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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Predisse o califado universal e agora mostra o grave erro da Europa com o islão e os cristãos

Bat Ye´or, historiadora atacada por ir contra a corrente 

O islamismo cresce também na Europa
Actualizado 20 de Agosto de 2014

Matteo Matzuzzi / Il Foglio

“É uma catástrofe, uma tragédia enorme a nível humano, histórico e de civilização”. Bat Ye’or, em hebraico “Filha do Nilo”, que fugiu do Egipto em 1955, é a autora de êxitos de vendas como “Eurabia” (Lindau, 2006) e “Verso il califfato universale” ("Até ao califado universal") (2008). Com Il Foglio comenta o êxodo dos cristianos de Mosul, cidade que caiu nas mãos das milícias do califa al Baghdadi: “Estes factos demonstram-nos que já vivemos no tempo do Corão. Um tempo diferente do nosso. O tempo do Corão não muda, permanece sempre fortificado na palavra do Profeta, nos seus gestos e comportamentos. Lendo as declarações do novo Califado, reconheço os mesmos discursos que se fizeram no século VII durante as guerras contra os infiéis. É a mesma mentalidade, a mesma rigidez. Não mudou nada: o que vemos hoje explica os acontecimentos do passado”.

Bat Ye´or explica-nos a que se refere: “Falo dos massacres pelas conquistas, do terror que fazia fugir povos inteiros, dos saques, da lei da dhimmitude e de todos esses processos de islamização que examinei no meu livro ‘Il declino della cristianità sotto l’Islam’ (´O declínio da cristandade debaixo o Islão´) (Lindau, 2009) ”. A nossa interlocutora foi a primeira a colocar o tema da dhimmitude, condição teológica, política e jurídica vinculada inexoravelmente à opressão e à perseguição dos infiéis: “Atacaram-me ferozmente por ter inventado esta expressão, com a qual quero explicar a relação entre muçulmanos e não muçulmanos. Demonstrei que não existia essa tolerância da qual alardeavam os poderes políticos europeus, obedientes à Organização para a Cooperação Islâmica (Oci). São muitos os motivos – acrescenta - que explicam a submissão das comunidades cristãs. Um deles é, naturalmente, o medo, a vulnerabilidade. Está também o trauma de treze séculos de massacres e terror. Mas não se deve esquecer que, ao longo do século XX, estas comunidades foram abandonadas pelos países europeus.

Países que não protegeram os arménios, que preferiram a Turquia antes que uma Arménia independente. E o mesmo vale para os gregos massacrados pelos turcos. Os países europeus não queriam proteger os cristãos, queriam utilizá-los. Viam neles um instrumento para modernizar e ocidentalizar a mentalidade muçulmana, a sociedade, o islão”. Basta pensar no que sucedeu entre 1950 e 1980, quando a “Europa queria construir com os cristãos do Oriente uma ponte até os países muçulmanos e árabes, e lutava contra os nacionalismos dos cristãos dhimmi. A Europa dizia que a boa integração dos cristãos na sociedade muçulmana era a prova da correcção da sua política de fusão com o mundo árabe. Era nem mais nem menos que a fundação da Eurabia, da imigração em massa. E também um argumento permanente da sua luta contra Israel”.

A historiadora explica que os cristãos dos países muçulmanos tinham recebido uma disposição concreta por parte dos poderes europeus, das suas igrejas, dos notáveis: “Integrar-se nas sociedades muçulmanas, ser mais árabes que os árabes, odiar Israel e aliar-se com os palestinianos. Esta escolha representava a sua única garantia de sobrevivência nos países muçulmanos. Sabiam muito bem que os países cristãos não os teriam protegido, que teriam sido sacrificados nas asas dos interesses dos muçulmanos”. Sem dúvida, antes do êxodo de Mosul não se falava deste fenómeno. Os motivos são simples, segundo Bat Ye’or: “Desde 1973, toda a política mediterrânica da Comunidade europeia fundamentou-se na tolerância, o amor pela paz e os princípios humanitários do Islão. A história foi reinterpretada e escrita para provar esta nova doutrina. Atacava-se todos os escritores e os historiadores que propúnhamos uma interpretação diferente. Nos meus livros demonstrava que a escolha da UE de unir a cultura à política, tal como sugeria Javier Solana, representava uma volta ao fascismo”.

A Europa, observa, “rejeitou o cristianismo para aproximar-se sempre mais ao islão e este rejeitar abarca também o ódio para com Israel e a aliança com os seus inimigos”. Sem dúvida, as razões são também outras, começando pela “destruição do estado nacional, com as suas raízes culturais, históricas e religiosas; com as suas instituições democráticas”. E além disso o silêncio é cómodo: “Porque falar dos cristãos? Eles representam a prova do fracasso da política europeia. Algo que deve esconder-se. Onde estão os exércitos da Europa que ajudem os cristãos e protejam os europeus do terrorismo? Os nossos governantes transformaram-nos em mercenários da yihad”. Mas por cima de tudo, observa a nossa interlocutora, “defender os cristãos vítimas da yihad significaria que a luta de Israel é justa. Israel, povo odiado pela Europa. Prefere que morram os cristãos e a mesma Europa antes que aproximar-se de Israel. Quanto mais combata a Europa Israel, mais difícil será para a primeira combater pela sua sobrevivência, desde o momento em que Israel é a sua mesma alma e força”.

(Tradução de Helena Faccia Serrano, Alcalá de Henares)


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