O pedido foi delas próprias, que queriam entregar a vida até o fim
Roma, 10 de Setembro de 2014 (Zenit.org)
A ex-superiora religiosa regional da congregação das
missionárias xaverianas na República Democrática do Congo e em Burundi,
irmã Delia Guardagnini, em declarações feitas hoje à agência Fides,
disse que as três religiosas assassinadas em Burundi no último domingo, 7
de Setembro, tinham pedido para ficar no país apesar de sofrerem
problemas de saúde. Seu motivo? Elas “queriam entregar a vida até o
fim”.
As irmãs xaverianas Lucia Pulici, Olga Raschietti e Bernadetta
Boggian foram assassinadas nas instalações da paróquia dedicada a São
Guido Maria Conforti.
“Os corpos não serão repatriados”, disse a ex-superiora, “por vontade
expressa das nossas irmãs missionárias e porque as pessoas a quem elas
amaram e serviram desejam ficar com elas. É um sinal de amor até o fim”.
A irmã Delia recorda que as três freiras, já idosas, tinham ficado em
Burundi “aceitando realizar pequenos serviços, porque as suas forças
não permitiam mais que elas fizessem trabalhos pesados. Eram serviços
simples, como acompanhar as pessoas, fazer visitas domiciliares, ajudar
os pobres. Elas eram muito queridas pela população. Em Burundi, nunca
tivemos problemas com ninguém. Não conseguimos entender quem é que pôde
nos causar essa violência, de uma forma tão malvada”.
Irmã Delia informou que “os funerais se realizarão nesta quarta-feira
em Bujumbura [a capital do país]. Depois, começaremos a longa viagem
para levar os corpos das irmãs até o cemitério xaveriano de Bukavu, onde
será celebrada a missa na catedral, na quinta-feira de manhã”.
Segundo a media italiana, o assassino que apunhalou duas freiras e
atingiu a terceira com uma pedra seria um empregado da paróquia, com
quem foi achado um celular das religiosas. Ele possuía as chaves da casa
paroquial, mas ainda há muitas dúvidas em torno do homicídio.
A ministra de Assuntos Exteriores da Itália, Federica Mogherini,
recordou no Senado italiano o caso das três religiosas assassinadas
dizendo: "Não podemos ficar de braços cruzados diante de um assunto
gravíssimo, o dos ataques contra os cristãos, que está se tornando um fenómeno dramático em muitas partes do mundo".
(10 de Setembro de 2014) © Innovative Media Inc.
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