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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Na Costa Rica, 85% da população reza e há mais católicos praticantes que sociológicos

Actualizado 26 de Agosto de 2014

ReL 

Na Costa Rica aumenta o número
de católicos não praticantes, mas
continua sendo um país muito
religioso
Um estudo da Escola Ecuménica de Ciências da Religião (www.ecumenica.una.ac.cr), anexa à Universidade Nacional da Costa Rica (UNA), a partir de 400 entrevistas por telefone residencial e 47 pessoas entrevistadas em profundidade, permitiu à sua autora, a doutora Laura Fuentes, uma análise da religiosidade neste país centro-americano, o mais próspero da região, democrático durante décadas, pacífico (não tem exército) e que constitucionalmente estabelece a religião católica como a própria do Estado, sem que prejudique a liberdade religiosa e de culto.

O estudo apresenta muitas limitações: com só 400 entrevistas tem uma margem de erro de +/-5, muito alto (tradicionalmente diz-se que as sondagens adquirem fiabilidade razoável a partir dos 1.100 entrevistados), e é mais limitada a sua informação se se aplica a subgrupos. Além disso, a autoria tem um foco progressista (a Escola Ecuménica tem ligação com sectores protestantes liberais). E, de facto, na data de 26 de Agosto o estudo completo não se encontra na Internet, só resumes de imprensa da sua apresentação. Mas ainda assim, o estudo marca algumas tendências interessantes. Por exemplo:

- 85% dos costa-riquenhos admite que reza

- 47,4% diz que o Estado deve colaborar com os projectos sociais das diferentes igrejas (como já sucede), só 5% crê que a única entidade religiosa que deve receber ajuda seja a católica

- neste país pacífico e constitucionalmente católico, só 25,3% dos entrevistados pedem que o Estado esteja "separado" da religião

- 7 de cada 10 costa-riquenhos declaram-se católicos; 26,8% da população pertence a outras igrejas cristãs; só 4,3% diz que não tem religião

- sobre o total da população, 42%  declaram-se católicos praticantes e 27% católicos não praticantes

Segundo Laura Fuentes, responsável da investigação, está aumentando o número de católicos não praticantes, não por razões doutrinais, mas sim emocionais.

“Os católicos não praticantes não parecem estar no caminho do abandono do catolicismo, tampouco no ponto da conversão até outra fé, mas sim parecem pessoas decepcionadas, muito decepcionadas, aborrecidas e que sentem a mesma frialdade da qual se queixam os cristãos evangélicos que converteram [do catolicismo ao protestantismo]. É também a mesma queixa dos católicos não praticantes, mas de alguma forma, a posição em que eles persistem é uma posição de elaboração individual, também passa pelo afastamento da comunidade católica e há uma recreação individual da crença”, acrescentou a especialista.

Isto encaixa com algo que já assinalava o documento de Aparecida dos bispos de toda a América, um guia para a Igreja americana, usando também fontes sociológicas: os católicos não se afastam da fé pela doutrina, mas sim por temas pastorais e de acolhimento e calor humano.

Aparecida explica-o assim nos seus parágrafos 225 e 226:

225 – Segundo a nossa experiência pastoral, muitas vezes, as pessoas sinceras que saem da nossa Igreja não o fazem porque os grupos “não católicos” acreditam, mas sim, fundamentalmente, porque eles vivem; não por razões doutrinais, mas sim vivenciais; não por motivos estritamente dogmáticos, mas sim pastorais; não por problemas teológicos, mas sim metodológicos da nossa Igreja. Esperam encontrar respostas às suas inquietudes. Procuram, não sem sérios perigos, responder a algumas aspirações que talvez não encontraram, como deveria ser, na Igreja.

226 - Temos de reforçar na nossa Igreja quatro eixos:

a) A experiência religiosa. Na nossa Igreja devemos oferecer a todos os nossos fiéis um “encontro pessoal com Jesus Cristo”, uma experiência religiosa profunda e intensa, um anúncio kerigmático e o testemunho pessoal dos evangelizadores, que leve a uma conversão pessoal e a uma mudança de vida integral.

b) A vivência comunitária. Os nossos fiéis procuram comunidades cristãs, onde sejam acolhidos fraternalmente e se sintam valorizados, visíveis e eclesialmente incluídos. É necessário que os nossos fiéis se sintam realmente membros de uma comunidade eclesial e co-responsáveis no seu desenvolvimento. Isso permitirá um maior compromisso e entrega em e pela Igreja.

c) A formação bíblico-doutrinal. Junto com uma forte experiência religiosa e uma destacada convivência comunitária, os nossos fiéis necessitam aprofundar o conhecimento da Palavra de Deus e os conteúdos da fé, já que é a única maneira de amadurecer a sua experiência religiosa. Neste caminho, acentuadamente vivencial e comunitário, a formação doutrinal não se experimenta como um conhecimento teórico e frio, mas sim como uma ferramenta fundamental e necessária no crescimento espiritual, pessoal e comunitário.

d) O compromisso missionário de toda a comunidade. Ela sai ao encontro dos afastados, interessa-se pela sua situação, a fim de reencantá-los com a Igreja e convida-los a voltar a ela.


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