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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Salvar o Santíssimo do Estado Islâmico e fugir: assim aguarda o seu sacerdócio um seminarista no Iraque

Actualizado 1 de Novembro de 2014

John Pontifex / ACI 

Martin Baani, seminarista em
tempos de perseguição.
As bombas caem e o som da explosão comove e transmite medo aos corações das pessoas. No meio do som do choro e da actividade frenética, as pessoas embalam os seus pertences que podem levar e vão-se no meio da noite.

No meio de tudo, encontra-se Martin Baani, um seminarista de 24 anos. Dá-se conta que esta é a última batalha de Karamlesh.

Durante 1800 anos o cristianismo teve um lar nos corações e mentes dos povoadores da aldeia, tão cheia de antiguidade. Agora, essa época está a ponto de chegar a um calamitoso final; o Estado Islâmico está avançando.

O telemóvel de Martin soa: um amigo tartamudeia a notícia de que o povoado próximo de Telkaif caiu nas mãos de Da´ash - o nome árabe do Estado Islâmico. Karamlesh seguramente seria a seguinte.

Martin sai logo da casa da sua tia, onde está ficando, e dirige-se à próxima igreja de San Addai. Ele toma o Santíssimo Sacramento, um maço de papéis oficiais e sai da igreja. Fora espera-o um automóvel. O seu pároco, o padre Thabet, e três sacerdotes mais estão dentro.

Martin entra e o carro acelera. Eles deixam Karamlesh e os últimos remanentes da presença cristã no povoado vão-se com eles.

E não é um pesadelo
Falando com Martin no calmo Seminário de São Pedro, em Ankawa - um subúrbio da capital regional curda de Erbil - é difícil imaginar que está descrevendo algo excepto um pesadelo. Mas não há nada de sonho na expressão de Martin. "Até ao último minuto, a Pashmerga [as forças armadas curdas que protegem os povoados] dizia-nos que (o lugar) era seguro.

"Mas então escutamos que estavam colocando armas grandes sobre a Colina de Santa Bárbara (no limite do povoado), e então soubemos que a situação se tinha tornado muito perigosa".

Fazendo um balanço dessa terrível noite de 6 de Agosto, a confiança de Martin vê-se reforçada pela presença de outros 27 seminaristas em São Pedro, muitos deles com as suas próprias histórias de escape das garras de militantes islâmicos.

O desejo de ficar
Martin e os seus companheiros estudantes para o sacerdócio sabem que o futuro é pouco prometedor em relação ao cristianismo no Iraque. Uma comunidade de 1,5 milhões de cristãos antes de 2003 reduziu-se a menos de trezentos mil. E daqueles que permanecem, mais de um terço estão deslocados. Muitos, se não a maioria, querem uma nova vida num novo país.

Martin, sem dúvida, não é um deles. "Facilmente poderia ir", explicou com calma. "A minha família agora vive na Califórnia. Já me deram um visto para ir para os Estados Unidos e visitá-los. Mas quero ficar. Não quero escapar do problema".

Martin já tomou a escolha que marca os sacerdotes que decidiram ficar no Iraque: a sua vocação é servir as pessoas, aconteça o que acontecer.

"Devemos lutar pelos nossos direitos. Não devemos ter medo", explicou. Descrevendo em detalhe o trabalho de auxílio nas emergências que ocupou muito do seu tempo, é fácil ver que sente que o seu lugar é estar com as pessoas.

Martin já é subdiácono. Agora no seu ano final de teologia, a ordenação sacerdotal está a só uns meses. "Obrigado pelas suas orações", disse Martin quando o deixo. "Contamos com a sua ajuda".



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