1. Avaliação
Nas escolas, nas universidades e nas empresas faz-se avaliação contínua, mas também periódica, sobretudo no final do ano fiscal ou do ano escolar, antes das férias. Mas também na Igreja, nas dioceses, paróquias, serviços e movimentos isso se faz ou deveria fazer. Os critérios de avaliação são diferentes, conforme a área em que nos ocupamos. Enquanto nas empresas predomina o critério do lucro, que depende de muitos factores, na Igreja olha-se mais aos frutos e aos agentes que os produzem, as pessoas, na sua dignidade e qualidade, enquanto seres humanos, dotados de muitas capacidades e possibilidades.
Nas escolas, nas universidades e nas empresas faz-se avaliação contínua, mas também periódica, sobretudo no final do ano fiscal ou do ano escolar, antes das férias. Mas também na Igreja, nas dioceses, paróquias, serviços e movimentos isso se faz ou deveria fazer. Os critérios de avaliação são diferentes, conforme a área em que nos ocupamos. Enquanto nas empresas predomina o critério do lucro, que depende de muitos factores, na Igreja olha-se mais aos frutos e aos agentes que os produzem, as pessoas, na sua dignidade e qualidade, enquanto seres humanos, dotados de muitas capacidades e possibilidades.
A produtividade e o êxito não será possível sem abertura aos mestres, sem vontade de aprender, sem método, sem esforço e sem disciplina de trabalho. Mesmo no mundo do desporto e do futebol, com o campeonato do mundo a decorrer no Brasil, constatamos que não basta ter nas equipas os melhores jogadores do mundo. Sem treino, disciplina e estratégias inteligentes, muito estudadas e treinadas, algumas das equipas com muitos jogadores famosos e tradicionalmente candidatas aos lugares cimeiros, tiveram de arrumar as chuteiras e as malas mais cedo.
Nas escolas e universidades constatamos muitos chumbos e um baixo nível da escolaridade. Mas muito pior que isso é a natalidade que já não repõe as gerações e a redução do número de alunos, o que provoca falta de aulas para muitos professores e, daqui a algum tempo, os mais velhos não vão ter quem cuide deles ou desconte o suficiente para as suas reformas.
As empresas que apenas produzem bens de consumo, nem sempre para satisfazer verdadeiras necessidades da sociedade, também estão em risco de desaparecer. E aquelas que estão no mercado terão de produzir de modo a poder concorrer com as suas congéneres e ainda gerar lucros para quem nelas investe.
E a Igreja como pode avaliar o seu trabalho, o seu ano pastoral? Todos os anos se fazem planos pastorais, com objectivos, metas e etapas, meios e recursos humanos, mas muitos agentes, comunidades e serviços permanecem na rotina, na repetição de actos de conservação, sem criatividade para entusiasmar e rejuvenescer os seus membros. Mesmo aquilo que é essencial na vida cristã precisa de ser vivido e celebrado de modo novo, com alegria e esperança.
No final deste ano ordenámos dois novos presbíteros, mas não houve candidatos para o seminário, maior e menor. Em que falhámos? Uma instituição que não se renova, que não pensa nos frutos, na produtividade, acaba por desaparecer. Nisto todos temos de fazer a nossa avaliação, confessar o nosso desleixo e até mesmo inércia e procurar implementar uma medicina curativa.
Mas avaliar não é um fim em si, uma constatação sem consequências. Isso seria uma pura perda de tempo e de energias. O rejuvenescimento, formação permanente das pessoas e a disciplina são importantes para o futuro da sociedade e da Igreja. Como fazê-lo? Com o olhar e a atenção interessada de todos conseguiremos aumentar a produtividade e a qualidade dos frutos. Mãos à obra.
2. Definição das prioridades e disciplina
Deixando o vasto campo da actividade humana e olhando apenas para a especificidade da acção da Igreja, aponto agora algumas prioridades da nossa missão eclesial.
Em primeiro lugar, em tudo devemos tentar melhorar a relação das pessoas com Deus, entre si e com a natureza envolvente. Já dizia Santo Irineu no século II: Deus quer o bem das pessoas, porque as ama. Por isso quer que tenham a vida em abundância. E em que consiste a vida? Na relação fundamental da pessoa com Deus, cuja perfeição se consegue na visão beatífica. Ajudar as pessoas e despertá-las para esse bem é a principal missão da Igreja. Mas quase como condição prévia de toda a produtividade é o ambiente de confiança, alegria na missão e coordenação clarividente entre todos.
Depois temos de descobrir os meios mais adequados à mentalidade e cultura das pessoas, para nelas despertar este desejo de procurar a verdade e a verdadeira vida. Isto não se impõe, mas propõe. O modo como o fazemos, as embalagens das nossas propostas nem sempre são belas e atractivas. Muitas vezes respondemos a questões que ninguém nos fez e são do nosso exclusivo interesse. Ou então propomo-las numa linguagem incompreensível para a maioria. A inculturação das nossas expressões da fé requer muito estudo, oração e trabalho de equipa. Os sínodos na vida da Igreja são importantes para a presença activa da Igreja em cada tempo. Também na nossa diocese o estamos a fazer. Mas temos de ouvir todos os agentes da cultura e da sociedade, mesmo que não sejam membros visíveis das nossas comunidades cristãs. Daí a necessidade de formação continua e permanente, que nem todos aproveitam.
Para não me alongar nestas considerações, apenas quero comunicar que tenho estado envolvido em muitas reuniões de avaliação pastoral e em breve penso comunicar alguns resultados desse trabalho, não apenas transferindo e nomeando membros do clero e leigos para diferentes lugares, missões e serviços, mas também reestruturando algumas estruturas pastorais, em ordem a poupar recursos humanos e económicos, mas sobretudo em vista da vitalidade e produtividade do nosso trabalho, cujo objectivo deve estar sempre diante dos nossos olhos: o bem das pessoas através da sua integração em comunidades dinâmicas, alegres e fortes na comunhão e na esperança.
Definidas as prioridades da nossa acção e estabelecidos os meios para as realizar, precisamos de ser fiéis e disciplinados, e não apenas criativos e improvisadores. Assim queiramos e Deus nos ajude.
† António Vitalino, Bispo de Beja
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