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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Card. Scola sobre Paris: "Não respondamos a este gesto covarde com ódio e vingança"

Na presença de 5.000 fiéis, o arcebispo de Milão voltou sua atenção para os ataques do 13 de novembro exortando para “um verdadeiro compromisso pela construção de uma paz real”

Roma, 16 de Novembro de 2015 (ZENIT.org)

Cerca de 5 mil estavam presentes ontem na Catedral de Milão, onde o arcebispo de Milão, o cardeal Angelo Scola, celebrou a Missa do primeiro domingo do Advento (segundo o rito Ambrosiano), na qual orou pelas vítimas dos atentados de Paris.

"Queremos ter presente no coração e na mente a tragédia de Paris - disse o cardeal no início da Missa - orando por aqueles que perderam suas vidas e pelos seus familiares - para expressar a nossa proximidade de comunhão com todo o povo francês e com toda a humanidade, porque este crime hediondo vai contra toda a humanidade".

"Também estou grato àqueles que, não crentes, acolheram a nossa chamada à oração comum”, continuou o arcebispo, “estes fenómenos estão tomando um peso e um tamanho que os leva a durar no tempo. Orar nos permite entrar em ação, cada um assumindo a própria responsabilidade familiar, social e eclesial que lhe corresponde”.

Scola, portanto, convidou os fieis de Milão e do mundo a “não responder este covarde e ultrajante ato com o ódio”, nem “com o medo, embora o medo seja compreensível, porque, como cristãos, somos filhos de Alguém que constantemente nos falou para não termos medo”. “Todos – disse – sabemos que se Deus está connosco, - de qualquer forma conseguimos defini-Lo e chama-Lo – quem será contra nós?. Portanto, “não sentimentos de vingança, mas compromisso firme pela verdade dos relacionamentos entre os homens e os povos para a construção de uma paz real dentro da família humana, para a necessária revitalização da Europa, da qual todos nós sentimos a necessidade."

Em sua homilia, o Cardeal, em seguida, perguntou: "Com qual atitude devemos viver o presente que, como diz Santo Agostinho, é o único tempo que realmente nos pertence? Não com a angústia de populações ansiosas, nem o medo pela espera do que deverá acontecer na terra, mas a vigilância, uma atitude dinâmica de espera e de expectativa: levantem seus espíritos e mantenham suas cabeças erguidas. O fim do mundo não será devido a catástrofes apocalípticas, mas ao retorno glorioso de Jesus, Aquele que já está chegando. Com todo o nosso coração fixemos permanentemente o olhar em Jesus Cristo".

"Até mesmo os ataques vis e terríveis em Paris devem ser vividos na fé e na oração”, destacou o prelado. “A oração não é uma fuga da realidade, mas é a intensificação do relacionamento com o Senhor da história. Nos ajuda a entender o que está acontecendo, mesmo estes trágicos acontecimentos, e nos impele a agir para a verdadeira paz. Rezemos pelas vítimas, pelos seus entes queridos, pelo povo francês, por todos os povos do mundo, especialmente aqueles provados pela guerra, pela perseguição, pela fome e a miséria”.

Finalmente, depois da Comunhão - como aconteceu ontem, em todas as missas de todas as 1.107 paróquias da diocese de Milão - O Cardeal Scola convidou mais uma vez a rezar pelos mortos e os feridos de Paris. Depois da leitura de um texto, no qual se recordava que “a maioria das mulheres e homens muçulmanos são pessoas de paz”, todos recitaram a Ave Maria.

(16 de Novembro de 2015) © Innovative Media Inc.
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