Novo presidente Jean-Baptiste de Franssu salienta necessidade de uma "instituição equivalente a um banco" para todas as instituições relacionadas com a Santa Sé
Cidade do Vaticano, 10 de Julho de 2014 (Zenit.org) Luca Marcolivio
Uma missão aceita "com alegria" e que exige "muita
humildade": assim Jean-Baptiste de Franssu comentou a sua nomeação como
presidente do Instituto para as Obras de Religião (IOR).
Francês, 51 anos, casado e pai de quatro filhos, De Franssu tem
vasta experiência em finanças internacionais. Em entrevista à Rádio
Vaticano, ele disse que vê o seu trabalho "como uma missão" e que espera
"atender as expectativas".
Comparado com o antecessor, Ernst von Freyberg, o novo presidente do
IOR reconheceu ter a "grande vantagem" de chegar "depois do trabalho que
ele já fez".
De Franssu já está envolvido no trabalho da Comissão Cosea desde Agosto de 2013 e no Conselho de Economia desde 2 de Maio de 2014. Nesta
fase, ele conquistou "um melhor conhecimento e compreensão do
funcionamento administrativo e financeiro da organização da Santa Sé" e
"da direcção que o Santo Padre quer dar a toda a organização".
De acordo com De Franssu, o papa Francisco tem em mente um IOR que,
de acordo com a sua pregação, cumpra a missão da Igreja de "ajudar os
pobres" e de "propagar a fé". Serão abordadas as "ferramentas" confiadas
ao IOR para esse fim.
O "segundo elemento" significativo do novo IOR destacado por De
Franssu é a "maior transparência", já incentivada pelo papa Bento XVI
com a nomeação de Von Freyberg. “O IOR não deve ser diferente dos
principais bancos”, disse o novo presidente. “Mas ele tem um foco muito
importante nos clientes: temos que satisfazer as expectativas do cliente
de atender as necessidades das congregações e das dioceses, tanto em
termos de qualidade de serviço como de qualidade dos produtos".
De Franssu negou que o IOR vá se alinhar ao "sistema económico e
financeiro mundial", embora afirme a necessidade óbvia do respeito
"imperativo" pelo "conjunto das regras internacionais".
Como conciliar a necessidade de gerar lucros com o respeito do IOR
pela "ética" e pela "transparência"? Para De Franssu, a Santa Sé
precisa de uma "instituição equivalente a um banco" e que permita as transacções com o mundo exterior, onde o IOR se limite a ser uma
"instituição financeira".
É desejável e "normal" que todos os dicastérios, congregações e
dioceses "possam se relacionar com uma estrutura da Santa Sé em vez de
se relacionarem com outros bancos comerciais, com os quais nem sempre
compartilhamos todos os valores".
Quanto à temida perspectiva de um fechamento do IOR, De Franssu
afirmou que "era importante analisar as possibilidades", mas,
"estudando-se a hipótese, percebemos que precisávamos do IOR".
A realidade do mundo financeiro de hoje, em mudança constante e
vertiginosa, com destaque para "a falta de um número suficiente de
profissionais do sector": é ela que faz o Santo Padre ter a intenção de
"envolver cada vez mais profissionais em todos os aspectos da vida
administrativa e financeira, a fim de ajudar a Igreja", concluiu De
Franssu.
(10 de Julho de 2014) © Innovative Media Inc.
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