História de uma rede criada há quatro anos no Reino Unido depois da visita de Bento XVI
Roma, 06 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Nicola Rosetti
A viagem apostólica do Papa Bento XVI ao Reino Unido, em
setembro de 2010, foi precedida por várias polémicas, tanto nas ruas
quanto na media. Não importa o quão paradoxal seja mas, em uma cultura
que se orgulha de suas aberturas, parecia não haver espaço para o chefe
da Igreja Católica.
Neste contexto, Austen Ivereigh e Jack Valero, dois católicos que
trabalham no mundo da comunicação, não desanimaram, reuniram uns trinta
"ordinary catholics”, que em 6 meses de Media Training transformaram-se
em capazes comunicadores da própria fé sobre os temas mais quentes da
actualidade. Foi um sucesso: as “vozes católicas”, formadas para
transmitir da forma mais eficaz a mensagem cristã por meio da media,
deram mais de 100 entrevistas radio/TV, contribuindo para melhorar de
forma significativa a imagem da Igreja no Reino Unido.
Assim nascia Catholic Voices que ao longo dos últimos quatro
anos se expandiu para 15 países. Recentemente também na Itália. Para
conhecer melhor esta realidade entrevistamos Martina Pastorelli,
fundadora de Catholic Voices Itália e responsável do livro que explica o
método, intitulado “Come defender la fede senza alzare la você” (Como
defender a fé sem levantar a voz”) ed. Lindau.
***
ZENIT: Por que Catholic Voices Itália?
Martina Pastorelli: Tudo vem de uma experiência muito pessoal. Casada
com um incrédulo e rodeada de amigos liberais, encontrei-me cada vez
mais chamada à causa para defender a minha fé, como um dever de ter que
"justificar" certas posições da Igreja. No começo, eram confrontos
animados, dos quais eu saía desanimada e sentindo-me incompreendida, até
que um belo dia a reacção muda e escuto: “É assim que aqueles como vocês
conseguirão levar para o seu lado, em certos temas, pessoas como nós”. O
que tinha acontecido? Que nesse meio tempo eu havia encontrado Catholic Voices
e apliquei o método, que explica como a linguagem e o modo como nos
posicionamos façam a diferença. Trata-se da pausa do café no bar com os
colegas mais do que de um debate público, o católico do grupo termina
muitas vezes tendo que prestar contas da sua fé. Eis que, nestas
circunstâncias, saber argumentar de modo humano, claro e tranquilo é
essencial. O Papa Francisco, entre outros, nos mostra isso todos os
dias.
ZENIT: Qual é a força do método de Catholic Voices?
Martina Pastorelli: O método, chamado de reframing, ensina a
identificar em toda crítica à Igreja, até a mais hostil, uma intenção
positiva, um valor que é quase sempre (mesmo inconscientemente) cristão e
parte deste terreno comum para reformular o argumento e fazer refletir.
É um método que lhe permite escapar da lógica do conflito para pôr de
lado a agressão e a vitimização, e apelar para a razão, o bom senso.
Para entrar em um relacionamento antes de tudo humano com o outro. Criar
empatia, que é a base de todo o diálogo.
ZENIT: Podemos dizer que o projecto Catholic Voices realiza uma nova forma de apologética?
Martina Pastorelli: Sim, uma nova apologética, que sabe falar à
sociedade de hoje, também através dos seus meios de comunicação, tão
centrais. Trata-se de equipar os católicos, ajuda-los a explicar da
forma mais eficaz os valores nos quais cremos e o compromisso autêntico
da Igreja pelo bem comum. O objectivo é conseguir dialogar com todos,
crentes e não, sobre temas que tocam toda a sociedade, justamente porque
está em jogo o bem da mesma sociedade. Fazendo assim acolhemos o
convite do Papa Francisco que chamou os cristãos “a dialogar com aqueles
que não pensam como nós, com aqueles que têm outra fé ou que não têm
fé”. O Papa nos recordou que podemos ir ao encontro de todos sem medo e
sem renunciar nossa fé.
ZENIT: Quais as principais iniciativas de Catholic Voice na Itália?
Martina Pastorelli: Catholic Voices se articula por meio de cursos de
treinamento para aqueles que trabalham no debate público (o primeiro
acontecerá em Roma daqui a poucos dias), mas está destinado também a um
público mais vasto com o livro “Come defender la fede senza alzare la
você”, que aplica o método do reframing aos temas mais controvertidos e
sugere os pontos chaves que devem ser evidenciados para explicar a
posição da Igreja, conseguir vencer os preconceitos e recomeçar o
diálogo com humanidade e bom senso.
ZENIT: Qual é a relação do Catholic Voices com a hierarquia católica?
Martina Pastorelli: Catholic Voices não fala oficialmente em nome da
Igreja, mas tem a bênção e respeita toda a liderança e a doutrina. Em
todo o mundo recebeu ampla aceitação entre os bispos e os máximos
representantes da Igreja: por exemplo, penso no Cardeal e Arcebispo de
Nova York, Dolan, grande fã do projecto ou o Arcebispo de Westminster,
que definiu de “crucial” a tentativa de CV de colocar juntos fé e razão
no debate público.
(06 de Novembro de 2014) © Innovative Media Inc.
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