Giovanni Battista Montini foi um grande papa, um verdadeiro mártir, sem derramamento de sangue.
Crato, 04 de Julho de 2014 (Zenit.org) Vitaliano Mattioli
No dia 6 de Agosto será o aniversário da morte do Papa Paulo VI e no dia 19 de Outubro será beatificado.
Paulo VI, Giovanni Battista Montini, foi um grande papa, um verdadeiro mártir, sem derramamento de sangue.
Nasceu em Concesio (Brescia, Itália) no 27 de Setembro de 1897. Seu pai, George, era um proeminente advogado e um
católico fervoroso. Foi director do jornal católico ‘Il Cittadino di Brescia’ e deputado três vezes no Partido Popular Italiano fundado pelo Pe. Luigi Sturzo. Giovanni Battista assim
escreveu sobre ele: "Devo ao meu pai os exemplos de coragem, a urgência
de não entregar-me passivamente ao mal, o juramento de nunca preferir a
vida em vez das razões da vida. O seu ensinamento pode ser resumido em
uma palavra: ser uma testemunha”.
Até sua mãe Judite Alghisi foi uma mulher maravilhosa. Em sua morte,
ele escreveu: "Tão sábia, quanto piedosa, tão solícita, quanto afectuosa.
Como estava preocupada com o bem de todos nós e de cada um. Que subtileza de sentimento, de palavras, de trato! Quiseste que a casula da
minha primeira missa fosse tirada do seu vestido de casamento! E
apagaste de repente, enquanto, das páginas do Bossuet fazias a tua
meditação diária!”.
No Testamento escreveu assim sobre seus pais: "Me sinto na obrigação
de agradecer e de abençoar aqueles que foram instrumentos para mim da
Tua vida, ó Senhor, me destes com generosidade: aqueles que me
introduziram na vida (Oh! Sejam abençoados os meus digníssimos pais!)”.
Ambos os pais morreram em 1943, há poucos meses de diferença um do
outro.
Podemos supor que toda a vida de Paulo VI foi o resultado da formação, afecto e exemplo recebidos na família.
Estudou no colégio dos jesuítas e frequentou o Oratório de Santa Maria della Pace. Em 1916 entrou como externo, por causa da precária saúde, no seminário de Brescia.
Em 1919, fez parte da Federação de Universitários Católicos Italianos
(FUCI). Em 1920, foi ordenado sacerdote. No recordatório da primeira
Missa escreveu: "Concede, ó meu Deus, que todas as mentes estejam unidas
na Verdade e todos os corações na caridade”. Foi o programa da sua
vida. Em 1923 foi enviado à Nunciatura Apostólica de Varsóvia (Polónia).
Depois de um ano, retornou a Roma. Apesar dos compromissos, conseguiu
três graduações: Filosofia, Direito Canónico e Direito Civil. Em 1925
foi nomeado Assistente eclesiástico nacional da FUCI, cargo que ocupou
até 1933. Do seu ensinamento e orientação saiu a melhor classe política
italiana.
Em 1937, foi nomeado Substituto da Secretaria de Estado, a serviço do
Card. Eugenio Pacelli, que se tornou Papa em 1939 sob o nome de Pio
XII. Em 1954, foi nomeado Arcebispo de Milão (Itália); Em 1958, o Papa
João XXIII o nomeou Cardeal. Para a ocasião, o Papa lhe escreveu estas
palavras: "Cumpriremos juntos o sacramentum voluntatis Christi de São
Paulo (Ef, 1, 9-10). Ele exige a adoração da cruz, mas nos reserva, ao
lado dela, uma fonte de consolações inefáveis também para esta vida,
enquanto nos durar a vida e o mandato pastoral. Cara e venerada
Excelência, não posso dizer mais. Mas o que falta a um discurso mais
prolongado, Ela o coloca no coração”. Dois papas, dois santos.
Com a morte do Papa João XXIII (3 de Junho 1963) ele foi eleito Papa em seguida, no dia 21 de Junho.
Sua primeira preocupação foi a de continuar o Concílio. Durante este
tempo realizou a histórica viagem à Terra Santa (4-6 de Janeiro de
1964). Mais tarde, fez outras fora da Itália: Índia, Nova Iorque (Nações
Unidas), Fátima, Turquia, onde trocou o abraço comovente com o
Patriarca Atenágoras, Bogotá, Genebra (Suíça), Uganda, Oceania.
O período pós-conciliar foi muito difícil para a Igreja Católica.
Paulo VI usou todas as suas energias de prudência e discernimento para
conduzir a Igreja evitando cismas e fortalecendo a verdade revelada.
Suas encíclicas são emblemáticas: Ecclesiam Suam (1964), Mense Maio
(1965), Mysterium Fidei (1965), Christi Mater (1966), Populorum
Progressio (1967), Caelibatus Sacerdotalis (1967), Humanae Vitae (1968).
Quanto as exortações apostólicas, as mais importantes são: Evangelii
Nuntiandi (1975), Marialis Cultus (1974).
O documento mais discutido foi certamente Humanae Vitae. Ao filósofo e
amigo Jean Guitton motivou sua decisão: "Nós carregamos o peso da
humanidade presente e futura. É necessário compreender que, se o homem
aceita dissociar no amor o prazer da procriação, se, portanto, pode
pegar o prazer como se pega uma xícara de café, se a mulher, arrumando
um aparelho ou tomando um ‘remédio’ se torna para o homem um objecto, um
instrumento, fora da espontaneidade, das ternuras e das delicadezas do
amor, então, não se compreende porquê esta maneira de proceder
(permitida no matrimónio) seja proibida fora. Se a Igreja de Cristo, que
nós representamos nesta terra, deixasse de subordinar o prazer ao amor e
o amor à procriação, favoreceria uma saturação erótica da humanidade,
que teria como lei somente o prazer” (Jean Guitton, Paulo VI secreto).
O magistério de Paulo VI é de grandíssima actualidade ainda hoje.
Falou e escreveu sobre vários problemas que afligiam a humanidade
naqueles anos. Magistério dirigido ao mundo, especialmente aos homens de
cultura, aos políticos, às Nações Unidas. Expressou-se sobre problemas
sociais (Populorum Progressio), sobre a paternidade responsável (Humanae
Vitae), sobre a vida interna da Igreja (Sacerdotali Caelibatus), sobre
questões relacionadas com a teologia e a moral.
Entre as muitas intervenções gostaria de citar apenas três.
Um sobre a Igreja (Audiência Geral, 16 de Novembro de 1966): "É
necessário que a Igreja seja construída; ela é sempre um edifício
incompleto... Não se pode demolir a Igreja de ontem para construir uma
nova hoje; não é possível esquecer e condenar o que a Igreja até agora
ensinou com autoridade para colocar no lugar da doutrina segura, teorias
e concepções novas, pessoais e arbitrárias; não é possível imitar as
opiniões contemporâneas mutáveis e profanas do nosso tempo, o critério
de pensar e de acção da comunidade eclesiástica... Não é possível
resolver as questões difíceis ou enfraquecer as leis exigentes com
adaptações historicistas para interpretações subjectivas".
A segunda confissão: "O pecado é a nossa primeira e mais grave
desgraça, porque trunca a nossa relação com a vida verdadeira, que é
Deus, assim, a libertação do pecado é a primeira e indispensável fortuna
nossa” (Sexta-feira Santa, 20 de Abril 1973). Mas, infelizmente: "Hoje é
maior um costume de secularização, às vezes mais que pagão, que caracteriza a consciência moral, depois de ter apagado a consciência
religiosa; o pecado, esta imensa misteriosa repercussão em Deus da acção
humana desordenada, não tem mais consistência, não tem mais peso... Os
momentos de uma confissão sincera estão entre os mais doces, os mais
reconfortantes, os mais decisivos da vida” (Audiência geralmente, 1 de
Março 1975).
O último sobre Nossa Senhora, Maria, caminho que nos conduz a Cristo:
“Se perguntarmos qual é o caminho central e directo nesse mundo que nos
leva à Cristo, a resposta é rápida e belíssima: este caminho é Maria...
temos que aproximar-nos de Maria, a cristífera, a portadora de Cristo no
mundo” (Audiência Geral, 21 de Dezembro de 1966). Foi Paulo VI que no
discurso de encerramento da terceira sessão do Concílio, diante dos
Bispos do mundo disse: “Portanto, para a glória da Bem-Aventurada Virgem
Maria, declaramos Maria Santíssima Mãe da Igreja" (21 de Novembro de
1964).
Paulo VI deixou-nos um "Pensamento sobre a morte." É o canto do
cisne. Apenas algumas expressões: "O cenário do mundo é um projecto,
ainda hoje incompreensível na sua maior parte, de um Deus Criador que se
chama o Pai nosso que está nos céus. Obrigado, ó Deus, obrigado e
glória a vós, ó Pai! Neste último olhar eu percebo que esta cena
fascinante e misteriosa, é um reflexo da primeira e única Luz ... um
convite para a visão do invisível Sol... o maior acontecimento para mim
foi o encontro com Cristo, a Vida... a morte é um progresso na comunhão
dos Santos”.
Um acréscimo ao seu testamento espiritual, escreveu no dia 14 de
Julho de 1973: “Desejo que os meus funerais sejam muito simples e não
desejo nem tumba especial e nenhum monumento. Algum sufrágio". E assim
aconteceu. A Igreja respeitou a sua vontade. Mas, agora, por justiça o
proclama beato. (Trad. T.S.)
(04 de Julho de 2014) © Innovative Media Inc.
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