Entrevista com Gianmaria Palmieri, Reitor da Universidade de Campobasso, a primeira etapa da visita do Papa, no sábado
Roma, 04 de Julho de 2014 (Zenit.org) Salvatore Cernuzio
Assim que chegar em Molise, o primeiro compromisso que
aguarda o Papa Francisco é uma visita à Universidade de Campobasso, onde
será realizado um importante encontro do mundo dos negócios e da
indústria, em que o Papa dará uma palavra de incentivo, levando em
consideração o problema do trabalho que assola a região. Por sua vez, a
universidade tem trabalhado com empenho e paixão para dar boas-vindas ao
Papa, realizando várias iniciativas e preparando algumas surpresas como
transformar o campo onde o helicóptero vai pousar em um grande espaço
verde chamado "Papa Francesco Piazza". O Reitor da Universidade, prof.
Gianmaria Palmieri, falou à Zenit:
***
Zenit: A primeira etapa da visita pastoral de Francisco em Molise
será a Universidade. É a primeira vez que um Papa argentino entra em uma
universidade italiana. Uma grande responsabilidade. Como o senhor está
se sentindo?
Palmieri: É notável que a visita do Papa Francisco comece na
universidade. Esta primeira etapa será muito importante porque
encontrará a comunidade universitária e o mundo do trabalho, com a
presença de empreendedores, trabalhadores da indústria, bem como alunos,
professores e assim por diante. Será uma perfeita harmonia entre esses
dois mundos, o que dará uma perspectiva positiva para o futuro. O que
não significa ‘qualquer coisa’ para a nossa região, considerando-se
algumas questões que vivemos.
Zenit: Principalmente a questão do trabalho, denunciado por todos como o verdadeiro flagelo da região ...
Palmieri: Absolutamente. Aqui nós sofremos um drama real. Apesar de
geograficamente central, Molise continua a ser uma grande periferia a
partir deste ponto de vista. Não tem a infra-estrutura adequada para
garantir às empresas uma vida fácil. Muitas empresas privadas estão em
crise, grandes indústrias fecharam, em geral, vivemos o princípio da spending review. Devemos unir forças, e tenho certeza que a visita do Papa será um sinal de esperança e optimismo.
Zenit: Como a Universidade está se preparando para receber o Papa?
Palmieri: Podemos dizer que agora tudo está pronto, estamos nos
últimos retoques para melhor acomodar o Pontífice. Sem dúvida é uma
grande honra recebê-lo aqui; somos uma Universidade pública, mas por
dentro há muitos que rezam pelo Papa, desde a sua primeira aparição no
balcão da Praça de São Pedro, quando pediu ao povo para rezar pelo seu
pontificado e sua importante missão. Há muitos não-crentes, mas eles
também se afeiçoaram ao Santo Padre. Todos trabalharam com grande paixão
e compromisso na preparação desta visita. Eu vi realmente um esforço colectivo, que demonstra a qualidade que distingue a Universidade de
Molise, uma realidade fundamental (também pelos seus números) para a
região. E os resultados até agora são excelentes.
Zenit: O Papa falou muitas vezes de uma emergência educacional. Como a Universidade de Campobasso enfrenta esse desafio?
Palmieri: Já há algum tempo, a Universidade esta empenhada em
responder a este desafio da modernidade. Em primeiro lugar, contamos com
um corpo docente muito jovem e, portanto, não tem inerente em si certos
"preconceitos culturais". A Universidade de Campobasso possui elevados
níveis de excelência em algumas áreas, graças a um trabalho profissional
diário e silencioso. Na verdade, eu espero que a visita do Papa seja
uma oportunidade para sublinhar que na Itália existem universidades
regionais, trabalhando sem os holofotes, que levam adiante um
compromisso fecundo. Como muitas outras universidades, nós também
vivemos hoje tempos difíceis. Espero que a visita do Papa seja um
incentivo para ir mais adiante.
Zenit: Haverá actividades especiais na Universidade para a chegada do Papa? Vocês prepararam alguma "surpresa"?
Palmieri: Sim, teremos algumas surpresas relacionadas principalmente à
forte ligação entre a Região e a Universidade que, em Molise, assume
questões no âmbito cultural, ambiental, da natureza e da fertilidade, da
humanidade entendida como pessoas que se relacionam. Molise é uma das
poucas regiões da Itália que não registam índice de criminalidade.
Através da presença do Papa, teremos a oportunidade de dar a conhecer a
realidade de uma região, de periferia, mas uma terra saudável, com
muitos recursos. Não digo mais para não estragar a surpresa. Antecipo,
no entanto, que o heliporto onde o Papa vai pousar, montado em frente a
Universidade, através de um esforço conjunto, vai se tornar um grande
parque, um espaço verde chamado Papa Francisco.
Zenit: O que você espera após a visita do Papa?
Palmieri: Já teve um efeito milagroso no sentido de que, nos últimos
20 dias, a cidade se transformou positivamente. Algumas divisões
internas foram superadas, especialmente de natureza política. Eu vi
acontecer, por todos os lados, um esforço sinérgico que tem trazido
excelentes resultados. Esperemos que, a partir de domingo (6), comece um
novo tempo de unidade. Papa Francisco na Evangelii Gaudium sublinhou a
necessidade de que a unidade prevaleça sobre a divisão. O facto de que o
simples anúncio de sua visita já trouxe esses frutos parece-me um ponto
de partida muito positivo.
(Trad.:MEM)
(04 de Julho de 2014) © Innovative Media Inc.
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