D. António Vitalino alerta que «bem comum» da sociedade deve ser objectivo permanente
“Um discípulo de Cristo e muito menos um missionário do Evangelho não pode ser um triste e desiludido. Por isso os seminários não podem educar pessoas sem ânimo, passivas e acomodadas”, revela D. António Vitalino na sua nota enviada à Agência ECCLESIA, sobre a Semana dos Seminários.
Os formadores nos seminários, apesar da escassez de seminaristas, “não podem ser como mães-galinhas, proteccionistas, sem exigências” porque o “amor a Cristo” e à “humanidade tem de ser posto à prova”, escreveu o prelado.
“Só quem sabe equilibrar o trabalho apostólico e a oração, experimenta a alegria de ser constituído servidor do Evangelho”, considera D. António Vitalino para quem o cansaço da missão é “compensado e superado” pela alegria que anima o servidor do evangelho.
O bispo de Beja recorda que, durante a semana dos seminários, que começou este domingo e termina no dia 16 de Novembro, é importante que se reze e se sensibilizem “as comunidades para a importância dos seminários na formação do clero”.
“E de vez em quando ao longo do ano lembremos com gratidão os nossos seminaristas e os seus formadores”, acrescentou.
O prelado recorda que há muito material para “ajudar a viver esta semana em sintonia com o seu tema” - Servidores da Alegria do Evangelho.
Nesse contexto, a nota semanal relembra que vão ser ordenados três diáconos no dia 8 de Dezembro às 16h00, na igreja de Santa Maria, em Beja e o bispo diocesano pede que rezem também pelos três seminaristas que estudam teologia em Évora e pelos dois candidatos ao seminário, a fazer o ano propedêutico em Faro.
D. António Vitalino alerta ainda que é “preciso criar” uma mentalidade fundada na verdade, no amor ao próximo, na justiça, na responsabilidade pelo bem comum, mesmo que isso “não traga vantagens pessoais mas sofrimento e incompreensões”.
O bispo diocesano explica que na Bíblia, o testemunho de vida de Jesus Cristo e dos Apóstolos, descobrem-se vidas pautadas por “valores e critérios do amor e da gratuitidade, hoje muito esquecidos”.
Nesse sentido, recorre-se de um ditado popular que coloca na negativa - “a culpa não pode morrer solteira” – para referir-se à situação do país e à responsabilização dos governantes e demais responsáveis pelo bem público: “A culpa morre solteira e todos pagam por isso”, disse.
“Sucedem-se os governos, mudam-se os responsáveis pela gestão dos serviços e empresas públicas, reconhecem-se erros cometidos ou falta de zelo, mas raramente alguém é chamado à responsabilidade”, desenvolve.
D. António Vitalino considera que depois do poder alcançado já “não” existe esforço na luta “pela realização do bem comum” porque não é preciso, uma mentalidade que já era frequente na sua juventude com as “cunhas para o funcionalismo público” pela estabilidade e segurança do emprego.
Desta forma, segundo o prelado cria-se uma sociedade “arbitrária” e do “arranje-se quem puder”.
Para o bispo de Beja são necessários mecanismos baseados na verdade, na justiça, no amor ao bem comum e alerta que os cristãos têm um “imperativo de consciência” que os leva a confessar as culpas e procurar “emendar-se e reparar o mal feito”.
CB
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