A difícil situação dos refugiados e das vítimas do tráfico de pessoas
Roma, 03 de Julho de 2014 (Zenit.org) John Flynn, LC
"As pessoas não deveriam ser tratadas como peões no
tabuleiro de xadrez da humanidade": assim afirmou o Papa Francisco no
dia 05 de Agosto do ano passado em uma mensagem sobre a questão dos
refugiados.
Infelizmente, isso é o que acontece muitas vezes: uma prova disso é
o ultimo relatório sobre as tendências mundiais apresentado pelo Alto
Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
No documento, publicado no dia 20 de Junho, fica claro que existem actualmente mais de 50 milhões de pessoas que foram forçadas a fugir de
suas casas, das quais cerca de 9 milhões provenientes só da Síria.
"Estamos vendo - disse António Guterres, Alto Comissário para os
Refugiados - os enormes custos das guerras que nunca terminam. Guerras
que não conseguem ser resolvidas ou prevenidas".
De um total de 51,2 milhões de pessoas afectadas, cerca de 16,7
milhões foram forçadas a abandonar os seus países e são classificadas
como refugiados. 33,3 milhões são refugiados internos (IDF, “internally displaced persons”, ou seja, "pessoas deslocadas internamente") e 1,2 milhões são aquelas que pedem asilo político.
Está escrito no relatório que "se estes 51,2 milhões fossem
habitantes de uma única nação, constituiriam o 26° país mais populoso do
mundo". Além disso, observa-se que esta é a primeira vez, desde a
Segunda Guerra Mundial, que o número de refugiados ultrapassa os 50
milhões.
O relatório estima que 10,7 milhões de pessoas em 2013 tiveram que
deixar suas casas por causa de conflitos ou perseguições. Mais da metade
(53%) de todos os refugiados de todo o mundo provém de apenas três
países: Afeganistão (2.560.000), Síria (2.470.000) e Somália
(1.120.000).
Outros países com sérios problemas em relação aos refugiados são: a
República Democrática do Congo, a República Centro Africana, o Mali, e a
área de fronteira entre o Sudão e o Sudão do Sul.
O Paquistão é o país que acolhe mais refugiados em todo o mundo
(1.600.000 milhões), seguido o Irão (857.400), Líbano (856.500), Jordânia
(641.900) e Turquia (609.900).
De acordo com estatísticas de diversos governos, em 2013, 21 países
receberam 98.400 refugiados para permitir-lhes um novo assentamento. Os
Estados Unidos têm o maior número (66.200).
O relatório observa que, nos últimos 10 anos, mais de 879.800
refugiados chegaram nos países industrializados através de programas de
reinstalação.
No entanto, o número de pessoas à procura de uma nova casa superaram,
em muito, os lugares disponíveis com quase 1,1 milhões de pedidos de
asilo individuais, a serem registados com os governos ou a ACNUR, em
2013: o valor mais elevado em mais de uma década.
O número de refugiados internos que conseguiram retornar às suas
casas chega agora a 1.4 milhões; 414.600, pelo contrário, é o dado que
se refere aos refugiados que retornaram aos seus países de origem.
O tráfico de seres humanos é um outro problema que afecta um grande
número de pessoas. No dia 20 de Junho também houve a publicação do
relatório sobre o tráfico de pessoas do Departamento de Estado dos
Estados Unidos.
O documento explica que este tipo de tratamento abrange uma vasta
gama de actividades, incluindo a de forçar as crianças e adultos a
cometerem crimes, como o roubo, a produção e o tráfico de drogas
ilícitas, a prostituição, o terrorismo e o assassinato.
Alguns exemplos ilustrados no relatório dizem respeito ao México,
onde as organizações criminosas têm forçado as crianças e imigrantes a
se tornarem matadores de aluguer e a serem usados na produção, no
transporte e na venda de drogas.
No ano passado, na França, a polícia prendeu seis adultos ciganos,
acusados de forçar os seus próprios filhos a cometer roubos em Paris e
nos subúrbios. Enquanto isso, no Afeganistão, grupos insurgentes
obrigaram as crianças mais velhas a servirem como homens-bomba.
O documento pediu que os governos identifiquem as vítimas do tráfico
que violam a lei, não para tratá-los como criminosos, já que foram
obrigados a agir ilegalmente, mas para ajudá-los, fornecendo protecção.
As vítimas do tráfico sexual, que depois testemunham contra os seus
exploradores, também enfrentam o problema do trauma que se recria quando
têm que recordar os seus abusos durante um processo.
No documento se explica que "a necessidade de recursos para as
vítimas durante, e também depois da investigação e as causas legais, é
fundamental, já que muitos processos sobre o tráfico de pessoas duram
vários anos”.
A demanda para o transplante de órgãos é um outro aspecto do tráfico
de seres humanos. De acordo com o relatório, mais de 114 mil
transplantes de órgãos são realizados a cada ano no mundo.
Estas operações satisfazem menos que 10% dos requisitos globais de órgãos como os rins, fígado, coração, pulmões e pâncreas.
Às vezes, as pessoas pobres são induzidas a vender órgãos, e em
muitos casos recebem só uma parte do que lhes foi prometido. Acabam,
também, frequentemente, com problemas de saúde como resultado das
operações e são incapazes de voltar a trabalhar.
O documento contém várias listas dos países, dependendo de seu nível
de conformidade com as leis de prevenção do tráfico de seres humanos e o
grau do problema.
A dignidade de cada pessoa humana deve ser apoiada e respeitada,
disse o Papa Francisco na sua mensagem. Um apelo que se tornou mais
urgente, considerando os tantos milhões de pessoas que são refugiados ou
vítimas de exploração. (Trad.T.S.)
(03 de Julho de 2014) © Innovative Media Inc.
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