Mensagem do Papa aos representantes das igrejas cristãs e líderes das religiões mundiais, reunidos em Antuérpia, na Bélgica, para o Encontro Internacional pela Paz, promovido pela Comunidade de Santo Egídio
Roma, 08 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Salvatore Cernuzio
Oscila entre o arrependimento do passado e a esperança para o
futuro, a mensagem do Papa Francisco aos participantes do Encontro
Internacional pela Paz em Antuérpia, Bélgica, organizado pela Comunidade
de Santo Egídio. O pesar pelo "massacre inútil" que foi a Primeira
Guerra Mundial, como descrito por Bento XV; a esperança de que certos
erros não se repitam nunca mais, talvez colaborando em conjunto,
deixando de lado todas as diferenças de religião ou tradição.
A esperança do Papa é a mesma de todos os participantes do grande
encontro: representantes das Igrejas cristãs e das comunidades
eclesiais, líderes religiosos do mundo e homens e mulheres de diferentes
crenças, reunidos todos, de hoje ate o 09 de Setembro, em Antuérpia, na
Bélgica, em uma "peregrinação de oração e diálogo".
Em todos eles paira o "espírito de Assis", que foi o grande sonho de
João Paulo II quando, no dia 27 de Outubro de 1986, convidou 70
representantes das várias religiões do mundo para elevar a Deus um só
canto de paz.
E a Paz agora, neste momento de dramas e focos de tensão em
diferentes partes do mundo, é o que busca o Encontro Internacional de
Antuérpia. Porque "A paz é o futuro", como diz o título do evento, que -
observa Bergoglio na mensagem – evoca "um futuro em que o respeito
mútuo, o diálogo e a cooperação ajudarão a afastar o espectro sinistro
do conflito armado".
Ao lado do espírito de Assis está o espectro da Primeira Guerra
Mundial, um século depois do seu início "dramático". "Nestes dias,
quando muitas pessoas no mundo precisam ser ajudadas a encontrar o
caminho da paz", diz Bergoglio, a lembrança daquela tragédia mundial
"nos ensina que a guerra nunca é um meio satisfatório para reparar as
injustiças e chegar a uma solução equilibrada para a discórdia política e
social".
Toda guerra é de fato um "massacre inútil", diz Francisco. Porque
toda guerra - acrescenta - "arrasta os povos a um espiral de violência
que mais tarde revela-se difícil de controlar; destrói o que as gerações
têm trabalhado para construir e prepara o caminho para a injustiça e os
conflitos ainda piores".
Portanto, o pensamento se dirige aos "inúmeros conflitos e guerras,
declaradas e não declaradas, que hoje afligem a família humana e
arruinam a vida dos mais jovens e dos idosos", e que envenenam "relações
duradouras de convivência entre grupos étnicos e religiosos diferentes,
forçando famílias e comunidades inteiras ao exílio". Diante de tanto
sofrimento, é claro que, "juntamente com todos os homens e mulheres de
boa vontade, não podemos permanecer passivos", diz o Papa.
O primeiro passo é, portanto, um esforço conjunto entre as diversas
tradições religiosas para dar "uma contribuição para a paz". "Podemos
fazê-lo com o poder da oração", garante o Santo Padre, "todos nós
percebemos que a oração e o diálogo estão profundamente relacionados e
se enriquecem mutuamente".
Deseja-se, portanto, que estes dias de espiritualidade compartilhada
em Antuérpia sirvam para lembrar "que a busca da paz e da compreensão
através da oração pode criar laços duradouros de unidade e prevalecer
sobre as paixões da guerra".
"A guerra nunca é necessária, nem inevitável", fala Bergoglio; na
verdade, sempre existe uma "alternativa" que é "o caminho do diálogo, de
encontro e da busca sincera da verdade".
Então - conclui - "é chegada a hora de os líderes das religiões
cooperem eficazmente na obra de curar as feridas, de resolver conflitos e
de buscar a paz". "A paz é o sinal claro de compromisso com a causa de
Deus", diz o Papa Francisco, e lembra aos líderes religiosos o seu
chamado a ser "homens e mulheres de paz" capazes de promover "uma
cultura de encontro" mesmo, "quando outras opções falham ou vacilam".
Ao mesmo tempo, todas as comunidades são chamadas a ser "escolas de
respeito e de diálogo com os de outros grupos étnicos ou religiosos,
lugares - disse o Papa - em que se aprende a superar as tensões, a
promover relações justas e pacíficas entre os povos e os grupos sociais e
construir um futuro melhor para as gerações vindouras".
(08 de Setembro de 2014) © Innovative Media Inc.
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