O dia 14 de Setembro foi dedicado à exaltação da santa cruz, isto é: o triunfo da cruz.
Crato, 12 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Vitaliano Mattioli
Para compreender esta festa devemos voltar a Constantino.
Ele havia mandado construir em Jerusalém uma basílica no Gólgota e no
Sepulcro de Cristo Ressuscitado. A dedicação desta basílica se realizou a
13 de Setembro de 335. No dia seguinte foi mostrado ao povo o lenho da
Cruz. Assim, o dia 14 de Setembro foi dedicado à exaltação da santa
cruz, isto é: o triunfo da cruz.
O símbolo da cruz sacralizou, por séculos, todos os cantos da terra
e todas as manifestações sociais e privadas. Actualmente corre o risco
de ser varrido ou, pior, instrumentalizado por uma moda de consumo. Hoje
com o pretexto de ser um Estado laico, se quer eliminar o símbolo da
cruz nos lugares públicos, para não fazer propaganda cristã. Se confunde
a sã laicidade do Estado com uma luta anti religiosa que se esforça de
impedir ao homem uma relação com a transcendência.
Mas o principio da laicidade consiste na recíproca autónoma entre a
ordem temporal e espiritual. Autonomia não significa indiferença, mas a
proibição do Estado de entrar nas questões religiosas e pela autoridade
religiosa na preclusão de exercer dentre o Estado um poder temporal. Por
isso, o Estado não pode proibir a um crente de mostrar externamente a
sua fé com um símbolo de extrema importância e significado.
Mas, além disso, a cruz não é só monopólio dos cristãos, desde
sempre é o símbolo do sofrimento humano. O crucifixo é o símbolo
universal da injustiça humana, ensina a paciência, a compreensão, a
solidariedade para com todos que sofrem perseguições e violência. É o
sinal mais laico que pode existir. Naquela simples cruz se resume a
história do género humano, são denunciadas todas as barbáries que o
homem perpetrou iniciando do assassinato de Abel até os massacres e
genocídios de hoje.
Natália Ginzburg, agnóstica, escreveu em 1988 que o crucifixo é o
sinal do sofrimento humano, faz parte da história da humanidade.
Eliminar o crucifixo significa destruir o elemento fundamental da nossa
história. Ele não provoca nenhuma discriminação. Está calado, não fala.
Tudo suporta por amor. É o sinal da completa doação. Representa todos,
também os laicos, os agnósticos e os ateus, porque todos sofrem
injustiças.
Seria bom que este símbolo nos fizesse voltar aos verdadeiros
‘crucifixos’: os pobres, doentes, anciãos, explorados, etc. Mas para
compreender tudo isso precisa sabedoria. São Paulo escreveu: “A pregação
da cruz é loucura para os que se perdem [...] Nós proclamamos Cristo
crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos [...]
Cristo é sabedoria de Deus” (I Cor 1, 18, 23-24).
Cristo crucificado e ressuscitado é a nossa única e verdadeira
esperança. Fortificados pela sua ajuda, também os seus discípulos se
tornam homens e mulheres de esperança. Não de esperanças transitórias e
fugazes, que depois deixam cansado e desiludido o coração humano, mas da
verdadeira esperança, dom de Deus que, sustentada do alto, tende a
conseguir o sumo Bem e está certa de o alcançar. Desta esperança, tem
necessidade também o mundo de hoje.
(12 de Setembro de 2014) © Innovative Media Inc.
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