Começa hoje a CII Assembleia Ordinária Plenária da CEV. Em suas palavras de abertura, o cardeal Jorge Urosa fala com força contra o regime que se vive no país
Roma, 10 de Julho de 2014 (Zenit.org) Thácio Siqueira
Começou hoje, na Venezuela, a CII Assembleia Ordinária
Plenária da Conferência Episcopal. Nas suas palavras de abertura o
cardeal Jorge Urosa Savino, presidente da CEV, recordou as importantes
figuras de Paulo VI, um Papa que abriu o mundo católico ao diálogo, e do
Dr. José Gregório Hernández, mais conhecido como o médico dos pobres, e
que hoje deve ser invocado pelo poderoso factor de unidade nacional do
país.
“Venezuela pede uma mudança urgente em todos os graus”, disse o
prelado, pois “dá tristeza ver o progressivo deterioro das instituições e
da convivência entre os cidadãos”.
Nesse ambiente negativo “perdeu-se a confiança mútua. A imagem que se
destaca já não é a do abraço de irmãos”, mas sim “a divisão interna dos sectores maioritários”. O presidente da CEV afirma que “o país se
transformou em um quebra-cabeças muito difícil de se montar”. O país,
portanto, precisa de diálogo, mas não de “um diálogo que seja um
mecanismo para apaziguar os protestos, mas verdadeiro, com uma agenda
visível que conduza a resultados palpáveis”.
Mons. Jorge Urosa denuncia que “na Venezuela não se respeitam os
direitos humanos e que a Constituição Nacional e as leis não são a
última palavra na administração da justiça, mas a discricionariedade dos
juízes e funcionários e os seus interesses por manter o poder, os
privilégios, e o controle político da situação”.
Diante de tal situação o cardeal presidente da CEV anima o povo a
“derrotar o pessimismo e levantar a esperança”, pois “somos um povo
crente, de maioria católica”, disse.
Um pouco do passado recente
Em Dezembro do ano passado o presidente Nicolás Maduro – sucessor de
Hugo Chaves – comemorava a aprovação do “Plano da Pátria” que traz cinco objectivos para a Venezuela: Defender, expandir e consolidar a
independência nacional; continuar a construção do “socialismo do século
XXI”; converter a Venezuela em potência económica, social e política;
contribuir para o desenvolvimento de uma nova geopolítica internacional
multipolar; e preservar a vida no planeta e contribuir para a “salvação
da espécie humana”.
A conferência Episcopal Venezuelana (Cev), no dia 2 de Abril de 2014
emitiu um comunicado no qual condenava duramente o “Plano da Pátria”,
“detrás do qual se esconde a promoção de um governo totalitário, que põe
em dúvida o seu perfil democrático; as restrições às liberdades
cidadãs, em particular, a de informação e opinião; a brutal repressão da
dissidência política; a tentativa de ‘pacificação’ por meio da ameaça,
da violência verbal e da repressão física”, dentre outros.
(10 de Julho de 2014) © Innovative Media Inc.
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