D. Álvaro del Portillo foi o primeiro sucessor de São Josemaria Escrivá no Opus Dei e será beatificado no próximo dia 27 de Setembro, em Madrid.
Na espera por esta tão desejada beatificação, hoje recebi um email desafiante. Será que não me animava a escrever sobre D. Álvaro del Portillo? Claro que sim. Super animada, super motivada. O problema não é esse. O problema é como é que eu posso escrever sobre um homem como D. Álvaro? É quase como pedir a um pedreiro que escreva sobre a construção da Basílica de São Pedro. E eu digo que é quase, porque, de facto, é pior… é mais impossível.
A única coisa que me é permitido é olhar com admiração e agradecimento a Deus Criador, no silêncio do meu coração e, assim, reencontrar o rosto terno de D. Álvaro e a partir daí, quem sabe, possa sair algo.
D. Álvaro del Portillo faz-me lembrar São José. O trabalhador silencioso. O olhar de pai que garante que os seus filhos têm que comer. O justo valor. O homem tímido que aceita o serviço que lhe é confiado. O homem que se transforma porque Deus lhe pede mais e lhe troca as voltas aos planos. O homem que sofre, que sente a pressão de uma família numerosa e não desarma. O homem que sabe, na sombra, aprender o que realmente importa, sem descurar os detalhes que, também, realmente importam.
No meu olhar, D. Álvaro é o mestre do optimismo, ainda que tudo pareça cair e desmoronar. Aquele que ouve o seu professor sempre com a doçura, com a alegria e o espanto como se fosse a primeira vez que escuta a lição. Aquele que, à primeira impressão, parece que nasceu para ser liderado, e que confiando, ouvindo, se vai deixando levar pela mão de Deus e pelas orações de todos. Aquele que ensina a fazer a virtude sorrir, agradável, ainda que doa, ainda que só a sintamos ao longe.
Se calhar, hoje, todos nós, toda a sociedade, temos cada vez mais dificuldade em olhar, em admirar exemplos como o de D. Álvaro del Portillo porque estamos a começar a habituar-nos ao mal, ao terror, ao medíocre, ao crime. Lamentavelmente, tudo isto entra nas nossas casas e nas nossas almas permanentemente. Talvez estejamos a ficar demasiado poluídos para conseguirmos ver, compreender, interiorizar exemplos e modelos de bondade, de generosidade, de humildade e de paz.
As férias, sendo um tempo de descanso, de leituras e de tranquilidade, talvez sejam o momento ideal para nos desintoxicarmos, limparmos a nossa alma, apreciando a natureza, a família, os amigos, e reencontrando as maravilhas que Deus criou para nós. No seio dessa pureza renascida dentro de nós, será mais fácil olharmos para os modelos bons e de referência que, sendo dos nossos tempos, nos podem fazer vislumbrar melhor o caminho que temos de percorrer, o caminho que devemos percorrer, o caminho que queremos percorrer, o caminho que vamos amar percorrer. A felicidade.
| Rita Gonçalves |
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