O Patriarca Twal fala duro contra o assassinato do jovem palestino de 16 anos, encontrado esta manhã em Jerusalém, morto provavelmente para vingar a morte dos três estudantes judeus
Roma, 02 de Julho de 2014 (Zenit.org)
"A violência chamada violência", dizia o Papa Francisco na
mensagem transmitida pelo pe. Lombardi para comentar a descoberta dos
corpos sem vida dos três jovens israelitas, em um vilarejo ao norte de
Hebron. E, de fato, a dramática descoberta provocou uma onda de ódio e
vingança em todo o país que já causou a sua primeira vítima: Mohammad
Abu Khdeir.
Ele é mais uma vida inocente, um jovem de 16 anos do campo de
refugiados de Shuffat, cujo cadáver queimado e com sinais de violência
foi encontrado esta manhã por policiais israelitas em uma área
arborizada de Jerusalém, depois que a família havia denunciado o seu
sequestro. O assassinato mais pareceu uma vingança pela morte dos três
estudantes judeus sequestrados no dia 12 de Junho, na Cisjordânia e
encontrados mortos no dia 30 de Junho.
Contra este último episódio de violência falou com força o Patriarca
Latino de Jerusalém, mons. Fouad Twal. "Não é digno de líderes políticos
e religiosos apoiar, alimentar, fomentar a vingança - disse ele – A
vingança chama vingança, o sangue chama sangue. E os jovens inocentes
mortos, todos os jovens mortos, são como vítimas sacrificadas nos
altares diabólicos do ódio”.
O prelado – diz a agência de notícias Fides – pediu, portanto, oração
“pelos pais e os familiares de todos estes jovens sacrificados,
sequestrados e mortos”. Um verdadeiro drama considerando que “a visita
do Papa Francisco na Terra Santa e o encontro de oração acontecido no
Vaticano” – afirmou o Patriarca – “tinham alimentado tantas felizes
esperanças de paz”. Agora, pelo contrário, com o “sacrifício” dos jovens
inocentes, “o ciclo da violência em que vivemos parece reafirmar o seu
domínio com ferocidade ainda maior. Parece ser uma reacção para afastar
as esperanças que tinham sido despertadas", disse Twal. E por isto
voltou a enfatizar a necessidade de continuar a orar "para pedir o
milagre da paz, reconhecendo que o ódio e o ressentimento fazem mal a
todos. Enquanto que a paz e o perdão fazem bem a todos”.
Na noite de ontem, terça-feira, 1 de Julho, sempre Fides informa que
centenas de colonos extremistas israelitas cruzaram o centro de
Jerusalém, e se lançaram em uma caçada árabe com duração de várias
horas, expressando assim sua raiva após o assassinato dos três jovens.
Na manhã de hoje, em Beit Hanina e Shuffat, dezenas de palestinos
entraram em confronto com a polícia israelita depois que se espalhou a
notícia da descoberta do corpo de Mohammad Abu Khdeir.
O jovem tinha sido visto enquanto estava sendo forçado a subir em um
carro em Jerusalém Oriental, a área de maioria árabe, para depois ter
sido encontrado nos bairros judeus. Os confrontos de hoje causaram três
feridos. Cinquenta jovens israelitas presos por causa dos ataques
anti-árabes. Por medo de novos distúrbios, a polícia decidiu fechar a
esplanada das mesquitas.
O primeiro-ministro Netanyahu condenou os episódios de violência
ocorridos com pouca diferença de dias um do outro, falando do último
assassinato como de um “crime hediondo" e pediu uma imediata
investigação sobre o problema. Enquanto isso, a busca dos assassinos dos
três jovens israelitas continua sem descanso pelas forças de segurança
israelita que já prenderam 42 palestinianos na Cisjordânia. (Trad.T.S.)
(02 de Julho de 2014) © Innovative Media Inc.
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