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quinta-feira, 3 de julho de 2014

De Franciscis, o médico que comprova as curas inexplicáveis de Lourdes: «Procura a verdade»

Dirige o Gabinete de Constatações Médicas... Levam 7.000 

De Franciscis, pediatra napolitano, supervisiona uma equipo que
aplica uma metodologia sistemática - que houve enfermidade,
houve cura estável e não é explicável
Actualizado 17 de Maio de 2014

Rosa Cuervas-Mons / Alfa y Omega

Parece difícil encontrar outro lugar no mundo onde razão e fé estejam tão unidas e, por sua vez, tão perfeitamente delimitadas.

São as paredes do Gabinete de Constatações Médicas de Lourdes - do santuário de Lourdes - as que separam o «universo do mistério», da «procura científica da verdade», como explica o seu director, o doutor Alessandro De Franciscis, a Alfa y Omega:

«Como médico, só procuro a verdade. Como católico, caio de joelhos perante a Virgem e beijo o solo da Gruta».

Esta reflexão do médico Alessandro de Franciscis, doutorado summa cum laude pela Universidade de Nápoles e director, desde 1999, do Gabinete de Constatações Médicas de Lourdes, é um resumo perfeito do profundo respeito pela verdade e, por sua vez, à dimensão espiritual, que reina no santuário de Lourdes.

Com 7.000 curas inexplicáveis registadas desde as aparições da Virgem, em 1858, e 69 delas declaradas milagres pela Igreja, o santuário francês revela-se, diz De Franciscis, como «um lugar único no mundo» pelo rigoroso estudo médico a que submete os factos ali ocorridos.

De entre as muitas experiências que pode viver em Lourdes um médico visitante, o ser chamado ao gabinete médico é uma delas.

«Ninguém lhe perguntará quais são as suas crenças», disse De Franciscis, só quererão saber a sua opinião científica sobre alguma cura ocorrida no santuário e remitida ao Gabinete.

Esse, o puramente científico, é o seu trabalho. Com os chamados critérios de Lambertini (futuro Papa Bento XIV) como referência, os médicos reunidos em comissão - de urgência, primeiro, e no Comité Médico Internacional de Lourdes, depois - comprovam:
  • que a pessoa estivera efectivamente enferma,
  • que agora está curada completamente (de forma prolongada no tempo),
  • e que essa cura seja impossível de explicar «no estado actual dos acontecimentos».
Esta pontualização, explica De Franciscis, é importante, porque, como homens de ciência que são, os médicos não podem - não querem - assegurar que um facto é inexplicável, mas sim que é inexplicável até agora.

Até aí chega o seu trabalho: no entram em considerações espirituais nem religiosas, mas sim determinam a condição extraordinária da cura. Curas impossíveis de explicar que não só ocorrem em Lourdes.

«A literatura científica está repleta de casos parecidos que se conhecem como remissões espontâneas da enfermidade», explica o médico.

Que faz, então, que uma cura se considere milagrosa? É a Igreja, e só a Igreja, a que pode acrescentar este qualificativo, e fá-lo depois de estudar escrupulosamente os casos que o Gabinete médico remete, e de analisar o ambiente espiritual no qual se produziram.

Só depois, o bispo da diocese à qual pertence a pessoa curada poderá afirmar que essa cura é um sinal divino, um milagre.

E isto só ocorreu em Lourdes com 69 das mais de 7.000 curas registadas até hoje.

Danila Castelli és a última "milagrada" oficial
segundo a Igreja: de 7.000 curas inexplicáveis,
"só" 69 foram declaradas "milagre" pela Igreja
A última declarada milagre corresponde a Danila Castelli, vítima de crises espontâneas de hipertensão e curada desde o seu banho nas piscinas de Lourdes em 1989. O seu caso foi qualificado de cura inexplicável no estado actual dos conhecimentos científicos, em 2011, pelo Comité Médico Internacional de Lourdes e, três anos mais tarde, em 2013, o bispo da diocese de Pavía, onde reside Danila, declarou o carácter milagroso e o valor de sinal da cura. [Rel explicou com detalhe o caso aqui] 

No Gabinete de Constatações, o doutor De Franciscis escuta a diariamente testemunhos únicos e emocionantes. «Mas eu não estou aí para viver a experiência. Estou aí porque a Igreja me encarregou de procurar a verdade. Essa é a minha tarefa».

Disse, isso sim, que, quando olha pela janela do seu gabinete, sempre recorda que aí, às portas desse escritório da razão, se encontra um «universo de mistério». Bem-vindos a Lourdes.

[Mais sobre Lourdes na última e mais profunda investigação de décadas de Vittorio Messori, "Bernadette não nos enganou"]



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