras inspiradas pelo Espírito
Santo, nós mesmos devemos ser guiados pelo Espírito Santo". Por isso “é
preciso rezar, rezar muito, pedir na oração a luz interior do Espírito e
acolher docilmente esta luz, pedir o amor, que só os torna capazes de
compreender a linguagem de Deus, que é amor”.
À luz de tudo isto, o modelo que o exegeta tem é um só: a Virgem
Maria, da qual São Lucas relata que meditava no seu coração as palavras e
os acontecimentos do seu Filho, Jesus. "Que Nossa Senhora – conclui o
Papa - nos ensine a acolher plenamente a Palavra de Deus, não só
através da busca intelectual, mas em toda a nossa vida”.
(12 de Setembro de 2014) © Innovative Media Inc.
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