Páginas

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Somente por nossas forças não poderemos nos tornar cristãos

Em Santa Marta, Francisco recorda a maneira de seguir Jesus: amar os vossos inimigos e doar-se até o fim


Roma, 11 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Salvatore Cernuzio


Amar os nossos inimigos, fazer o bem e não o mal, não julgar, abençoar e rezar. Mais fácil dizer do que fazer, mas esta é a novidade do Evangelho e o que Cristo pede a seus seguidores.

E se, "eu ... eu não consigo fazer isso?". A resposta do Papa Francisco na missa hoje em Santa Marta foi: “Se você não consegue, é um problema seu, mas o caminho cristão é esse!”.

De fato, Jesus nos diz que essa é a única maneira de viver uma vida cristã. Uma vida - disse o Papa - que "não é auto-referencial", mas “é uma vida que sai de si mesma para dar-se aos outros”, quando tudo se torna dom e do coração transborda misericórdia e não egoísmo.

Difícil, mas, há maneiras de seguir Jesus. O próprio Cristo no Evangelho de Lucas, na liturgia de hoje, indica o caminho do amor "sem limites". "Não recusar" ninguém, exorta o Senhor, "amar", mesmo aqueles que respondem com o mal. É a partir disso que se distingue um verdadeiro cristão - observa o Papa – do “dar a si mesmo, dar o coração, precisamente àqueles que nos desejam o mal, que nos fazem mal, os inimigos”.

No final – nos mostra Jesus - que diferença haveria entre um pagão e aquele que ama os que o amam? O mérito de um cristão é realizar um gesto um pouco absurdo de acordo com a lógica humana e do mundo: “Fazer o bem e emprestar sem esperar nada, sem interesse. E sua recompensa será grande”, recorda o Papa.

Então, "o que esperar?", alguém poderia perguntar. E o Papa responde: “caminhar nas estradas de Jesus”. E é um prémio que vale qualquer sacrifício. No entanto, para “caminhar nas estradas de Jesus" - reafirma Francisco – “sejam misericordiosos como é misericordioso o Pai. Somente com um coração misericordioso poderemos fazer tudo o que o Senhor nos aconselha. Até o fim”.

Muitas vezes, “parece que nós fomos nomeados juízes dos outros: conversando, fofocando ... julgamos todos”, afirmou o Santo Padre. Isso vai contra o que o Senhor nos diz: “Não julguem para que não sejam julgados. Não condenem, e não serão condenados”. E vai contra o que dizemos no Pai Nosso: “Perdoai-nos assim como nós perdoamos”. Se eu não perdoo, como posso pedir ao Pai: Perdoe-me?'”, questionou o Papa.

Portanto, em poucas palavras, a vida cristã é: "magnanimidade, generosidade; doar-se sem medida". "Mas, Pai, isso é loucura!", então, “ser cristão é se tornar louco num certo sentido?”, poderiam perguntar. “Sim”, responde o Papa, num certo sentido, sim. É renunciar àquela esperteza do mundo para fazer tudo aquilo que Jesus nos diz e, se fizermos a conta, se fizermos um balanço, parece nos ser desfavorável”.

Por outro lado, Cristo primeiro fez isso quando veio ao mundo: "Ele nos deu, nos perdoou, não falou mal de ninguém, não julgou". Assim, "ser cristão não é fácil", admite o Papa.  “Nós “podemos nos tornar cristãos somente com a graça de Deus” e não “com as nossas forças”, acrescentou.

"Uma primeira leitura" do VI capítulo de Lucas, de fato, "assusta", acrescentou o Pontífice. “Mas façamos uma segunda, uma terceira, uma quarta leitura: façamos e peçamos ao Senhor a graça de entender o que é ser cristão, e também a graça de que Ele nos faça, a nós, cristãos. Porque sozinhos não seremos capazes.”

A oração de todos os dias a Deus é, portanto, a seguinte: "Senhor, dá-me a graça de me tornar um bom cristão, uma boa cristã, porque eu não posso fazer isso". 

Sem comentários:

Enviar um comentário